Estudo afirma que crianças andam a tomar Melatonina para dormir

O estudo Generation R Study, da Holanda, afirma que existem crianças em idade escolar tomam melatonina para tratar distúrbios de sono.

Um novo estudo realizado na Holanda concluiu que existe um elevado número de crianças a tomar Melatonina para terem noites mais descansadas e reparadoras. Tal facto é agravado pela sua disponibilização no mercado sem que seja necessária qualquer receita médica, explicou à Reuters Health Henning Tiemeier, do Centro Médico Universitário Hospital Infantil de Sophia, em Roterdão, na Holanda, e da Faculdade de Saúde Pública TH Chan, em Boston, nos EUA.

“Dado o número de crianças que usam esta droga e dada a falta de conhecimento sobre seus efeitos a longo prazo em crianças, aconselhamos os pais a consultar sempre um médico em caso de problemas de sono antes de usar fármacos para a criança dormir”, continuou.

Apesar de não haver diretrizes clínicas para o uso da melatonina no tratamento de distúrbios do sono, nem da sua eficácia e dos seus efeitos a longo prazo, mas ainda assim investigações realizadas anteriormente estimam que 1% das crianças saudáveis recorrem à melatonina quanto toca à hora de dormir.

Henning Tiemeier e outros cientistas investigaram a utilização de melatonina e a sua associação com parâmetros subjetivos e objetivamente estimados do sono em cerca de 870 crianças, com uma média de idades de 11,7 anos, de etnia holandesa ou outras etnias da Europa Ocidental.

Segundo um relatório online do JAMA Pediatrics, destas 870 crianças, cerca de 53 – ou seja, 6,1% da população objeto de estudo -, usaram melatonina pelo menos uma vez por semana nos seis meses anteriores à data do estudo.

Os problemas de sono relatados pelas crianças foram associados a uma probabilidade 25% maior de usar melatonina, sendo que esses mesmos distúrbios quando relatados pelo cuidador da criança foram associados a uma probabilidade 70% maior de usar melatonina.

Após a correção múltipla dos testes, não foram observadas outras associações entre o sono avaliado subjetivamente ou objetivamente e o uso de melatonina.

Quanto menor era o tempo de sono (estimado pelo diário de sono), maior era a probabilidade de recorrer ao uso de melatonina – conclusão após a exclusão de crianças com transtorno do espectro do autismo e transtorno de déficit de atenção ou hiperatividade.

“O nosso estudo aponta para a necessidade urgente de identificar a eficácia a longo prazo e os potenciais efeitos colaterais negativos da melatonina em crianças”.

Os investigadores alertam: “Se a melatonina é tomada de forma errada, por exemplo, administrando-a pouco antes de se deitar para dormir, ela pode realmente piorar o sono”.

EQ/SO

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