15 Dez, 2025

FNAM acusa Governo de falha grave que pode pôr em causa cuidados aos doentes

A Federação Nacional dos Médicos acusa o Ministério da Saúde de uma grave falha de planeamento pelo atraso na abertura do concurso para especialistas recém-formados, alertando para riscos na segurança dos doentes e para a perda de médicos para o setor privado ou estrangeiro.

FNAM acusa Governo de falha grave que pode pôr em causa cuidados aos doentes

A Federação Nacional dos Médicos (FNAM) acusou o Ministério da Saúde de uma “grave falha de planeamento” ao atrasar a abertura do concurso de colocação de médicos especialistas, alertando para o risco de estes profissionais serem perdidos para o setor privado ou para o estrangeiro.

Segundo a FNAM, cerca de 250 médicos especialistas que terminaram o internato em outubro continuam, já em dezembro, sem qualquer colocação no Serviço Nacional de Saúde (SNS), devido ao atraso na abertura do concurso de contratação, cujo prazo legal terminou há dois dias.

O atraso foi denunciado no sábado pelo Sindicato Independente dos Médicos (SIM) e hoje corroborado pela FNAM, que alerta para “consequências diretas na segurança dos doentes e no acesso aos cuidados de saúde”.

Entre os especialistas em causa, a federação destaca áreas consideradas críticas para o SNS, nomeadamente mais de 50 médicos de Medicina Geral e Familiar, mais de 30 de Medicina Interna, 16 de Obstetrícia, 12 de Psiquiatria e 11 de Pediatria.

Segundo a FNAM, estes profissionais poderiam contribuir para aliviar o encerramento de serviços de urgência e reduzir tempos de espera que, em alguns hospitais, ultrapassam as 17 horas.

A federação considera que o atraso no concurso “não tem justificação técnica ou administrativa”, classificando-o como uma falha grave de planeamento, gestão e responsabilidade política, imputável ao Ministério da Saúde, tutelado por Ana Paula Martins.

Alerta ainda para o risco de o país desperdiçar médicos altamente qualificados, formados com investimento público ao longo de mais de uma década, numa altura em que o SNS enfrenta uma das maiores crises de recursos humanos da sua história.

Para a FNAM, esta situação transmite aos jovens especialistas a mensagem de que o Estado forma médicos, reconhece a sua escassez, mas falha no cumprimento da lei e na sua contratação atempada.

“Cada dia de atraso representa médicos que o SNS perde e cuidados de saúde que deixam de ser prestados à população”, afirma a federação, que exige a abertura imediata do concurso e a assunção de responsabilidade política por parte da ministra da Saúde.

LUSA/SO

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