3 Set, 2018

Depois de seis anos em queda, taxa de cesarianas voltou a aumentar em 2017

O aumento ligeiro registado no ano passado nos hospitais públicos foi potenciado pelo protesto dos enfermeiros obstetras e pela falta de médicos na urgências de obstetricia. Quase um terço das unidades do SNS podem ser penalizadas por excesso de cesarianas,

Depois de seis anos em queda, taxa de cesarianas voltou a aumentar em 2017

A taxa de partos realizados com recurso a cesariana aumentou no ano passado, depois de ter registado quedas consecutivas desde 2010, adianta o jornal Público. Os dados referentes a 2017 revelam um inversão de tendência, ainda que ligeira, com a taxa a subir 0,32% em relação a 2016.

A taxa de cesariana foi diminuindo gradualmente nos últimos seis anos nos hospitais públicos, passando de um valor superior a 32% em 2010 para 27,34% em 2016. No ano passado aumentou ligeiramente para 27,66%. Embora nos hospitais privados a taxa seja muito superior (chega a ser o dobro), esta tendência de subida nas unidades do SNS pode levar o Ministério da Saúde a aplicar penalizações aos hospitais públicos que não cumpram os limites estabelecidos para a taxa de cesarianas.

Isto porque, segundo as normas do SNS para 2018, os hospitais que ultrapassem os 29,5% ou 31,5% (a taxa máxima varia consoante o grau de diferenciação) são penalizados financeiramente, com o ministério a deixar de comparticipar os internamentos que excedam os máximos previstos. Como escrevia o Saúde Online em junho, 11 dos 37 hospitais que têm salas de parto excederam o limite de cesarianas em 2017.

Entre os fatores que podem ter levado ao ligeiro aumento registado em 2017 estão a greve dos enfermeiros especialistas em saúde materna e obstétrica no verão do ano passado. Durante o protesto, que durou quase dois meses, os profissionais recusaram-se a fazer vigilância de grávias e partos. Ao Público, o enfermeiro Bruno Dias – que na altura liderava o movimento em defesa da atribuição de um suplemento a estes enfermeiros (concedido já este ano pelo Ministério da Saúde) – refere que durante o protesto registou-se um aumento “de partos instrumentais (com recurso a ventosas e fórceps) e de partos por cesariana”.

Outro problema prende-se com a falta de médicos nas urgências de obstetrícia em muitos hospitais, o que, na opinião de João Bernardes (Presidente do Colégio da Especialidade de Ginecologia e Obstetrícia da Ordem dos Médicos), pode levar os profissionais “a actuarem mais cedo em vez de esperarem até à última” para avançarem para a cirurgia. O facto de as mulheres terem filhos cada vez mais tarde também potencia mais complicações durante a gravidez, o que aumenta a probabilidade de o parto ser feito com recurso a cesariana.

Saúde Online

ler mais

Partilhe nas redes sociais:

ler mais