Médicos do trabalho criticam exclusão de grupo que prepara lei da saúde laboral
A Associação Nacional dos Médicos de Medicina do Trabalho alerta para a ausência de especialistas no grupo que está a preparar a nova lei da segurança e saúde no trabalho. A estrutura defende que não faz sentido legislar a área sem a participação dos médicos do trabalho.

A recém-criada Associação Nacional dos Médicos de Medicina do Trabalho (ANaMeT) criticou a exclusão dos especialistas da área do grupo de trabalho responsável pela redação da nova lei geral da segurança e saúde no trabalho.
Em comunicado enviado à Lusa, a associação, criada em fevereiro deste ano, refere ter solicitado formalmente ao secretário de Estado Adjunto e do Trabalho a integração dos médicos do trabalho no grupo.
Em causa está a composição da estrutura, que inclui representantes da Autoridade para as Condições do Trabalho, da Direção-Geral do Emprego e das Relações de Trabalho, do Instituto do Emprego e Formação Profissional e do gabinete do secretário de Estado, mas não contempla especialistas da medicina do trabalho.
A ANaMeT considera “incompreensível” que esteja a ser preparada legislação sobre saúde no trabalho sem a participação dos profissionais que, por obrigação legal, asseguram a vigilância da saúde dos trabalhadores.
O presidente da associação, Mário Freitas, defende que a presença destes especialistas é essencial no processo legislativo, sublinhando que “uma lei de saúde escrita sem médicos é uma contradição nos termos”.
O responsável acrescenta que o pedido de participação não se baseia em interesses corporativos, mas sim na disponibilização de conhecimento técnico necessário para a construção de uma lei mais eficaz.
A associação refere ainda alguns dados sobre saúde ocupacional, indicando que, em Portugal, ocorre uma morte em contexto de trabalho a cada dois a três dias, na sequência de acidentes laborais.
A nível global, acrescenta, estima-se que cerca de 86% das mortes relacionadas com o trabalho resultem de doenças profissionais e não de acidentes.
A ANaMeT defende, por isso, que a prevenção e a vigilância da saúde dos trabalhadores devem ter um papel central na futura legislação, e insiste na necessidade de envolver os médicos do trabalho no processo de decisão.
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