8 Out, 2019

Juul’s Vaping: uma alternativa para deixar de fumar?

Apesar de os cigarros eletrónicos estarem na agenda mediática devido às mortes nos EUA, há mais uma empresa norte-americana que se lançou no mercado, desta feita em Portugal.

Juul é o seu nome e tem como missão “ajudar os fumadores a deixarem de fumar”. Como é a questão que se impõe. A resposta é simples: através dos seus aparelhos de vapping que não precisam de combustão, que não deitam fumo ou cinza. A empresa afirma que o seu target são fumadores que não conseguem deixar de fumar e procuram uma alternativa para o fazer. Com uma cápsula de 18mg de nicotina e outra de 9mg apresenta-se assim como uma alternativa para reduzir a nicotina no sangue e, posteriormente, ser o responsável pela mudança de hábito dos portugueses.

Antes da entrada no mercado português, a empresa encomendou um estudo à GFK sobre os hábitos dos fumadores portugueses. Baseado nos resultados elaborou aquilo que afirma ser “a solução” para este nicho da população.

Foi realizado um inquérito a 2004 pessoas, cerca de metade feita presencialmente e a outra metade realizada online. As perguntas relacionadas com o consumo de tabaco foram apenas feitas a maiores de 24 anos. Para 99% dos inquiridos é importante levar uma vida saudável, para 39% começaram a ter uma dieta, 32% passaram a ser mais ativos, 11% reduziram o álcool, mas só 7% conseguiram deixar de fumar.

Do número total da população objeto de estudo, 22% são fumadores e 21% ex-fumadores (não tendo os restantes qualquer associação ao tabagismo. Os ex-fumadores fumaram durante cerca de 20 anos e 80% só conseguiu deixar de fumar à terceira tentativa. Dos fumadores, 17% afirmou que tentaria se houvesse outras “e melhores alternativas”.

O diretor-geral da JUUL LABS Portugal, Nélson Patrício, explica que “a JUUL LABS foi criada para ajudar os fumadores adultos a deixarem de fumar cigarros tradicionais e temos acompanhado de perto todas as situações noticiadas”.

De acordo com o CEO para a Europa, África e Médio Oriente, Grant Winterton, nenhum dos seus “produtos inclui THC tetraidrocanabinol ou qualquer outra substância que deriva de canábis, bem como produtos compostos de vitamina E, que tipicamente estão presentes em produtos de THC”.

Afirma ainda, no que respeita às suspeitas sobre a toxicidade do produto que lançaram este mês em Portugal, que toda a equipa da Juul confia no trabalho desenvolvido pelo “Congresso americano, pela FDA e por outras entidades de saúde pública”, afirmando-se confiante “que irão conseguir perceber a origem dos problemas”.

No entanto, e de acordo com a CNN, depois destes produtos de “alternativa ao tabaco tradicional” estarem na agenda do dia devido aos problemas de saúde que têm vindo a ser reportados nos EUA, a agência norte americana do medicamento (FDA, Food and Drug Admnistration) está a ponderar implementar uma lei que proíba todos os cigarros eletrónicos com sabores, devido à sua atratividade para os mais jovens. Existem, no entanto, alguns estados que estão a pensar banir por completo estes produtos.

O novo CEO da Juul, K.C. Crosthwaite, já afirmou que acredita “num futuro em que os fumadores adultos escolhem predominantemente produtos alternativos como o Juul”. No entanto, “infelizmente, hoje em dia esse futuro está em risco devido a níveis inaceitáveis de uso de jovens e à erosão da confiança do público em nossa indústria. Nesse contexto, devemos nos esforçar para trabalhar com reguladores, formuladores de políticas e outras partes interessadas, e ganhar a confiança das sociedades nas quais nós operamos”.

 

EQ/SO

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