8 Ago, 2018

Níveis baixos de poluição também podem causar problemas cardíacos

Um novo estudo britânico concluiu que a exposição a níveis baixos de poluição pode provocar alterações na estrutura cardíaca semelhantes aos sintomas da insuficiência cardíaca num estado inicial.

Níveis baixos de poluição também podem causar problemas cardíacos

De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), 9 em 10 pessoas respiram ar poluído. É estimado que cerca de 7 milhões de pessoas morrem todos os anos devido à exposição a determinadas partículas no ar que levam ao aparecimento de problemas de saúde como AVC, enfarte, cancro do pulmão, doença pulmonar obstrutiva crónica (DPOC), e outras infeções pulmonares como a pneumonia.

Neste estudo, conclui-se que as complicações de saúde geradas pela poluição não surgem só pela exposição a níveis elevados.

Os especialistas, da Queen Mary University, no Reino Unido, analisaram dados de cerca de 3900 pessoas saudáveis inscritas no estudo UK Biobank. Os participantes forneceram informação sobre o seu estado de saúde, área residencial e estilo de vida, e permitiram que os investigadores medissem o tamanho do coração, o peso e a função recorrendo à Ressonância Magnética.

Os investigadores concluíram que os participantes que viviam perto de estradas com muita movimentação e que estavam expostos a dióxido de nitrogénio [NO2] estavam mais propensos a dilatar os ventrículos esquerdo e direito.  Os autores notam, no artigo publicado na revista Circulation, que estes ventrículos são importantes para bombear sangue no coração e, embora, os participantes fossem pessoas saudáveis e sem sintomas, este tipo de restruturação cardíaca é semelhante aos estágios iniciais da insuficiência cardíaca.

“Apesar de o nosso estudo ser observacional e não ter mostrado ainda uma ligação causal, observámos alterações significativas no coração até com uma exposição a níveis de poluição baixos. Os nossos estudos futuros vão incluir dados de pessoas que moram em cidades como em Manchester e Londres, utilizando medições mais detalhas da função cardíaca e esperamos que as descobertas sejam ainda mais pronunciadas e clinicamente importantes”, afirmou o Dr. Nay Aung, autor do estudo, citado em comunicado.

“A poluição do ar deve ser vista como um fator de risco modificável. Os médicos e o público em geral precisam estar cientes da sua exposição quando pensam na sua saúde cardíaca, assim como pensam sobre sua pressão arterial, seu colesterol e seu peso.”, conclui.

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