16 Jul, 2020

Covid-19: Portugal não aguenta novo confinamento

António Costa receia agravamento da situação durante o inverno e sublinha a necessidade de o país começar a preparar-se "para o pior", evitando novo confinamento. PR pede que não descure atual surto.

A advertência surge na sequência de o primeiro-ministro considerar que Portugal não aguenta um novo confinamento geral. “Não podemos voltar a repetir o confinamento que tivemos de impor durante o período do estado de emergência e nas semanas seguintes, porque a sociedade, as famílias e as pessoas não suportarão passar de novo pelo mesmo”, afirmou ontem na apresentação do programa Simplex’20-21.

A segunda vaga, embora não seja um dado adquirido, é uma possibilidade que o primeiro-ministro teme. Assim, António Costa acredita que é preferível começar a trabalhar já e criar as adaptações necessárias e possíveis durante este “tempo curtíssimo” para “assegurar a continuidade do funcionamento da sociedade, designadamente das escolas, das empresas e dos serviços de administração pública, mesmo numa condição tão ou mais adversa como aquela que se viveu em março”.

“Nada nos dizendo a ciência, só sabemos que a nossa intuição nos diz que no inverno há habitualmente menor imunidade. Não é por acaso que no inverno há mais doentes do que no verão; há mais gripes do que no verão. Devemos desejar o melhor, mas temos de nos preparar para o pior com o que já sabemos hoje”, referiu.

 

Presidente da República concorda com António Costa, mas pede que não se descuide surto atual

 

Em resposta às declarações do primeiro-ministro, o Presidente da República lembrou ontem que Portugal, embora se deva preparar para a eventualidade de um novo surto, ainda está a atravessar a primeira vaga, com “mais de 300 contaminados por di”a. “Não podemos deixar de ter os pés na terra e de ter cuidado com esta onda que existe, ainda não desapareceu. Estabilizou, mas existe”, explicou durante uma audiência ao Conselho Nacional de Juventude, nos jardins do Palácio de Belém.

Relativamente à necessidade de evitar um novo confinamento, Marcelo Rebelo de Sousa concordou com com o primeiro-ministro. “Será muito difícil voltar a repetir o confinamento. Portanto, tem de se encontrar fórmulas de antecipar e de substituir uma solução radical, prevenindo essa segunda onda”, elaborou, acrescentado que o “ideal é não voltar a recorrer a um confinamento similar em circunstância idêntica”.

 

Direção-Geral da Saúde prepara medidas mais dirigidas para o inverno

 

Já hoje, na conferência de imprensa de apresentação do boletim diário relativo à COVID-19, a diretora-geral da Saúde admitiu que a segunda onda pode vir a acontecer, olhando para aquilo que está a acontecer na Austrália, país que tem servido de orientação para Portugal no respeitante a doenças respiratórias. Perante este cenário, Graça Freitas esclarece, contudo, que não se prevê um confinamento geral e prolongado, mas sim intervenções “dirigidas e cirúrgicas”, dando preferência a uma atuação a nível “micro”.

A Direção-Geral da saúde está a preparar um plano para o inverno, a ser apresentado em breve.

LUSA/JN

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