30 Jan, 2026

Unidade da Cova da Beira celebra dois anos de procedimentos inovadores para doentes cardíacos

A Unidade de Intervenção Cardiovascular da ULS da Cova da Beira assinalou dois anos de atividade com a realização de cirurgias pioneiras no Hospital Pêro da Covilhã. Os novos procedimentos destinam-se a doentes com insuficiência cardíaca grave que não podem ser submetidos a cirurgia convencional.

Unidade da Cova da Beira celebra dois anos de procedimentos inovadores para doentes cardíacos

A Unidade de Intervenção Cardiovascular (UIC) da Unidade Local de Saúde (ULS) da Cova da Beira marcou esta quinta-feira dois anos de atividade com a realização de dois procedimentos inovadores, direcionados para o tratamento da insuficiência cardíaca em doentes sem indicação cirúrgica.

Embora o aniversário da unidade se assinale oficialmente a 1 de fevereiro, a efeméride foi antecipada com estas intervenções realizadas no Hospital Pêro da Covilhã, no distrito de Castelo Branco.

Um dos procedimentos consistiu numa intervenção à válvula mitral através da técnica MitraClip, uma abordagem minimamente invasiva utilizada no tratamento da insuficiência mitral, especialmente indicada para doentes com elevado risco cirúrgico.

O segundo procedimento recorreu ao sistema Impella, um dispositivo de assistência ventricular percutânea que permite assegurar suporte hemodinâmico temporário em doentes com disfunção cardíaca grave, aumentando a segurança durante intervenções mais complexas.

Segundo o cardiologista Marco Costa, responsável pela UIC, tratam-se de procedimentos aplicados a doentes com patologia cardíaca severa, muitos dos quais com síndromes coronários agudos, nomeadamente enfartes. Sublinhou que estas técnicas funcionam como tratamentos complementares à cirurgia, destinados a doentes que não podem ser operados.

No caso do MitraClip, explicou, trata-se de uma prótese que funciona como um clipe, unindo dois folhetos da válvula mitral que se encontram doentes e são responsáveis pela insuficiência valvular. Com esta intervenção, é possível reduzir a gravidade da insuficiência e melhorar a qualidade de vida do doente, atenuando os sintomas de insuficiência cardíaca.

O especialista destacou ainda que se trata de um procedimento muito seguro e que dispensa cirurgia convencional, sendo totalmente minimamente invasivo.

Para Marco Costa, um dos aspetos centrais do projeto é a proximidade aos doentes, evitando deslocações longas e potencialmente perigosas para outros centros hospitalares, como acontecia antes da criação deste serviço na ULS da Cova da Beira.

O balanço dos dois anos de funcionamento é positivo. De acordo com o responsável da unidade, têm sido alcançados resultados muito satisfatórios, sobretudo no âmbito da Via Verde Coronária, acrescentando que o segundo ano permitiu consolidar a experiência do centro.

Sublinhou ainda o carácter multidisciplinar do projeto, envolvendo vários serviços do hospital, desde a urgência ao serviço de cardiologia e aos cuidados intensivos, considerando que os resultados obtidos são fruto do trabalho conjunto de todas as equipas.

Além da intervenção coronária, a UIC realiza também intervenção estrutural, tanto valvular como não valvular. No primeiro ano, a atividade centrou-se sobretudo na intervenção estrutural não valvular e, agora, foi realizada a primeira intervenção valvular, descrita como um procedimento seguro, diferenciado e exigente em termos de especialização das equipas.

Também Luís Oliveira, diretor do Serviço de Cardiologia, sublinhou o impacto da criação da unidade, afirmando que a hemodinâmica trouxe uma nova dinâmica ao funcionamento do serviço e do hospital.

Referiu ainda que o serviço já recebe referenciações de doença coronária aguda e crónica, destacando o papel fundamental na resposta aos enfartes na região. Alguns doentes permanecem internados após a intervenção antes da alta, mantendo depois acompanhamento em ambulatório no hospital.

LUSA/SO

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