Estratégias para aumentar a adesão terapêutica no doente geriátrico
Presidente da Direção da Associação Nacional de Farmácias

Estratégias para aumentar a adesão terapêutica no doente geriátrico

Aumentar a adesão à terapêutica tem um impacto importante nos resultados em saúde, sendo determinante para a eficiente concretização do investimento que se efetua anualmente em medicamentos. O desenvolvimento de serviços com potencial para contribuir positivamente para a adesão à terapêutica permitirá promover a sustentabilidade dos sistemas de saúde, contribuindo paralelamente para uma melhor qualidade de vida do cidadão.

Neste contexto, e com base na premissa de que a adesão à terapêutica é influenciada simultaneamente por vários fatores (sociais e económicos, do próprio indivíduo, relacionados com o sistema de saúde e relacionados com as características da doença e/ou com a terapêutica), a OMS recomenda que as intervenções sejam específicas para cada pessoa, que sejam contínuas, que envolvam o próprio, a família e a comunidade e que sejam multidisciplinares.

Todos os profissionais de saúde envolvidos no circuito do medicamento e dos cuidados de saúde em geral são relevantes no processo da promoção da adesão à terapêutica, sendo fundamental o envolvimento da própria pessoa no processo. Não existe um só profissional de saúde ou uma só intervenção que possa ser universalmente aplicada com sucesso. Existe, no entanto, ampla evidência científica sobre intervenções levadas a cabo por vários profissionais de saúde, em vários locais de prestação de cuidados, que têm potencialmente um impacto positivo na adesão à terapêutica.

Estas intervenções incluem:

  • Identificação de pessoas com maior risco de incumprimento do regime terapêutico, através da identificação de fatores que contribuem para a não adesão à terapêutica. Estas pessoas poderão ser sinalizadas no sistema informático para posterior acompanhamento;
  • Aconselhamento aquando da primeira dispensa, contribuindo para um pleno conhecimento dos objetivos de cada medicamento e da sua toma correta. Este serviço (New Medicine Service) já se encontra em vigor no Reino Unido desde 2011 e o seu custo-benefício foi avaliado de forma independente pela Universidade de Nottingham;
  • Programas de Adesão à Terapêutica, desenvolvidos com o objetivo de promover a toma dos medicamentos de acordo com a prescrição, de forma a atingir o melhor resultado terapêutico possível, contribuindo para a diminuição do desperdício e racionalização de custos. Estes programas deverão promover a identificação das causas da não adesão e devem ser customizados a cada pessoa, de acordo com as suas necessidades. Intervenções, como o envio de alertas de refill, podem ser programados nos sistemas informáticos, de forma a promover a continuidade da terapêutica. A Preparação Individualizada da Medicação, que distribui os medicamentos pelas tomas do dia e da semana, também tem resultados positivos, particularmente na população polimedicada e/ou geriátrica;
  • Reconciliação Terapêutica, que consiste na identificação da lista de todos os medicamentos que uma pessoa está a tomar e que deve tomar – incluindo o nome, dosagem, frequência, via, finalidade e a duração – e usar essa lista para dispensar/prescrever medicamentos às pessoas em qualquer ponto do sistema de saúde. Este processo, que deve ocorrer tanto a nível hospitalar (nomeadamente nas transições entre níveis de cuidados de saúde) como a nível comunitário, visa também aumentar a segurança da pessoa, diminuindo as ocorrências de duplicações da terapêutica, mas também promovendo um maior conhecimento sobre a terapêutica por parte do cidadão.

É importante realçar mais uma vez que a adesão à terapêutica é também resultado das crenças de cada pessoa, pelo que cada abordagem deverá ser personalizada. Envolver as pessoas com doença e seus cuidadores e ouvir as suas preocupações e expectativas contribuirá para alcançar os resultados desejados do tratamento.

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