11 Jan, 2021

Contágios podem demorar sete semanas a regressar aos níveis de dezembro

Equipa de investigadores alerta que, mesmo com confinamento semelhante ao de março, nível de contágios vai demorar a baixar. Casos diários duplicam a cada oito dias.

Mesmo com um cenário cada vez mais certo de confinamento geral (que deverá entrar em vigor a partir de quinta-feira), os contágios podem demorar sete semanas a regressar aos níveis que se registavam antes do Natal e do Ano Novo, estima Carlos Antunes, investigador da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa (FCUL), em declarações ao jornal i.

Nas últimos duas semanas, o número de contágios acelerou de forma significativa. Neste momento, estima-se que os novos casos dupliquem a cada oito dia e não a cada 13 dias, como calculava, no início da semana passada a FCUL. Os investigadores da FCUL apontam agora para uma média diária de 11 500 infeções/dia, valores que tendem a aumentar até e que só devem começar a estabilizar alguns dias depois do inicio do confinamento geral (em moldes muito semelhantes ao de março e abril).

Ainda assim, os números calculados até aqui apontam para uma taxa de crescimento de casos de cerca de 9% ao dia, superior a qualquer outro momento da pandemia. Assim, a equipa de investigadores (onde se inclui também o epidemiologista Manuel Carmo Gomes) usa o histórico do primeiro confinamento para calcular o tempo necessário para que a situação epidemiológico volte ao ponto pré-Natal. “Levámos oito a dez dias a começar a achatar a curva e depois levámos três semanas a reduzir para metade dos casos. Se desacelerarmos agora, chegaremos a uma média diária de 14 a 15 mil casos, precisaremos de duas a três semanas para reduzir a metade e mais um período para reduzir novamente a metade“, diz Carlos Antunes.

Portugal registava este domingo uma incidência a nível nacional 865 casos por 100 mil habitantes.

TC/SO

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