18 Nov, 2022

Especialista brasileira defende maior aposta na Oncologia Geriátrica

Lissandra Dal Lago, oncologista médica e diretora da Unidade de OncoGeriatria do Instituto Jules Bordet, em Bruxelas, alerta para particularidades dos idosos com cancro.

O SaúdeOnline está a acompanhar a par e passo o 19º Congresso Nacional de Oncologia, que decorre até sexta-feira, dia 18, na Alfândega do Porto.

“O doente geriátrico não pode ser tratado em Oncologia sem uma avaliação geriátrica global (AGG); é praticar uma má medicina”. As palavras são de Lissandra Dal Lago que foi oradora na mesa “Particularidades do Doente Idoso”, que decorreu esta manhã.

Para a especialista, “todos os oncologistas devem ter conhecimentos de Geriatria”, ou seja, sobre as particularidades fisiológicas dos mais idosos. A médica lembra que à medida que se envelhece, perde-se naturalmente reserva fisiológica, por mais saudável que se possa ser. “Esse declínio natural nem sempre é percetível, podendo ser desencadeado apenas por um fator stressante, como, por exemplo, a quimioterapia.”

“O oncologista nunca se deve esquecer destas particularidades”, enfatizou. Nesse âmbito, alertou mesmo para a possibilidade de sobretratamento. “Face ao desenvolvimento de novos fármacos, corre-se o risco de não se pensar no benefício absoluto, que é diferente do de um jovem.”

Lissandra Dal Lago sublinhou que “a Oncologia Geriátrica pode ajudar a dotar os profissionais de ferramentas para a prática clínica”, que permitem, em equipa multidisciplinar, decidir qual o melhor tratamento. Uma das mais importantes, e validade por estudos internacionais, é a AGG. Em suma, permite ter uma noção mais exata do estado global do doente, quer do ponto de vista fisiológico, como neuropsicológico, social, familiar.

É também uma ajuda importante para definir o grau de fragilidade de cada paciente. “É muito complexo avaliar essa fragilidade, que não depende apenas da idade.”

A oncologista chamou a atenção também para a necessidade de se olhar para diferentes scores, nomeadamente, de medição da toxicidade. “Por exemplo, no caso do cancro da mama, o risco de morte está muitas vezes associado às comorbilidades e não tanto à doença oncológica.”

Lissandra Dal Lago acredita que é preciso investir cada vez mais na Oncologia Geriátrica, face ao aumento da esperança média de vida. Como justificação, apresentou alguns dados. “Perspetiva-se que o cancro da mama será daqui a uns anos mais comum na população geriátrica do que nos jovens. [Hoje], a idade média de diagnóstico é de 62 anos, sendo que 30% [deste carcinoma] surge em pessoas com mais de 70 anos.”

O cirurgião português Fernando Osório, cirurgião do Centro de Mama do Centro Hospitalar Universitário São João, também marcou presença e apresentou casos clínicos que foram alvo de discussão e de partilha de experiências.

SO

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