18 Abr, 2018

Cerca de 16 mil enfermeiros despedidos no Zimbabué

O Governo do Zimbabué, país que celebra hoje o dia da independência, despediu cerca de 16 mil enfermeiros que estão em greve, de acordo com a imprensa local.

O anúncio do despedimento coletivo foi feito em comunicado pelo vice-presidente zimbabueano, Constantino Chiwenga, o general que liderou o golpe de força militar que obrigou, em novembro de 2017, o então presidente Robert Mugabe a resignar à chefia do Estado. No comunicado, Chiwenga acusou os enfermeiros de desrespeitarem um acordo que previa o regresso ao trabalho na passada terça-feira, um dia depois de terem iniciado a paralisação.

Segundo o vice-presidente zimbabueano, o executivo gastou 17 milhões de dólares (cerca de 14 milhões de euros) para cumprir as exigências dos grevistas, pelo que a recusa em regressar aos postos de trabalho é vista como “uma falta de arrependimento politicamente motivada”. “O Governo decidiu, para bem dos pacientes e para salvar vidas, despedir todos os enfermeiros em revê, medita com efeito imediato”, indicou Chiwenga, indicando que, para cobrir asa vagas, o executivo vai contratar novos profissionais recém-licenciados e vai pedir aos que já se reformaram para regressarem temporariamente até que a situação seja regularizada.

Em reação, o Congresso de Sindicatos do Zimbabué (ZCTU, na sigla inglesa), criticou o despedimento coletivo e denunciou que o aumento do custo de vida afetou seriamente os salários dos trabalhadores. “O Governo não fez nada para aliviar o sofrimento dos trabalhadores e dos cidadãos, pelo que as exigências de melhorias salariais são legítimas. Ao despedir os enfermeiros, o Governo de [o novo Presidente zimbabueano, Emmerson) Mnangagwa demonstra que está contra os trabalhadores”, lê-se num comunicado da central sindical. “Obrigar enfermeiros insatisfeitos a mal pagos a cuidar de cidadãos em hospitais mal equipados é pôr em perigo a vida das pessoas”, acrescentou a ZCTU.

A greve começou duas semanas após o fim de uma outra paralisação dos médicos, que durou cerca de um mês. Pelas mesmas razões dos médicos e enfermeiros, também os professores e diretores das escolas do país ameaçaram com uma greve se as reivindicações não estiverem cumpridas até ao início do terceiro trimestre, em maio.

O Zimbabué, país que acedeu à independência faz hoje precisamente 38 anos, vai realizar eleições gerais em julho, nove meses depois de Robert Mugabe ter sido forçado (a 21 de novembro de 2017) a abandonar a Presidência do país que liderou desde 1980.

LUSA/SO

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