Dois terços das pessoas com cancro já não morrem da doença
“Todos os anos aumenta muito o número de cancros, mas as pessoas que morrem por cancro não têm aumentado. Isto significa que melhoramos, todos os anos, a taxa de controlo”, explicou o patologista Sobrinho Simões.

Dois terços das pessoas que desenvolvem cancro já não morrem da doença, mas não existe nem existirá uma vacina contra o cancro, pelo que a aposta deve continuar a ser feita no rastreio, na prevenção, no controlo e na informação, afirmou o investigador Manuel Sobrinho Simões.
Em declarações à agência Lusa, a propósito da quinta edição do ciclo “Tratar o Cancro por Tu”, o diretor do IPATIMUP – Instituto de Patologia e Imunologia Molecular da Universidade do Porto sublinhou que, apesar do aumento anual do número de casos de cancro em todo o mundo, a mortalidade não tem acompanhado essa tendência.
“Todos os anos aumenta muito o número de cancros, mas as pessoas que morrem por cancro não têm aumentado. Isto significa que melhoramos, todos os anos, a taxa de controlo”, explicou o patologista, distinguindo entre cura e controlo da doença. “Não podemos falar em cura, mas falamos em controlo, e isso é muito importante.”
Sobrinho Simões rejeitou a ideia de uma futura “cura do cancro” ou de uma vacina universal, sublinhando que cada doente e cada tipo de cancro têm características próprias. “O que vai aparecer são cada vez mais situações que conseguimos controlar. Não é a mesma coisa do que uma vacina”, afirmou.
O investigador defendeu ainda que o esforço da comunidade científica passa por tornar os cidadãos mais conscientes da doença e do papel que podem desempenhar, nomeadamente através de mudanças no estilo de vida, como a alimentação, com o objetivo de transformar o cancro, sempre que possível, numa doença crónica.
Apesar de a palavra cancro continuar a ter “uma ressonância muito assustadora” em Portugal, Sobrinho Simões destacou os progressos em áreas concretas, como o cancro da mama, onde cerca de 70% das pessoas já não morrem da doença.
No âmbito do ciclo, pretende-se esclarecer que muitas doenças designadas genericamente por cancro podem ser tratadas, curadas ou controladas ao longo do tempo. Ainda assim, o investigador alertou que apenas cerca de 40% dos casos podem ser antecipados através do rastreio, embora também nos restantes 60% se registem avanços significativos no controlo da doença.
Sublinhou igualmente que a maioria dos cancros não é hereditária. “É uma doença genética, porque envolve alterações genéticas nas células, mas em 90% dos casos essas alterações não são herdadas dos pais”, explicou, apontando o tabaco como exemplo de um fator de risco que induz mutações genéticas, mas não transmissíveis.
Com 24 sessões já realizadas, que envolveram mais de 3.500 participantes em 15 cidades, o IPATIMUP dá agora início a uma nova edição de “Tratar o Cancro por Tu”, centrada na prevenção, deteção precoce e tratamento do cancro. O ciclo arranca na terça-feira, em Matosinhos, e prolonga-se até 12 de março, passando ainda pela Guarda, Évora, Viana do Castelo, Guimarães e Angra do Heroísmo.
A sessão inaugural conta com a presença da diretora da Agência Internacional de Investigação sobre o Cancro (IARC), Elisabete Weiderpass, que alerta para os desafios que a Europa continua a enfrentar no surgimento de novos casos. Segundo a responsável, falar com os cidadãos “com clareza, empatia e verdade” é essencial para quebrar tabus e reforçar a prevenção e o controlo da doença.
SO/LUSA
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