“O diálogo entre os cuidados primários e hospitalares é muito importante”
Luciana Couto, especialista em Medicina Geral e Familiar, é a Presidente de Honra das 14.as Jornadas Práticas de Diabetologia e Obesidade em MGF da Zona Norte. Em entrevista, a médica realça a necessidade de se apostar na educação para a saúde desde a infância.

O que sente por ser a Presidente de Honra das Jornadas?
Sinto-me muito honrada pelo convite do Prof. Davide Carvalho e do Dr. Pedro Moura Reis para ocupar esse lugar nestas Jornadas.
Está nas Jornadas desde o início?
Participo nestas Jornadas desde o início a convite da organização e com muito gosto. A participação ativa de todos nas sessões e debates tem sido muito interessante.
“A prevalência de excesso de peso e obesidade, desde idades jovens, tem de ser encarada como um desafio na prática clínica”
Que importância têm tido na formação dos profissionais de saúde e na interligação entre cuidados primários e hospitalares?
Este tipo de Jornadas, com vertente muito prática e com a escolha de temas relevantes para o dia a dia das unidades de saúde, tem permitido a criação de protocolos de interligação. O diálogo entre os cuidados de saúde primários e os cuidados hospitalares é muito importante, pois é a melhor forma de se prestar cuidados de qualidade aos doentes.
Como vê atualmente o problema da diabetes e da obesidade?
A obesidade e a diabetes têm aumentado bastante na última década, representando um desafio importante na nossa prática clínica. A pandemia deu também o seu contributo. A prevalência de excesso de peso e obesidade, desde idades jovens, tem de ser encarada como um desafio na prática clínica para incentivar o combate contra estes fatores de risco cardiovascular e que levam à diabetes
“Desde cedo, junto das crianças, tem de se apostar muito na educação para a saúde”
Considera que o modelo unidade coordenadora funcional da diabetes (UCFD) deveria expandir-se ou pode haver outras formas de articulação e de gestão do doente?
As Unidades Coordenadoras Funcionais da Diabetes, constituídas em 2013, têm como objetivo a coordenação entre níveis de cuidados (primários e hospitalares), o que é essencial para a melhoria de todos os processos de assistência e acompanhamento na diabetes. A nível dos cuidados primários, as USF têm a consulta conexa de diabetes com médico e enfermeiro, de modo a conseguir-se o controlo desta patologia.
Considera que as novas gerações já terão outro cuidado com a saúde, contribuindo para que haja menos casos de diabetes?
É necessário um trabalho conjunto da população para aumentar a atividade física e para se optar por uma alimentação saudável. Desde cedo, junto das crianças, tem de se apostar muito na educação para a saúde. É desta forma que se tem de combater a diabetes e os seus fatores de risco, como é o caso do excesso de peso e da obesidade. A sociedade e, em particular, a comunicação social pode ser muito útil na divulgação de hábitos de vida saudáveis.












