1 Jul, 2020

Lisboa. Há 100 doentes incontactáveis por dia e atrasos nas notificações

Alguns laboratórios demoram vários dias a notificar casos. Doentes incontactáveis dificultam controlo da pandemia em Lisboa e Vale do Tejo, admite o responsável pelo gabinete de intervenção para a supressão de covid-19 na região.

As autoridades de saúde pública da região de Lisboa e Vale do Tejo não conseguem contactar, diariamente, cerca de 100 pessoas infetadas com Covid-19, adianta Rui Portugal, responsável pelo gabinete regional de intervenção para a supressão de covid-19 em Lisboa e Vale do Tejo. Para além disso, verificam-se alguns atrasos nas notificações de novos casos.

“Existem nos registos cerca de 100 pessoas por dia que sabemos que estão doentes mas não conseguimos contactar, ou porque deram moradas falsas ou porque foram viver para outros locais”, conta, em entrevista ao Público.

Esta situação dificulta o seguimento epidemiológico dos casos e a quebra das cadeias de transmissão, condição essencial para controlar a epidemia na área metropolitana de Lisboa (AML). “O problema é que, enquanto não são identificados, são potenciais transmissores de doença por mais alguns dias”, acrescenta.

Quanto às notificações de novos casos, Rui Portugal diz que, na maior parte das vezes o processo é rápido. Contudo, “temos relatos de casos que se atrasaram na cadeia de comunicação. Alguns laboratórios notificaram tarde, não estavam habituados a trabalhar neste sistema”, admite. “Temos relatos [de demoras] de vários dias, o que é inadmissível”, sublinha.

Rui Portugal fala das especificidades que dificultam o acompanhamento da pandemia na AML. “Temos concelhos como Sintra, Odivelas, Amadora, Loures e Lisboa com residentes de cerca de 100 nacionalidades diferentes”, em que “há pessoas com nomes com o maior número de consoantes que alguma vez imaginámos ser possível e não sabemos distinguir muitas vezes o que é apelido ou nome próprio, nem se é menino ou se é menina”.

“Nos cinco concelhos há neste momento cerca de 15 mil pessoas em vigilância ativa [contactos em vigilância pela saúde pública por fazerem parte de cadeias epidemiológicas] e passiva (contactos em que é feito o auto-reporting). E há nove mil doentes que estão a ser seguidos“, adianta também Rui Portugal.

TC/SO

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