20 Set, 2025

Cancro do endométrio. “O sintoma que ocorre em cerca de 90% dos casos é a hemorragia vaginal anormal”

O cancro do endométrio está a aumentar e Mónica Nave alerta para o principal sintoma: hemorragia vaginal anormal. Em entrevista, a oncologista realça a importância da prevenção da obesidade, um dos principais fatores de risco deste cancro. A médica é uma das colaboradoras do novo Guia online “O que precisa de saber sobre o cancro do endométrio”, que conta com o apoio de várias entidades, como a Associação MOG – Movimento Oncológico Ginecológico.

Cancro do endométrio. “O sintoma que ocorre em cerca de 90% dos casos é a hemorragia vaginal anormal”

Hoje, 20 de setembro, assinala-se o Dia Mundial dos Cancros Ginecológicos. Qual a sua prevalência em Portugal? Tem-se registado um aumento?

Quando falamos em cancros ginecológicos, pensamos sobretudo em cancro do endométrio (ou do corpo do útero), cancro do colo do útero e cancro do ovário. São três tipos de cancro diferentes, com diferentes fatores de risco, diferentes incidências e mortalidade. A incidência de cancro do colo do útero e de cancro do ovário parecem vir a diminuir nos últimos tempos, bem como a mortalidade por estas causas; no entanto, quer a incidência quer a mortalidade por cancro do endométrio têm aumentado e as previsões são que, no futuro, esta tendência crescente continue e esta é uma das preocupações da comunidade científica dedicada a este assunto.

Foi lançado um Guia sobre cancro  do endométrio.  A quem se destina e qual o seu objetivo?

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O Guia destina-se a doentes, familiares, cuidadores ou apenas pessoas que se interessem pelo tema “Cancro do Endométrio”. O objetivo foi criar uma fonte de informação pautada pelo rigor científico, mas com conteúdo com um cariz formativo e prático, escrito em linguagem acessível para a população em geral interessada no tema, versando vários aspetos desta doença, desde dados epidemiológicos e fatores de risco até à qualidade de vida, passando pelos tratamentos mais frequentemente usados e toxicidades expectáveis

 

O cancro do endométrio é o mais frequente, com cerca de 1400 novos casos anuais, sendo o quinto tumor mais comum entre as mulheres portuguesas, segundo o último Registo Oncológico Nacional. Quais os principais fatores de risco do cancro do endométrio?

Os principais fatores de risco associados a esta doença são a idade (quanto maior, maior o risco), a exposição prolongada no tempo a estrogénios (fisiológica ou exógena) e a obesidade. Sublinhamos este último, como um fator de risco modificável, mas que tem sido, nos últimos anos, responsável por um aumento de incidência desta doença.

“… na prevenção desta doença, importa sublinhar também a importância dos cuidados de saúde primários em relação à prevenção da obesidade, fator de risco potencialmente modificável”

Quais os principais sintomas?

O sintoma que ocorre em cerca de 90% dos casos de cancro do endométrio é a hemorragia vaginal anormal, seja porque acorre após a menopausa, seja em mulheres pré-menopáusicas (embora este tipo de cancro seja menos frequente nesta população), quando a menstruação se torna mais abundante ou quando há uma perda de sangue fora do período menstrual.

Quais são os tratamentos mais adequados e qual o prognóstico?

A cirurgia constitui o tratamento mais importante na maioria dos casos de cancro do endométrio, diagnosticados em fase precoce. Muitas vezes, de acordo com determinadas características da doença, é necessário complementar a cirurgia com radioterapia, quimioterapia, imunoterapia e, em casos muito selecionados, outros tratamentos sistémicos. Em fases avançadas de doença, a cirurgia pode não ter lugar e são então os tratamentos sistémicos (que chegam a todos os locais do organismo onde possam existir células de cancro) que se tornam os protagonistas (quimioterapia, imunoterapia, hormonoterapia e outros).

O ginecologista tem um papel importante, mas muitas mulheres são acompanhadas pelo médico de família. Qual o papel dos cuidados de saúde primários?

O papel dos cuidados de saúde primário é fundamental, na medida que a marcha diagnóstica se deve iniciar perante uma suspeita clínica de cancro do endométrio, ou seja, sempre que a mulher com perda vaginal anormal se queixa ao seu médico de família com este sintoma. Mais a montante, os cuidados de saúde primários exercem também um papel fundamental na educação da população em relação à importância de valorizar sintomas como a hemorragia vaginal ou outros. Mais a montante ainda, na prevenção desta doença, importa sublinhar também a importância dos cuidados de saúde primários em relação à prevenção da obesidade, fator de risco potencialmente modificável, através da promoção de estilos de vida saudáveis, nomeadamente em aspetos relacionados com uma alimentação equilibrada e a prática de exercício físico.

Maria João Garcia

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