Exercício físico ativa circuitos cerebrais que melhoram foco e resistência
A ciência confirma o que muitos sentem após o treino: o exercício físico melhora a clareza mental. Um estudo publicado na revista Neuron identificou os circuitos cerebrais responsáveis por este efeito, mostrando que o treino fortalece não só os músculos, mas também o cérebro.

A sensação de maior clareza mental e foco após a prática de exercício físico tem agora uma explicação científica. Um estudo publicado na revista Neuron descreve os mecanismos cerebrais que ligam a atividade física a melhorias cognitivas, metabólicas e fisiológicas.
A investigação foi conduzida por uma equipa internacional de cientistas de centros norte-americanos e japoneses, incluindo investigadores da Universidade da Pensilvânia, e recorreu a ratos geneticamente modificados para apresentarem estruturas cerebrais semelhantes às humanas.
Segundo os autores, o exercício físico desencadeia um aumento significativo da atividade cerebral, sobretudo no hipotálamo ventromedial, uma região envolvida na regulação do uso de energia pelo organismo, do peso corporal e dos níveis de açúcar no sangue.
Durante a experiência, os ratos realizaram exercício em passadeiras e a atividade cerebral foi monitorizada ao longo de várias semanas com técnicas fisiológicas, de imagem e moleculares. Os investigadores observaram que um grupo específico de neurónios — os neurónios do fator esteroidogénico 1 (SF-1) — era ativado durante o exercício e permanecia ativo pelo menos uma hora após o fim da corrida.
Após duas semanas de treino diário, os ratos apresentaram maior resistência física, conseguindo correr mais depressa e durante mais tempo. Surpreendentemente, a ativação dos neurónios SF-1 foi mais intensa ao fim desse período do que no início, sugerindo um efeito cumulativo do exercício sobre o cérebro.
Quando os investigadores bloquearam a atividade destes neurónios, os animais cansaram-se mais rapidamente e deixaram de apresentar melhorias na resistência, no metabolismo e no fluxo sanguíneo, demonstrando que os neurónios SF-1 são essenciais para os benefícios globais do exercício.
“Estes neurónios são vitais para ativar os circuitos neurais que fortalecem o cérebro após o exercício”, explicou Nicholas Betley, investigador da Universidade da Pensilvânia.
A ativação dos neurónios SF-1 permite uma utilização mais eficiente da glicose armazenada, acelerando a recuperação do organismo e facilitando a adaptação dos músculos, pulmões e coração a esforços mais intensos.
Para Coral Sanfeliu, neurocientista do Instituto de Investigação Biomédica de Barcelona, esta descoberta poderá abrir caminho, no futuro, a estratégias que permitam ativar estes circuitos cerebrais mesmo sem exercício físico, beneficiando pessoas com mobilidade reduzida.
O estudo vem reforçar evidência científica recente que mostra que a atividade física regular, mesmo moderada e de curta duração, melhora o funcionamento cognitivo, emocional e cerebral — e que esses benefícios podem, inclusive, ser transmitidos de pais para filhos.
LUSA/SO
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