Lista de espera para cuidados continuados integrados aumenta 43% em 2024
O número de utentes a aguardar vaga nas Equipas de Cuidados Continuados Integrados aumentou 43% em 2024, segundo a Entidade Reguladora da Saúde, que alerta também para tempos médios de internamento na rede superiores aos recomendados, sobretudo na região de Lisboa e Vale do Tejo.

As Equipas de Cuidados Continuados Integrados (ECCI) registaram em 2024 um aumento de 43% no número de utentes a aguardar vaga, de acordo com dados da monitorização da Rede Nacional de Cuidados Continuados Integrados (RNCCI) hoje divulgados pela Entidade Reguladora da Saúde (ERS), que aponta igualmente para uma tendência de tempos médios de internamento acima do recomendado.
As ECCI são equipas multidisciplinares, constituídas por médicos, enfermeiros, profissionais de reabilitação e apoio social, que prestam cuidados de saúde e apoio social no domicílio a pessoas dependentes que não necessitam de internamento hospitalar.
Segundo a ERS, a tendência para tempos médios de internamento superiores ao recomendado verifica-se sobretudo na região de Lisboa e Vale do Tejo, que apresenta os valores mais elevados nas Unidades de Convalescença (UC) e nas Unidades de Média Duração e Recuperação (UMDR).
No final de 2024, aguardavam vaga na RNCCI 1.792 utentes, mais 14,7% do que no final de 2022 e menos 0,7% face a 2023. O maior número de pessoas em lista de espera concentrava-se nas Unidades de Longa Duração e Manutenção (ULDM), com 700 utentes, destinadas a internamentos superiores a 90 dias.
Mais de 90% da população residente em Portugal continental vivia a 30 minutos ou menos de uma UMDR ou de uma ULDM, enquanto cerca de 80% residia a igual distância de uma Unidade de Convalescença, destinada a internamentos até 30 dias para recuperação intensiva pós-hospitalar.
Em 2024, entre 12,8% e 19,6% dos utentes internados, consoante a tipologia, encontravam-se a mais de 60 minutos da sua residência, enquanto entre 47,3% e 56,4% estavam internados a uma distância igual ou inferior a 30 minutos.
Os dados indicam ainda que o número de utentes nas UMDR e nas UC diminuiu face a 2023, apesar de se ter registado um aumento do número de camas contratadas em todas as áreas da rede, com destaque para as UC (+12%) e para as ECCI (+11,5%).
A ERS sublinha a existência de fortes assimetrias regionais no rácio de vagas por mil habitantes com 65 ou mais anos, mantendo-se a ausência de Unidades de Convalescença nas NUTS III Alto Tâmega e Barroso e Lezíria do Tejo.
Os tempos de espera variaram significativamente entre tipologias e regiões, com medianas mais elevadas nas ULDM (56 dias) e UMDR (47 dias), e mais baixas nas UC e ECCI (14 dias em ambas). No caso das ULDM, os tempos de espera oscilaram entre 38 dias na região Centro e 134 dias no Algarve.
Para a ERS, a demora na identificação de vaga na RNCCI pode resultar em internamentos prolongados e clinicamente desnecessários em unidades de agudos ou em altas para o domicílio em situações em que a admissão atempada na rede seria clinicamente benéfica.
A 31 de dezembro de 2024, a RNCCI tinha contratualizados 1.391 lugares em Unidades de Convalescença, 3.333 em Unidades de Média Duração e Recuperação, 5.246 em Unidades de Longa Duração e Manutenção e 6.712 nas Equipas de Cuidados Continuados Integrados.
LUSA/SO
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