8 Abr, 2021

Especialistas alertam que centros públicos de PMA estão a “trabalhar no limite”

Para o presidente da Sociedade de Medicina de Reprodução, só será possível aumentar a capacidade de resposta se houver investimento em recursos humanos, espaços físicos e equipamentos.

Os centros públicos de procriação medicamente assistida estão “a trabalhar no limite” das suas capacidades”, alertou a Sociedade Portuguesa de Medicina de Reprodução (SPMR), defendendo que só um “investimento integrado” possibilitará um aumento da sua capacidade de resposta.

“Os centros de PMA, nomeadamente os do Serviço Nacional de Saúde, estão a trabalhar no limite das suas capacidades do ponto de vista da logística, dos espaços, dos equipamentos e dos recursos humanos”, afirmou o presidente da SPMR na Comissão de Saúde, onde foi ouvido a pedido do PCP sobre os atrasos no acesso aos tratamentos de PMA e as medidas para os recuperar.

Para Pedro Xavier, só será possível aumentar a capacidade de resposta dos centros públicos se houver um investimento integrado em recursos humanos, em espaços físicos e nos equipamentos.

“Nós não podemos falar em contratar pessoas se não tivermos espaço e não podemos falar em alargar os espaços se não contratarmos pessoas”, disse o ginecologista-obstetra.

A Organização Mundial de Saúde diz que devem ser feitos cerca de 1.500 tratamentos de PMA por milhão de habitantes, ou seja, em Portugal deviam estar a ser realizados 15 mil. Contudo, em 2019, o SNS fez cerca de 3.300 tratamentos.

“É preciso olhar para este problema e dizer se temos vontade de o resolver ou não. Se temos vontade de o resolver só há um caminho é investir e o investimento tem que ser integrado”, reiterou.

E os números desse investimento existem: “nós sabemos que para aumentar o número de tratamentos por cada 150 tratamentos a mais é preciso mais um embriologista e mais um médico e, portanto, as contas são muito fáceis de fazer”.

“A pandemia realmente agravou o problema das listas de espera, da acessibilidade, mas é um problema que se arrasta há muitos anos” e que se agrava “a cada ano que passa”, disse, considerando que é uma questão crítica “não só para a saúde dos casais e dos beneficiários que procuram os tratamentos, mas até do ponto de vista social para o país”.

Também ouvida por videoconferência na Comissão de Saúde, a presidente da Associação Portuguesa da Fertilidade, Cláudia Vieira, partilhou as preocupações de Pedro Xavier, afirmando que as dificuldades de acesso a técnicas de PMA já existiam muito antes da pandemia, “não só pela limitação da resposta dos vários centros públicos, mas também muito decorrente da saída de alguns profissionais”.

“Estes profissionais são essenciais para manter estes centros a trabalhar de uma forma regular, mas têm sido desviados para o setor privado”, lamentou, defendendo que é preciso dar-lhes “melhores condições de trabalho” para “os cativar e reter”, uma vez que também houve um investimento na sua formação e preparação”.

“Mesmo que haja o alargamento dos centros públicos, estes só podem funcionar e só terão capacidade para o fazer se tiverem os profissionais necessários para operar com todas as condições necessárias”, advertiu, considerando que o setor privado não deverá ser “a alternativa como resposta a uma ineficácia do Serviço Nacional de Saúde”.

A associação tem sido contactada devido aos impactos da pandemia de covid-19 que parou os tratamentos de PMA.

“Entretanto, houve uma retoma do privado e não se percebe porque é que o público demorou tanto tempo, teve tanta inércia, para os retomar”, lamentou Cláudia Vieira.

LUSA

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