DGS desmente aumento real de mortes por água insalubre
A Direção-Geral da Saúde esclareceu que a subida no número de mortes atribuídas a água insalubre e falta de higiene decorre de uma atualização técnica da classificação internacional das causas de morte, e não de um agravamento da realidade sanitária.

A Direção-Geral da Saúde (DGS) veio esclarecer que o aparente aumento de mortes relacionadas com água insalubre, saneamento deficiente e falta de higiene resulta de uma alteração técnica introduzida em 2018 na forma de classificar as causas de morte, e não de uma degradação das condições de saúde pública.
O esclarecimento foi motivado por uma manchete do Jornal de Notícias, que citava dados do Instituto Nacional de Estatística (INE) e dava conta de um aumento nas mortes causadas por água contaminada e más condições de higiene, com 518 óbitos registados em 2023 — a taxa de mortalidade mais elevada desde pelo menos 2010.
Em nota enviada à agência Lusa, a DGS explica que essa variação é estatística: “Apesar de se ter verificado uma alteração nos valores apresentados relativos à mortalidade atribuída a água insalubre, saneamento deficiente e falta de higiene, esta variação resulta de uma mudança técnica na forma como as causas de morte passaram a ser classificadas a partir de 2018, e não de um aumento real de mortes por estas causas”.
A atualização decorre de novas orientações da Organização Mundial da Saúde (OMS), que passaram a incluir óbitos anteriormente codificados como K52.9 (colite não especificada) nos códigos A09.0 e A09.9 (diarreia e gastroenterite de origem infecciosa), que são considerados no cálculo dos indicadores dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS).
A DGS sublinha que essa mudança causou uma “quebra de série”, o que significa que os dados anteriores e posteriores a 2018 não são comparáveis diretamente. Quando esse efeito é corrigido, os dados indicam uma redução contínua das mortes associadas a más condições de água e saneamento desde 2015.
A autoridade de saúde assegura que a qualidade da água para consumo humano em Portugal é “muito elevada”, com 99% das análises a cumprirem os padrões legais de segurança, e não foram registados surtos associados à água da rede pública.
Por fim, a DGS reafirma o compromisso de Portugal com elevados padrões de saúde pública, segurança ambiental e vigilância sanitária, através de políticas contínuas de prevenção e melhoria dos serviços essenciais de água e saneamento.
SO/Lusa
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