17 Set, 2025

Cancro da cabeça e pescoço. Diagnóstico precoce permite taxas de cura de 90%

O cancro da cabeça e pescoço continua a ser subdiagnosticado, apesar de ser o sétimo mais frequente na Europa. A campanha Make Sense, na 13.ª edição, continua a alertar para determinados sintomas, que perduram mais de três semanas, como úlceras na boca que não cicatrizam.

Cancro da cabeça e pescoço. Diagnóstico precoce permite taxas de cura de 90%

Registam-se, todos os anos, entre 2500 e 3000 novos casos de cancro da cabeça e pescoço, em Portugal. O alerta é do Grupo de Estudos de Cancro da Cabeça e Pescoço (GECCP), que coordena, a nível nacional, a campanha Make Sense, uma iniciativa internacional da European Head and Neck Society (EHNS). Na 13.ª edição da campanha, que decorre entre 15 e 20 de setembro, o objetivo mantém-se: aumentar o conhecimento sobre os sinais e sintomas da doença, reforçar a importância do diagnóstico precoce e garantir equidade no acesso aos cuidados de saúde.

De acordo com o GECCP, “mais de metade [dos casos de cancro da cabeça e pescoço] são detetados em fase avançada, o que compromete de forma significativa as hipóteses de cura e a qualidade de vida dos doentes”. O lema é “sintomas que persistem por mais de três semanas, exigem avaliação médica imediata”. Os sinais de alerta incluem úlceras na boca que não cicatrizam, rouquidão persistente, dor de garganta, dificuldade em engolir, caroços no pescoço e obstrução nasal unilateral.

Quando detetado precocemente, este tipo de cancro apresenta taxas de cura entre 80% e 90%, enquanto em estádios avançados esse valor desce para cerca de 50%.

Sob o mote “Equal Access, Equal Care: Uniting Europe Against Head and Neck Cancer”, a campanha deste ano reforça ainda a importância da prevenção, alertando para fatores de risco como o consumo de tabaco, o álcool e a infeção por HPV. A vacinação contra o HPV, sobretudo nos jovens, será um dos focos, a par da promoção da saúde oral e da redução de comportamentos de risco.

“A deteção precoce e o acesso atempado ao tratamento continuam a ser determinantes para melhorar os resultados clínicos e a qualidade de vida dos doentes. É essencial que a informação chegue a toda a população, independentemente da sua localização ou condição socioeconómica”, sublinha Ana Joaquim, presidente do GECCP.

Até dia 20 de setembro, estão a decorrer ações em várias regiões do país, estando previstas sessões de rastreio gratuitas, sessões educativas em escolas e formações para profissionais de saúde. O programa culmina a 20 de setembro, com o 15.º Simpósio Nacional do Cancro da Cabeça e do Pescoço, no IPO do Porto. No mesmo dia, às 18h00, a equipa de andebol do Futebol Clube do Porto entrará em campo com camisolas alusivas à iniciativa.

“Temos hoje melhores ferramentas para diagnosticar e tratar, mas continuamos a falhar no tempo. Só um verdadeiro esforço coletivo, entre profissionais, instituições e sociedade civil, pode inverter esta tendência”, reforça Cláudia Vieira, médica oncologista e membro da direção do GECCP.

Maria João Garcia

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