Ordem considera “passo histórico” vigilância da grávidas de baixo risco por enfermeiros especialistas
Para a Ordem dos Enfermeiros, incluir os enfermeiros no acompanhamento de grávidas de baixo risco constitui “um reconhecimento das qualificações e da autonomia técnico-científica dos enfermeiros especialistas”, cuja “formação lhes permite acompanhar a gravidez fisiológica, identificar precocemente sinais de risco e assegurar a referenciação para outros profissionais, sempre que a situação clínica o justifique”.

A Ordem dos Enfermeiros (OE) considerou que é um “passo histórico” para a enfermagem portuguesa a aprovação do modelo de vigilância da grávidas de baixo risco por enfermeiros especialistas, defendendo que permitirá melhorar o acesso.
Em declarações à agência Lusa, o bastonário da OE, Luís Filipe Barreira, destacou a importância da publicação, hoje, em Diário da República, do despacho normativo que define as regras de implementação deste projeto nos cuidados de saúde primários, sublinhando que vai ao encontro da posição que a Ordem tem vindo a defender. “Eu diria mesmo que estamos perante um passo histórico para a enfermagem portuguesa e, sobretudo, uma decisão que pode fazer a diferença na vida das mulheres e das famílias que hoje não têm qualquer tipo de acompanhamento”, salientou.
Luís Filipe Barreira realçou “a coragem política” da ministra da Saúde, Ana Paula Martins, de avançar com uma mudança que “a Ordem dos Enfermeiros há muito defende e de aproveitar plenamente as competências dos enfermeiros especialistas nesta área da saúde materna e obstétrica”. Segundo o bastonário, o objetivo foi sempre o de melhorar o acesso das grávidas aos cuidados e em tempo útil: “Isto significa conseguir uma consulta atempadamente, ter um acompanhamento regular e saber, acima de tudo, a quem é que podem recorrer quando surge uma dúvida ou uma preocupação”.
“Estamos particularmente satisfeitos, porque esta decisão permitirá dar uma resposta concreta a mulheres que hoje passam semanas ou meses de gravidez sem qualquer acompanhamento. Não podemos aceitar que isso continue a acontecer, quando temos enfermeiros especialistas com formação e competências para assegurar essa vigilância”, sustentou.
O regulamento estabelece que os enfermeiros especialistas em Enfermagem de Saúde Materna e Obstétrica possam assegurar, desde a primeira consulta, a vigilância programada das grávidas de baixo risco, em articulação com os médicos de Medicina Geral e Familiar e os serviços hospitalares de Obstetrícia. Entre as competências previstas para os enfermeiros especialistas encontram-se a vigilância programada da gravidez de baixo risco, a avaliação e reavaliação do risco gestacional e a ativação dos protocolos assistenciais definidos, incluindo a requisição de exames complementares de diagnóstico, rastreios, suplementação, vacinação, imunoprofilaxia e certificados de gravidez, nos termos estabelecidos no regulamento.
Para a Ordem dos Enfermeiros, esta decisão constitui também “um reconhecimento das qualificações e da autonomia técnico-científica dos enfermeiros especialistas”, cuja “formação lhes permite acompanhar a gravidez fisiológica, identificar precocemente sinais de risco e assegurar a referenciação para outros profissionais, sempre que a situação clínica o justifique”.
O bastonário anunciou que a Ordem dos Enfermeiros irá criar uma comissão de acompanhamento para monitorização e apoio aos enfermeiros especialistas. “Esta medida pretende garantir que a aplicação do regulamento seja acompanhada das condições necessárias ao seu funcionamento, nomeadamente a disponibilização de enfermeiros especialistas, a adaptação dos sistemas de informação e a definição de circuitos de articulação entre os cuidados de saúde primários e hospitalares, refere a OE em comunicado.
O novo modelo será implementado nas Unidades Locais de Saúde que o adotem, estando prevista a avaliação dos seus resultados ao fim de 12 meses. Para a Ordem, é fundamental que a implementação avance com celeridade, para que esta decisão se traduza em mais consultas, maior proximidade dos cuidados e melhores condições de acompanhamento das grávidas. “O verdadeiro alcance desta medida será avaliado pelo número de mulheres que vão passar a ter acesso a cuidados de saúde”, conclui o bastonário.
SO/LUSA
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