Baixas reservas de sangue adiam algumas cirurgias no Hospital Santa Maria
A escassez de reservas de sangue é habitual nesta altura do ano, mas, com mais doações, evitar-se-ia o adiamento de cirurgias. O IPST divulga, no site dador.pt, os locais onde as pessoas se podem deslocar para doar sangue, mesmo estando de férias.

Os baixos níveis das reservas de sangue, frequentes nesta época do ano, levaram o Hospital Santa Maria, em Lisboa, a adiar algumas cirurgias e a apelar à dádiva para evitar o agravamento da situação.
“As reservas de sangue estão baixas, como estão em todos os hospitais em Portugal. Isto é um problema do país. Aliás, o IPST [Instituto Português do Sangue e Transplantação] está a trazer sangue dos Açores e da Madeira, porque estamos, de facto, numa situação difícil”, disse à agência Lusa o diretor do Serviço de Imuno-Hemoterapia da ULS Santa Maria, Álvaro Beleza.
Segundo o responsável, tem sido feito um apelo aos dadores para, antes de irem para férias, doarem sangue, porque “infelizmente os doentes” e os problemas de saúde “não fazem férias”.
“O mais importante é apelar às pessoas para doarem sangue, porque, obviamente, temos que gerir as cirurgias. Ninguém fica sem sangue nas situações mais emergentes e graves – as cirurgias mais complexas -, mas estão a adiar-se algumas”, realçou.
Álvaro Beleza explicou que, no verão, as reservas de sangue ficam sempre em baixo, sendo que a situação “cada ano piora”, porque há um défice de dadores em Portugal e a nível europeu, em que existe um défice de dois milhões de dádivas.
“As pessoas, infelizmente, cada vez doam menos (…) e os dadores regulares, as associações de dadores, são gerações que estão a envelhecer, que já não podem dar sangue a partir dos 65 anos e, portanto, isto é uma luta diária para que os mais jovens venham doar sangue”, lamentou.
No Hospital Santa Maria, os principais dadores são jovens estudantes de Medicina, de Enfermagem, das áreas da saúde, da Universidade de Lisboa, entre outros, mas, disse, “estamos, de facto, com dificuldades” e “as pessoas têm que perceber que há um problema”.
Questionado pela Lusa se a situação pode piorar durante o verão, Álvaro Beleza estimou, segundo a experiência e a troca de informações entre hospitais, que “o pior” será até ao fim deste mês. Referiu, contudo, que o IPST está a fazer “uma grande campanha com as federações e as associações de dadores” e que em agosto “até poderá melhorar”.
Contactada pela Lusa, a presidente do IPST, Maria Antónia Escoval, explicou que, a partir de 15 de julho, há sempre “uma situação de maior carência de sangue” por deslocação dos dadores regulares para férias. O IPST passou a publicar semanalmente, à segunda-feira, a situação das reservas em www.dador.pt para que os dadores regulares e os de primeira vez possam inteirar-se da situação e realizar a sua dádiva de sangue.
Neste momento, como habitualmente, Lisboa e Vale do Tejo é região que necessita mais no que se refere ao 0+. O Algarve, por sua vez, “é uma região que necessita, durante todo o ano, de um reforço nas dádivas de sangue”, disse a presidente.
Quanto à situação nos hospitais, a responsável diz que, neste momento, ainda se encontra de algum modo controlada, mas faz um apelo à dádiva. “Precisamos do reforço na dádiva de sangue e pedimos a todas as pessoas, especialmente dos grupos A positivo e negativo e O positivo e negativo, que efetuem a sua dádiva de sangue. Todos os dias há cerca de 1.100 doentes nos hospitais portugueses que necessitam de sangue.”
SO/LUSA
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