Hospital de Santo António trabalha com Cabo Verde em programa de transplante renal
A Unidade Local de Saúde de Santo António (ULSSA), no Porto, está a trabalhar com Cabo Verde na implementação, no arquipélago africano, de um programa de transplante renal a partir de dador vivo, avançou a médica responsável.

“O Hospital de Santo António é um dos centros de referência de transplante renal em Portugal e a nível internacional. Esta colaboração com Cabo Verde nasceu há uns meses da necessidade de dar resposta a doentes muito jovens que estão lá em diálise e que não têm acesso ao transplante, a não ser que sejam expatriados para cá ou para outro país”, explicou a nefrologista La Salete Martins.
Em declarações à Lusa, a responsável da Unidade de Transplante Renal do Santo António descreveu uma parceria que já está aprovada pelos Ministérios da Saúde de Cabo Verde e de Portugal, que se encontra em fase de formalização final, e que envolve também a Fundação Camões, a companhia aérea TAP e outros parceiros. “Escolheram-nos como parceiros, o que muito nos honra e temos feito tudo o que podemos para estar à altura”, sublinhou.
O programa terá início com técnicas de transplantação a partir de dador vivo e não cadáver porque, como lembrou La Salete Martins, “o dador cadáver não espera”. “Não dá tempo para os sangues andarem entre Portugal e Cabo Verde. Os testes de compatibilidade que são necessários fazer não se conseguem fazer lá (…). Já o transplante de dador vivo é programado. Os sangues vêm para cá, vê-se as compatibilidades e a cirurgia é agendada”, referiu.
Esta parceria, que começou com a ajuda de um cirurgião vascular, já aposentado da ULSSA, mas que vai a Cabo Verde em regime de prestação de serviços, o médico António Norton de Matos, já trouxe a Portugal dois nefrologistas cabo-verdianos que estiveram a fazer um estágio observacional no Porto.
Atualmente, as equipas dos dois países estão a elencar o que é necessário adquirir para apetrechar os blocos operatórios de Cabo Verde, sendo que há já equipamento de bloco e equipamento cirúrgico em fase de aquisição, acrescentou a responsável portuguesa. “A Fundação Camões tem tido um papel fundamental e até tem financiado obras no bloco operatório em Cabo Verde”, concluiu, apontando que a fase atual é de reuniões semanais online para “acompanhar a evolução das obras no bloco, a aquisição dos equipamentos e dos medicamentos necessários e os aspetos logísticos para, assim, tentar dar celeridade ao processo”.
Este programa incluirá ainda uma parceria com o Centro de Sangue e Transplantação do Porto, onde será feito o estudo do sangue dos pares dador/recetor para avaliar a sua compatibilidade. O nefrologista cabo-verdiano Hélder Tavares, que dirige o centro de diálise da Praia, desde que abriu, em 2014, e que está envolvido no projeto, Cabo Verde e Portugal vão assinar um acordo durante a cimeira bilateral de terça-feira, em Lisboa, para permitir o início de transplantes renais no arquipélago.
LUSA
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