2025: SNS custou tanto como o IRS, mas dificuldades de acesso mantiveram-se
Em 2025, o Serviço Nacional de Saúde teve um custo equivalente à totalidade da receita de IRS, mas os utentes continuaram a enfrentar dificuldades no acesso aos cuidados, apesar do aumento da atividade assistencial e de um reforço financeiro histórico para os hospitais.

O Serviço Nacional de Saúde (SNS) custou este ano cerca de 18 mil milhões de euros, um valor equivalente à totalidade da receita prevista de IRS, mas os utentes continuaram a enfrentar dificuldades no acesso aos cuidados de saúde, apesar do aumento da atividade assistencial.
O montante inclui um reforço extraordinário de 1.378 milhões de euros transferidos para os hospitais na segunda metade do ano. Ainda assim, mantiveram-se constrangimentos, sobretudo ao nível da falta de médicos de família e de especialistas, com impacto particular nas urgências de obstetrícia e ginecologia em Lisboa e Vale do Tejo e na Península de Setúbal.
Em outubro, havia 1.542.989 utentes sem médico de família atribuído, menos 1,3% do que no início do ano, uma redução considerada modesta face ao aumento do número total de inscritos nos cuidados de saúde primários, que ultrapassou os 10,7 milhões.
Entre as respostas previstas pelo Governo estiveram a abertura de centros de saúde com gestão social e privada e a celebração de convenções com médicos do setor privado, medidas que não tiveram impacto significativo ao longo do ano.
Ao nível hospitalar, generalizaram-se projetos-piloto de referenciação telefónica para concentrar as urgências nos casos mais graves, mas a instabilidade na obstetrícia manteve-se. O encerramento temporário de serviços esteve associado a um aumento de partos fora do hospital, incluindo em ambulâncias. Segundo o INEM, entre janeiro e outubro realizaram-se 45 partos em ambulâncias, mais 17 do que em todo o ano de 2024.
No total, registaram-se 186 partos fora do hospital nos primeiros dez meses do ano, um número semelhante ao de 2024. Apesar disso, houve menos encerramentos de urgências do que no ano anterior, sobretudo nas urgências gerais e pediátricas.
Em 2025, o Governo avançou também com novas regras para disciplinar a atividade dos médicos tarefeiros e anunciou a criação de um novo sistema nacional de acesso a consultas e cirurgias, após falhas no SIGIC.
A atividade assistencial aumentou na maioria dos indicadores, com mais consultas e cirurgias realizadas, mas as listas de espera cresceram, incluindo nas cirurgias oncológicas, após o fim do programa OncoStop.
O ano ficou ainda marcado pelos problemas no INEM, sob escrutínio da IGAS, pela necessidade de recorrer à Força Aérea para assegurar o transporte de emergência e pela mudança na liderança da Direção Executiva do SNS.
LUSA/SO
Notícia relacionada
Envelhecimento com múltiplas doenças crónicas exige adaptação urgente do SNS










