23 Dez, 2021

África do Sul tem 6% de hospitalizações com a Ómicron contra 15% nas variantes anteriores

A percentagem de mortes até à data é também muito mais baixa do que em vagas de infeção anteriores, segundo o Instituto Nacional de Doenças Infeciosas do país.

A atual vaga de infeções com covid-19 na África do Sul, dominada pela variante Ómicron, mostra sinais de declínio e está a revelar uma taxa de hospitalização de apenas 5,7%, contra cerca de 15% nas três vagas anteriores.

De acordo com dados apresentados pelo Instituto Nacional de Doenças Infeciosas (NICD) da África do Sul numa conferência de imprensa virtual, a percentagem de mortes até à data é também muito mais baixa do que em vagas de infeção anteriores.

Cerca de um mês após a identificação da variante Ómicron e com as infeções a começar a abrandar, os hospitais sul-africanos confirmaram a morte de 5,6% dos doentes admitidos por infeção com o coronavírus SARS-CoV-2 nesta vaga, um número que compara com cerca de 20% nas vagas anteriores.

As taxas de hospitalização anteriores foram de 15,6% na terceira vaga (Delta), 16,2% na segunda (Beta) e 13,1% na primeira.

Estes indicadores apontam para uma menor gravidade da doença nesta vaga de infeções, mas Waasila Jassat, especialista em hospitalização no NICD, salvaguardou que a menor gravidade pode ser atribuída tanto a uma menor gravidade intrínseca da variante como a uma maior imunidade da população anterior.

Isto pode dever-se tanto às vacinas como à proteção adquirida por via de infeções anteriores (que na África do Sul ter atingido entre 60% e 70% da população, de acordo com estimativas do NICD, com uma proporção muito elevada de casos não identificados).

A este respeito, Jassat sublinhou que “são necessários mais estudos” para tirar conclusões firmes sobre a severidade da Ómicron.

“O que podemos dizer é que esta é a epidemiologia na África do Sul. A Ómicron está a comportar-se de uma forma provavelmente menos severa (…). Não é claro se este quadro será o mesmo noutros países onde existem altos níveis de vacinação mas menos infeções anteriores”, disse a especialista sul-africana Cheryl Cohen.

Das mortes ocorridas em instalações médicas, o NICD estima que cerca de 87% eram pessoas não vacinadas ou com vacinação incompleta.

A trajetória da quarta vaga de infeções na África do Sul começa a dar sinais de declínio, embora ainda tímidos a nível nacional, mas já claros na província de Gauteng (onde se localizam Joanesburgo e Pretória), onde foi inicialmente detetada há cerca de um mês.

Noutras províncias da África do Sul, o número médio de novos casos continua a aumentar, mas em muitos casos está também a abrandar em comparação com os aumentos exponenciais observados no início da onda.

Os dados são “encorajadores” e otimistas, segundo Michelle Groome, que admitiu que este declínio pode também ser devido ao início das férias de Verão, que reduziu a percentagem de pessoas a fazer testes.

A África do Sul, com 3,3 milhões de casos até à data e cerca de 90.500 mortes, continua a ser o país mais afetado pela pandemia no continente africano.

O progresso na vacinação é lento e apenas 26% da população está totalmente vacinada.

LUSA

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