23 Jun, 2025

Casos de hepatite A aumentam em Portugal

A DGS alertou para o aumento dos casos de hepatite A em Portugal, com 504 infeções registadas até maio, e reforçou a importância da vacinação e medidas de prevenção. Dois surtos foram identificados, afetando sobretudo adultos e crianças.

Casos de hepatite A aumentam em Portugal

Entre 1 de janeiro e 31 de maio, Portugal registou 504 casos de hepatite A, um aumento significativo na transmissão deste vírus, segundo alertou hoje a Direção-Geral da Saúde (DGS).

De acordo com a DGS, esta evolução acompanha a tendência já reportada pelo Centro Europeu de Prevenção e Controlo das Doenças (ECDC), que tem sinalizado surtos ativos noutros países europeus.

Dos casos confirmados de infeção aguda do fígado, 122 estão associados a transmissão por via sexual. Estes estão distribuídos por várias zonas do país, embora com maior concentração nas regiões de Lisboa e Vale do Tejo e na Área Metropolitana do Porto. A maioria dos infetados são homens com idades entre os 18 e os 44 anos.

Além deste cenário, as autoridades de saúde identificaram um segundo surto, com origem em condições de salubridade precárias, localizado nas regiões do Algarve, Alentejo e Lisboa e Vale do Tejo. Este tem afetado sobretudo crianças.

A hepatite A, segundo explicou a DGS, tende a ser assintomática ou ligeira em crianças com menos de cinco anos, mas nos adultos pode provocar sintomas súbitos como febre, mal-estar geral e dor abdominal, sendo a icterícia — coloração amarelada da pele e olhos — o sinal mais comum.

A infeção não evolui para doença crónica e confere imunidade vitalícia. A DGS garante que as autoridades de saúde, a nível nacional e regional, estão a acompanhar a situação de forma contínua, adotando medidas de saúde pública para conter a propagação do vírus.

Entre as estratégias em curso estão o rastreio e acompanhamento de contactos, a vacinação prévia para grupos de risco e ações de sensibilização para promoção da saúde.

A vacinação pré-exposição, destacou a DGS, é a principal forma de prevenir a infeção. Está especialmente recomendada a pessoas que vivam ou se desloquem para zonas endémicas ou com surtos ativos, a quem tenha práticas sexuais de risco acrescido e a doentes crónicos ou com condições que possam agravar a evolução da doença.

A norma nacional sobre a vacinação contra a hepatite A está a ser revista, com o objetivo de facilitar o acesso gratuito aos grupos populacionais mais vulneráveis.

Além disso, a vacina está também disponível em contexto de pós-exposição, para contactos próximos de casos confirmados. A aplicação segue os critérios nacionais em vigor e visa prevenir o surgimento de novos casos secundários.

Em articulação com organizações da sociedade civil e com os serviços de saúde sexual, a DGS tem promovido campanhas de informação e consciencialização, que estão a ser divulgadas nas suas plataformas digitais e através de aplicações móveis de encontros.

SO/Lusa

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