Disfunção erétil vai além da vida sexual, alerta médica de família
Ignorar os sintomas de disfunção erétil poderá ter consequências que vão além da vida sexual. O alerta é de Joana Matos Branco, médica de família, que considera ser essencial falar sobre o tema para quebrar tabu sobre uma patologia que, estima-se, afete até 50% dos homens em Portugal.

“A disfunção erétil pode estar associada a problemas psicológicos, ou, na maioria dos casos, pode ter uma origem física, muitas vezes relacionada com doenças crónicas, como as doenças cardiovasculares, aterosclerose, diabetes, obesidade e hipertensão arterial, sendo o primeiro sinal destas condições”, explica Joana Matos Branco.
Ainda que, de acordo com a médica de família, se trate de “uma doença benigna”, ignorar os seus sinais pode ter consequências que vão além da vida sexual, já que tem “impacto a nível emocional e psicológico (ansiedade, depressão, baixa autoestima) e cria problemas no relacionamento conjugal”. Além disso, ao evitar o tratamento, o doente pode estar a negligenciar problemas de saúde mais graves.
“Muitos homens sentem ainda vergonha de falar sobre o assunto, dominados por preconceitos sociais e culturais, alimentados pelo medo de ver questionada a sua masculinidade, pela vergonha de falar com o/a parceiro(a) ou com o médico, pela falta de informação acessível e cientificamente comprovada e pela crença errada de que é apenas uma consequência natural do envelhecimento ou sinal de fraqueza”. Mas este sentimento deve ser combatido, já que, com salienta a especialista, “falar abertamente sobre disfunção erétil é o primeiro passo para resolver o problema”. “O silêncio só prolonga o desconforto e impede o acesso às soluções eficazes que já existem hoje”, acrescenta.
Joana Matos Branco refere, ainda, que a doença afeta, sobretudo, homens a partir dos 40 anos, mas não é exclusiva dessa idade, estimando-se que seja uma realidade em até 30% dos homens com menos de 40 anos. “Ter disfunção erétil não significa falta de desejo sexual; a condição refere-se à dificuldade em obter ou manter uma ereção, mas o desejo sexual pode continuar presente”, esclarece a médica, que alerta ainda para o risco dos tratamentos “naturais”, que “nem sempre são seguros”.
“Os produtos não controlados, que muitas vezes se vendem na internet, podem ser perigosos, especialmente se combinados com medicamentos para doenças crónicas, como diabetes ou problemas cardíacos. Podem ocorrer interações graves e, por isso, é essencial falar com um profissional de saúde antes de usar qualquer produto alternativo.”
Maria João Garcia
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