17 Jun, 2026

Gilead, GeSIDA e APECS desenvolvem primeiros algoritmos clínicos para melhorar cuidados em VIH na população migrante e em quem pratica chemsex

Estes algoritmos procuram dar resposta às necessidades de duas populações com necessidades médicas ainda não satisfeitas na área de VIH, para os quais continuam a não existir protocolos homogéneos de abordagem em Espanha e Portugal.

Gilead, GeSIDA e APECS desenvolvem primeiros algoritmos clínicos para melhorar cuidados em VIH na população migrante e em quem pratica chemsex

O Grupo de Estudo da SIDA (GeSIDA) e a Associação Portuguesa para o Estudo Clínico da SIDA (APECS), com a colaboração da Gilead Sciences, impulsionaram o desenvolvimento dos primeiros algoritmos para otimizar a identificação e a abordagem clínica de pessoas migrantes com VIH e de pessoas com VIH que praticam chemsex, promovendo uma resposta multidisciplinar e adaptada às necessidades específicas destas populações em Espanha e Portugal.

Esses algoritmos foram criados para dar uma resposta prática e abrangente a desafios assistenciais para os quais ainda não existem protocolos homogéneos nos dois países, traduzindo para a prática clínica recomendações concretas e implementáveis a diferentes níveis, orientadas para melhorar o acesso aos cuidados de saúde, a continuidade assistencial, a adesão ao tratamento e a saúde a longo prazo.

Estas linhas estratégicas inscrevem-se no âmbito do MOVIHMENTO AHORA, uma iniciativa da GeSIDA e da Gilead, que conta com o apoio da Associação RIS, CESIDA e SEISIDA, que promove uma evolução na abordagem da infeção por VIH, colocando o foco na forma de acompanhar as pessoas com o vírus ao longo da sua vida e na importância de escolher estratégias terapêuticas capazes de manter a sua cobertura de forma sustentada1.

Nas palavras de Marisa Álvarez, Medical Affairs Director da Gilead Sciences para Espanha e Portugal, “na Gilead, acreditamos que a abordagem ao VIH deve integrar uma visão global e centrada na pessoa, que enquadre a sua saúde sob diferentes perspetivas e ao longo das várias fases da sua vida. Com o MOVIHMENTO AHORA, damos mais um passo nesse compromisso, apoiando as estratégias de cuidados que tenham em conta a complexidade real da vida das pessoas com VIH, especialmente aquelas com necessidades médicas importantes não atendidas, e que contribuam para proteger a sua saúde hoje e a longo prazo. Porque a vida é TUDO, menos simples.”

Sobre esta iniciativa, a GeSIDA destacou a importância da colaboração multidisciplinar entre as equipas de Espanha e Portugal para o desenvolvimento de soluções adaptadas aos desafios atuais do tratamento da infeção por VIH. “Na GeSIDA, acreditamos que partilhar perspetivas diversas face a desafios comuns é fundamental para enriquecer as abordagens e avançar no sentido de respostas mais eficazes e centradas nas pessoas”, refere a María Velasco, infeciologista do Hospital de Alcorcón e Presidente da GeSIDA.

Por seu lado, Fernando Maltez, presidente da APECS e infeciologista na Unidade Local de Saúde São José, em Lisboa, apoia esta visão e destaca o valor de estratégias colaborativas para uma prestação de cuidados mais eficaz. “A colaboração entre as nossas sociedades é fundamental para promover uma intervenção mais uniforme, eficaz e produtiva, especialmente em áreas como a prevenção, o diagnóstico e o tratamento da infeção por VIH nas nossas populações”, destaca.

Um primeiro passo para avançar rumo a cuidados mais personalizados

Os algoritmos resultam do trabalho conjunto de equipas multidisciplinares de Espanha e Portugal, coordenadas por María Velasco, infeciologista no Hospital de Alcorcón e presidente da GeSIDA, e María Martínez, infeciologista no Hospital Clínic de Barcelona. Com base no consenso e na integração das perspetivas de profissionais de infeciologia, psiquiatria, enfermagem, psicologia e representantes da comunidade, estes algoritmos pretendem transferir para a prática clínica recomendações concretas e aplicáveis, de acordo com os recursos disponíveis em cada contexto.

No caso da população migrante, o algoritmo aborda áreas-chave, como o acesso ao sistema, a avaliação inicial e a retenção nos cuidados, dando prioridade à eliminação de barreiras, à flexibilidade organizacional e à adaptação à heterogeneidade e vulnerabilidade destas pessoas. Os cuidados clínicos da infeção por VIH e outras infeções centram–se numa história clínica completa, no início ou reinício rápido do tratamento antirretroviral, no controlo virológico precoce e na prevenção de coinfeções, como as da hepatite B e C, e de patologias importadas. Além disso, a abordagem prevê uma avaliação proativa e contínua da saúde mental, do impacto da jornada migratória e do estatuto de migrante, bem como do estigma, facilitando o acesso a recursos comunitários, sociais e jurídicos. Tudo isto, através de uma comunicação eficaz e culturalmente sensível, apoiada por mediadores-intérpretes, materiais adaptados e um ambiente seguro que promova a confiança e, consequentemente, a continuidade dos cuidados.

Por seu lado, as recomendações do algoritmo centrado nas pessoas que praticam chemsex estruturam-se em quatro eixos complementares: uma identificação proativa e sensível do chemsex, incorporando perguntas de rastreio e uma linguagem acessível que facilite a deteção precoce; um tratamento clínico adequado do VIH e das IST, orientado para reforçar a adesão ao tratamento antirretroviral, manter o controlo da carga viral e prevenir o aparecimento de resistências, considerando possíveis interações com as substâncias recreativas utilizadas no chemsex e as dificuldades associadas a estas práticas; uma abordagem integral das comorbidades e dos aspetos psicossociais, que contemple de forma sistemática a saúde mental e sexual, com o objetivo de oferecer uma atenção mais global e coordenada; e um apoio inicial e acompanhamento contínuo, centrado na pessoa, isento de julgamentos e baseado numa entrevista motivacional, que facilite a ligação sustentada aos recursos de saúde, comunitários e psicossociais disponíveis.

Este trabalho concretizou-se em dois trípticos que servirão de base para a divulgação inicial das recomendações através de diversos canais científicos e profissionais. Esses materiais incluem também um repositório digital de recursos e ferramentas de interesse tanto para os profissionais de saúde como para as pessoas com VIH e estão disponíveis nos sites de cada uma das sociedades.

Com eles, o projeto MOVIHMENTO AHORA continua a dar passos para consolidar um modelo de cuidados mais equitativo e sensível à complexidade real da vida das pessoas com VIH, com o objetivo comum de proteger o seu bem-estar hoje e no futuro.

COMUNICADO

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