14 Jan, 2026

Mais alguns minutos de exercício, sono e vegetais por dia associados a menor risco de morte

No risco de morte, os investigadores destacam que o efeito combinado do sono, da atividade física e da alimentação é superior à soma dos benefícios de cada comportamento isoladamente.

Mais alguns minutos de exercício, sono e vegetais por dia associados a menor risco de morte

Alguns minutos adicionais de atividade física moderada por dia, um pouco mais de sono e um maior consumo de vegetais estão associados a um menor risco de mortalidade, concluem dois estudos publicados em revistas do grupo The Lancet.

Um dos trabalhos, divulgado na revista médica The Lancet, revela que caminhar a uma velocidade média de 5 km/h durante mais cinco minutos por dia está associado a uma redução de 10% da mortalidade por todas as causas na maioria dos adultos e a cerca de 6% entre os adultos menos ativos.

Segundo o estudo, esta redução de 10% aplica-se à generalidade da população adulta, com exceção dos 20% mais ativos, enquanto a redução de cerca de 6% se refere aos 20% menos ativos, que realizam, em média, apenas dois minutos diários de atividade física moderada.

O mesmo trabalho indica ainda que a redução do tempo sedentário em 30 minutos por dia está associada a uma diminuição estimada de 7% da mortalidade entre a maioria dos adultos, que passam cerca de 10 horas diárias em comportamento sedentário, e de 3% entre os mais sedentários, com uma média de 12 horas por dia.

“O maior benefício foi observado quando os 20% menos ativos da população aumentaram a sua atividade em apenas cinco minutos por dia”, sublinham os autores.

O estudo analisou dados de mais de 135 mil adultos, integrados em sete coortes da Noruega, Suécia e Estados Unidos, bem como do Biobanco do Reino Unido, com um acompanhamento médio de oito anos. Os resultados mostram ainda que mais 10 minutos diários de atividade física moderada podem estar associados a uma redução de 15% da mortalidade na maioria dos adultos e de 9% nos menos ativos. Já a redução de uma hora no tempo sedentário esteve associada a uma diminuição de 13% das mortes na população em geral e de 6% entre os menos ativos.

O segundo estudo, publicado na eClinicalMedicine, revista do grupo The Lancet Discovery Science, analisou o impacto combinado de pequenas melhorias no sono, na atividade física e na alimentação. De acordo com o comunicado que acompanha os dois trabalhos, este é o primeiro estudo a investigar quais as alterações mínimas combinadas necessárias para aumentar de forma significativa a esperança de vida e os anos vividos com boa saúde.

Segundo este estudo, mais cinco minutos de sono, dois minutos de atividade física moderada a vigorosa (como caminhar rapidamente ou subir escadas) e meia porção adicional de vegetais por dia poderiam ser suficientes para que pessoas com os piores hábitos ganhassem, teoricamente, um ano adicional de vida.

A investigação analisou dados de quase 60 mil pessoas do Biobanco do Reino Unido, recrutadas entre 2006 e 2010 e acompanhadas durante uma média de oito anos. Os autores estimam que a melhor combinação de comportamentos — sete a oito horas de sono por dia, mais de 40 minutos diários de atividade física moderada a vigorosa e uma alimentação saudável — está associada a mais de nove anos adicionais de esperança de vida, bem como a mais anos vividos com boa saúde.

Os investigadores destacam ainda que o efeito combinado do sono, da atividade física e da alimentação é superior à soma dos benefícios de cada comportamento isoladamente.

Apesar dos resultados encorajadores, os autores alertam que são necessários mais estudos para avaliar a aplicação destas conclusões na prática clínica e em políticas de saúde pública. Sublinhando que os resultados visam destacar benefícios a nível populacional, recomendam também mais investigação com recurso a dispositivos de monitorização de atividade, sobretudo em países de baixo e médio rendimento, onde os padrões de atividade e os riscos para a saúde podem ser diferentes.

SO/LUSA

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