19 Abr, 2018

Bastonário dos médicos desafia ministro das Finanças a não vetar sempre gastos na Saúde

Miguel Guimarães critica a demora na abertura dos concursos dos médicos e a falta de verba para adquirir equipamento cirúrgico. Bastonário alerta também para a falta de recursos humanos no hospital de São João.

O bastonário da Ordem dos Médicos desafiou ontem o ministro das Finanças a não vetar constantemente gastos em Saúde e alertou que o hospital de S. João, no Porto, tem “falta de recursos humanos” desde que utentes podem escolher o hospital.

“É preciso que o ministro (Mário) Centeno não esteja sempre a vetar os gastos em Saúde”, declarou Miguel Guimarães, à margem de uma visita que fez hoje ao Centro Hospitalar de São João para se inteirar das condições de internamento e de realização dos tratamentos de oncologia em regime ambulatório do serviço de Pediatria.

O bastonário referiu também que os concursos médicos demoram “muito tempo” a abrir o que leva “mais de 30% dos médicos” a ficar fora do Sistema Nacional de Saúde, e diz que não existe verba específica para renovar “alguns equipamentos principais”, como material cirúrgico.

Miguel Guimarães assumiu que há também dificuldade em conseguir a qualidade das melhores práticas e que é preciso urgentemente investir na área dos equipamentos de uma forma geral em todos os hospitais do país.

“Estamos numa situação que tem de ser desbloqueada. Não podemos viver com um Orçamento do Estado para a Saúde de 5,2% do PIB e para o Serviço Nacional de Saúde concretamente, 4,8% do PIB”, declarou afirmando que os valores são “muito baixos” e “não chegam”.

Miguel Guimarães acrescentou que quando o “ministro das Finanças, o ministro Centeno, veio falar de má gestão”, deveria querer referir-se “à má gestão política”.

“É má gestão sub-orçamentar constantemente as direções dos hospitais, e os hospitais não conseguirem fazer aquilo que têm de fazer”, declarou o bastonário dando como exemplo a falta de recursos humanos – quer na área médica, na área da enfermagem, quer na área dos assistentes dos operacionais e técnicos – no Hospital de São João.

“Desde que os doentes têm liberdade de escolha sobre o hospital em que querem ser tratados, o número de doentes que passou a acorrer ao Hospital de São João (…), aumentou bastante, mas as pessoas que tratam esses doentes são as mesmas”, alertou.

Miguel Guimarães afirmou ainda que há uma “pressão excessiva” sobre os profissionais de saúde, facto que cria uma situação de “grande stresse, às vezes de depressão e de exaustão” que pode prejudicar “a segurança clínica” tantos dos doentes, como dos próprios profissionais.

Os médicos do Hospital de São João transmitiram hoje ao bastonário a necessidade de novas instalações para a pediatria, para que as crianças possam estar junto da unidade principal para facilitar as deslocações em caso de exames auxiliares de diagnóstico e também apontaram falta de profissionais, designadamente de cirurgiões pediátricos.

O bastonário da Ordem dos Médicos referiu que recebeu hoje durante a visita a informação da Administração do Hospital de São João de que neste momento aquela unidade “não tem garantias das obras, nem da Associação do Joãozinho, nem do Estado”.

O presidente do Hospital de São João admitiu na semana passada que as condições do atendimento pediátrico são “indignas” e “miseráveis”, lamentando que a verba para a construção da nova unidade ainda não tenha sido desbloqueada.

“Há um protocolo assinado, temos um projeto pronto para entrar em execução e não temos o dinheiro libertado que torne possível a execução desse projeto”, afirmou António Oliveira e Silva.

O ministro da Saúde, Adalberto Campos Fernandes, anunciou na quarta-feira que espera que a nova ala pediátrica do Hospital de São João, esteja construída “no prazo máximo de dois anos”, se não houver “nenhuma incidência no concurso público”, que arranca este ano.

“Até lá temos de cuidar da situação transitória”, acrescentou o ministro, que esteve a responder às perguntas dos deputados da Comissão de Saúde, no Parlamento.

LUSA/ SO

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