16 Jul, 2025

Grande Lisboa com taxa mais elevada de óbitos fetais e neonatais em Portugal

Mais de 840 mortes fetais e neonatais registadas em Portugal continental nos últimos dois anos, com a Grande Lisboa a concentrar a maior percentagem.

Grande Lisboa com taxa mais elevada de óbitos fetais e neonatais em Portugal

Entre 2023 e 2024, registaram-se em Portugal continental 847 óbitos fetais e neonatais, o que corresponde a 0,52% dos mais de 163 mil nascimentos ocorridos nesse período. A região da Grande Lisboa destacou-se com a taxa mais elevada do país: 0,70%, segundo dados divulgados esta terça-feira pela Entidade Reguladora da Saúde (ERS).

Do total de mortes, 426 ocorreram em 2023 e 421 em 2024. A Grande Lisboa, que concentrou 399 destes casos, apresenta valores significativamente acima dos registados noutras regiões, como o Norte (0,44%), Centro (0,42%), Oeste e Vale do Tejo (0,27%), Península de Setúbal (0,40%), Alentejo (0,32%) e Algarve (0,48%).

Segundo a monitorização da ERS, as causas mais frequentemente identificadas pelas unidades hospitalares para os óbitos fetais foram insuficiência placentar, descolamento da placenta e infeção intrauterina. No caso dos óbitos neonatais, destacaram-se fatores como prematuridade extrema, hipoxemia e anomalias congénitas.

O relatório não inclui, nesta fase, dados relativos ao acesso às urgências obstétricas ou à linha SNS Grávidas, informação que será abordada num estudo posterior.

Em 2024, existiam em Portugal continental 56 unidades de obstetrícia e neonatologia, das quais quase 70% pertenciam ao Serviço Nacional de Saúde (SNS). Estas estruturas realizaram mais de 80 mil partos nesse ano, menos 1,1% do que em 2023, com quebras mais significativas observadas na Península de Setúbal (-11,9%) e no Centro (-4,9%).

No mesmo ano, foram realizadas 31.035 cesarianas, das quais 67,9% em unidades do SNS e 32,1% no setor social e privado. No setor público, predominam as cesarianas urgentes (65,9%), enquanto nos setores privado e social são mais comuns as programadas (57,3%).

Relativamente ao acesso a cuidados obstétricos, a ERS indica que 23,3% das mulheres em idade fértil têm atualmente um nível de acesso considerado baixo, sobretudo em regiões do Norte, Centro e Oeste e Vale do Tejo. Este número sobe para 32,3% quando se considera apenas a oferta do SNS.

Segundo o regulador, mais de 80% dos partos em Portugal são realizados em unidades do Serviço Nacional de Saúde.

LUSA/SO

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