26 Mar, 2026

Mulheres com cancro do endométrio queixam-se de falta de apoio durante e após o tratamento

Fadiga intensa, queda de cabelo e sofrimento emocional são três das principais dificuldades sentidas por mulheres com cancro do endométrio. Associação MOG - Movimento Oncológico Ginecológico apela a que sejam adotadas mais medidas de apoio.

Mulheres com cancro do endométrio queixam-se de falta de apoio durante e após o tratamento

Quase 30% das mulheres com cancro do endométrio sentem falta de mais tempo com os médicos para obter informação, de acordo com um estudo publicado no International Journal of Gynecological Cancer. O estudo envolveu 2.761 mulheres de 20 países – não incluiu Portugal – e baseou-se num questionário anónimo com 80 perguntas sobre sintomas, estado de saúde e bem-estar, analisou mulheres em três fases distintas da doença: tratamento inicial, tratamento após recaída e fase de seguimento.

Os resultados mostraram que grande parte das doentes continua a apresentar sintomas ao longo de todo o percurso da doença. Durante o tratamento, cerca de dois terços das mulheres reportaram sintomas ativos (64,8% durante a primeira linha e 68,4% após recaída), sendo a fraqueza o sintoma mais frequente, seguido da dor nos casos em tratamento ativo. Mesmo após o tratamento, 42,6% das mulheres em seguimento continuam a apresentar sintomas.

“Esta realidade é universal e este estudo evidencia claramente que a fadiga, o sofrimento emocional e alguns efeitos secundários têm um peso enorme na vida das doentes, mesmo após o fim dos tratamentos”, enfatiza Cláudia Fraga, presidente da Associação MOG – Movimento Oncológico Ginecológico.

Entre os efeitos secundários mais difíceis de gerir destacam-se a fadiga, a queda de cabelo e os problemas gastrointestinais, além disso 28,8% das inquiridas referem precisar de mais tempo com os médicos para obter informação, 26,8% gostariam de ter melhores estratégias para prevenir a queda de cabelo e 24% para reduzir a fadiga. A presidente da MOG sublinha, por isso, que “estes dados reforçam a necessidade de uma abordagem integrada da doente, que inclua não só o tratamento oncológico, mas também a gestão ativa dos sintomas, o apoio psicológico e o exercício físico ao longo de toda a jornada da doença”.

O cancro do endométrio é o tumor ginecológico mais frequente e, embora cerca de 80% dos casos sejam diagnosticados em fases precoces, uma proporção significativa de mulheres enfrenta desafios físicos e emocionais persistentes.

Maria João Garcia

 

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