15 Abr, 2026

Açores aprovam por unanimidade criação de rede regional de Cuidados Paliativos

A proposta para a rede de Cuidados Paliativos inclui medidas para reforçar os recursos humanos, sobretudo nas ilhas sem hospital, antecipando dificuldades na implementação.

Açores aprovam por unanimidade criação de rede regional de Cuidados Paliativos

A Assembleia Legislativa da Região Autónoma dos Açores aprovou, esta quarta-feira, por unanimidade, uma proposta do Governo Regional para a criação de uma rede de cuidados paliativos, com o objetivo de garantir “acesso equitativo” a estes cuidados em todas as ilhas.

Na apresentação do diploma, a secretária regional da Saúde, Mónica Seidi, destacou a importância destes cuidados para assegurar a dignidade dos doentes com doenças graves, crónicas ou incuráveis. “A criação desta rede é uma resposta estruturada e integrada para pessoas com doença grave, mas que também se estende às suas famílias. Os objetivos são claros: qualidade de vida, dignidade e alívio do sofrimento”, afirmou, no plenário realizado na cidade da Horta.

Segundo a governante, o diploma pretende assegurar igualdade no acesso aos Cuidados Paliativos em todo o arquipélago, independentemente da ilha de residência, e promover uma melhor articulação dos recursos existentes, evitando respostas fragmentadas. A proposta inclui medidas para reforçar os recursos humanos, sobretudo nas ilhas sem hospital, antecipando dificuldades na implementação.

Durante o debate, o deputado do Partido Socialista, José Miguel Toste, considerou que a criação da rede permitirá aprofundar o trabalho já desenvolvido, questionando o Governo sobre os prazos de implementação. Em resposta, Mónica Seidi esclareceu que o processo será “gradual e faseado”, não ocorrendo de forma imediata. Também Pedro Ferreira, da Iniciativa Liberal, saudou a iniciativa, mas defendeu o recurso ao setor privado e social quando os recursos públicos forem insuficientes.

Pelo Partido Social Democrata, a deputada Ana Jorge classificou o diploma como um “avanço estrutural”, enquanto Pedro Pinto, do CDS – Partido Popular, destacou a importância de uma base legal para uma intervenção articulada.

Já Hélia Cardoso sublinhou a necessidade de garantir igualdade de resposta entre ilhas, posição também reforçada por João Mendonça, do Partido Popular Monárquico, que alertou para a necessidade de investimento em equipas e recursos. Por sua vez, Pedro Neves, do Pessoas-Animais-Natureza, considerou a proposta uma “necessidade política evidente”, enquanto António Lima, do Bloco de Esquerda, alertou para a escassez de profissionais especializados na área.

O parlamento açoriano, presidido por Luís Garcia, integra 57 deputados de oito forças políticas: 23 do PSD, 23 do PS, cinco do Chega, dois do CDS-PP e um deputado de cada um dos restantes partidos representados — IL, BE, PAN e PPM.

SO/LUSA

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