Mais de 7.500 pessoas aguardavam cirurgia oncológica no final de junho
Entre os doentes propostos a cirurgia oncológica no SNS, 13,2% esperaram mais do que o limite definido para a sua prioridade cirúrgica.

Mais de 7.500 pessoas esperavam por uma cirurgia oncológica programada, no final de junho deste ano, a grande maioria em hospitais públicos, que registaram um aumento de 4,7% na lista de espera, de acordo com dados divulgados pela Entidade Reguladora da Saúde (ERS).
O relatório de monitorização dos tempos de espera no Serviço Nacional de Saúde (SNS) referente ao primeiro semestre de 2025 indica que, em 30 de junho, 7.538 utentes aguardavam cirurgia oncológica, dos quais 7.468 em unidades públicas.
Face ao mesmo período de 2024, verificou-se um crescimento de 4,7% no número total de pessoas em lista de espera, um aumento atribuído à maior pressão sobre os hospitais públicos e protocolados.
Segundo a ERS, 16,3% dos doentes oncológicos em espera ultrapassaram os tempos máximos de resposta garantidos (TMRG), embora este valor represente uma ligeira melhoria face ao ano anterior, com uma redução de 0,4 pontos percentuais.
Durante o primeiro semestre de 2025, foram realizadas 37.195 cirurgias oncológicas, 92,6% das quais em unidades do SNS — um aumento global de 6,9% na atividade cirúrgica.
O regulador refere que este crescimento poderá estar relacionado com o regime excecional de incentivos para acelerar o tratamento de doentes com suspeita ou confirmação de cancro, mesmo fora dos prazos definidos por lei. Ainda assim, 19,5% dos utentes operados em hospitais públicos foram sujeitos a tempos de espera superiores ao limite legal para a sua prioridade clínica.
Nas restantes intervenções cirúrgicas (excluindo as oncológicas e cardíacas), a ERS apurou que 200.307 utentes aguardavam cirurgia a 30 de junho de 2025. Deste total, 96% encontravam-se em lista de espera em hospitais públicos, 1,8% em hospitais protocolados e 2,2% em hospitais de destino — unidades privadas ou do setor social com convenção no âmbito do Sistema Integrado de Gestão de Inscritos para Cirurgia (SIGIC).
Comparativamente ao primeiro semestre de 2024, registou-se uma diminuição de 2,8% no número total de utentes em espera, resultado da redução das listas nos hospitais públicos (–2,5%) e protocolados (–22,6%).
Nos primeiros seis meses de 2025, foram realizadas 334.339 cirurgias de várias especialidades, das quais 91,4% no SNS, 4,7% em hospitais protocolados e 3,8% em hospitais de destino — um aumento global de 3,6% face ao mesmo período do ano anterior.
Do total de vales-cirurgia e notas de transferência emitidos pelo SIGIC (68.780), apenas 18,6% foram aceites por utentes e hospitais, uma quebra de 8,3 pontos percentuais face a 2024. A ERS aponta como possível causa a preferência dos utentes por permanecerem no hospital de origem, motivada pela relação de confiança com a equipa clínica. Entre os doentes operados no SNS, 13,2% esperaram mais do que o limite definido para a sua prioridade cirúrgica.
No que diz respeito à Cardiologia, a ERS revela que, no primeiro semestre de 2025, foram realizadas 4.904 cirurgias programadas, todas em hospitais públicos. Contudo, 32,7% dos doentes foram operados fora dos prazos legais.
A 30 de junho, 2.437 utentes aguardavam cirurgia cardíaca, sendo que 56,9% já ultrapassavam o tempo máximo de resposta garantido.
A ERS conclui que, apesar de alguns avanços na redução de listas em determinadas áreas, o cumprimento dos prazos legais continua a ser um dos principais desafios do SNS, sobretudo nas cirurgias oncológicas e cardíacas, que exigem resposta rápida e prioritária.
SO/LUSA
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