20 Fev, 2026

ULS Tâmega e Sousa defende reflexão sobre rede de cirurgia cardíaca no Norte

Em causa está o aumento das listas de espera de doentes a necessitar de cirurgia cardíaca e que poderiam ter resposta noutros hospitais, que também têm condições para este tipo de procedimento.

ULS Tâmega e Sousa defende reflexão sobre rede de cirurgia cardíaca no Norte

A ULS Tâmega e Sousa sugeriu “uma reflexão mais ampla sobre a capacidade global da rede” de cirurgia cardíaca na região Norte, esclarecendo que não pretende constituir-se como centro de implantação de válvulas aórticas percutâneas, mas admite poder contribuir para otimizar a resposta assistencial.

“A ULSTS não dispõe de cirurgia cardiotorácica e o seu serviço de Cardiologia não tem no horizonte a pretensão de se constituir como centro de implantação de válvulas aórticas percutâneas (…). A subscrição da carta enquadra-se numa reflexão mais ampla sobre a capacidade global da rede nesta área altamente diferenciada”, lê-se num comunicado enviado à agência Lusa.

Segundo o DN, quatro hospitais do Norte com serviços de Cardiologia subscrevem uma carta sobre o panorama da cirurgia cardíaca na região, a dirigir à ministra da Saúde, Ana Paula Martins. No documento, alertam para o aumento das listas de espera de doentes com patologia cardíaca a necessitar de cirurgia ou de implantação da válvula aórtica.

Atualmente, estes doentes são referenciados para os dois centros de referência da região: a ULS São João e a ULS de Vila Nova de Gaia/Espinho.

De acordo com o DN, subscrevem a carta os serviços de Cardiologia da ULS Santo António, da ULS Tâmega e Sousa, da ULS de Trás-os-Montes e Alto Douro e da unidade que gere o Hospital Pedro Hispano.

Na peça do DN, o diretor do Serviço de Cardiologia do Hospital Santo António, André Cruz, afirma que “há hospitais que fazem o seu trabalho meritório, mas que não estão a conseguir dar resposta no tempo adequado”.

“Enquanto há outros serviços, como o nosso, com infraestruturas e competências técnicas para se tornar um centro cirúrgico e de implantação da válvula da aórtica e que há mais de 10 anos aguarda autorização para o poder fazer”, acrescenta o responsável, que foi o promotor da carta.

Em resposta à Lusa, a ULS Tâmega e Sousa esclarece que a direção do Serviço de Cardiologia subscreveu a carta sobre a organização da resposta em cirurgia cardíaca e implantação valvular aórtica percutânea no Norte, enquadrando essa posição numa análise mais abrangente da capacidade instalada na região.

“O serviço de Cardiologia da ULS Tâmega e Sousa entende que, sempre que estejam reunidos os critérios técnicos e de qualidade exigidos pelas entidades competentes, o eventual reforço da capacidade instalada poderá contribuir para otimizar a resposta assistencial aos doentes na região. A posição da ULS Tâmega e Sousa centra-se exclusivamente na garantia de continuidade de cuidados e no acesso seguro e adequado dos seus utentes às intervenções necessárias”, refere a administração.

No Tâmega e Sousa, os doentes com indicação para estas intervenções são encaminhados para a ULS São João, no Porto, no âmbito da rede de referenciação do Serviço Nacional de Saúde (SNS).

A unidade assegura ainda que mantém “articulação regular e institucional” com os centros de referência, sendo a referenciação “dinâmica e sujeita a avaliação clínica permanente, competindo ao centro de referência a decisão final quanto à realização e priorização das intervenções”.

O DN refere que os dois centros de referência têm de responder não só aos seus próprios doentes, mas também aos provenientes destas quatro unidades e de outros hospitais da região Norte, motivo pelo qual os subscritores pretendem alertar a ministra para o impacto nas listas de espera, nomeadamente na cirurgia para implantação da válvula aórtica.

No ano passado, “o Santo António referenciou mais de 250 doentes, cerca de 190 para cirurgia e os restantes para implantação de válvulas”, indicou André Cruz, citado pelo jornal.

A agência Lusa solicitou esclarecimentos a outros serviços de cardiologia de ULS da região Norte, bem como à Direção Executiva do SNS, aguardando resposta.

SO/LUSA

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