5 Mar, 2020

Transtorno da personalidade borderline comum em doentes com dor crónica

Uma pesquisa mostrou que uma proporção significativa de doentes que sofrem de dor crónica também apresenta características do transtorno de personalidade borderline (TPB).

Os resultados de uma revisão sistemática da literatura mostraram que 23% dos doentes com dor crónica não cancerígena (DCNC) apresentavam algumas características do TPB, incluindo dificuldade em manter relacionamentos, bem como instabilidade de humor.

“O facto de um quarto dos indivíduos com DCNC poder ter TPB coocorrente ressalta a necessidade de melhorar o acesso a bons cuidados psicológicos”, disse ao Medscape Medical News o investigador principal do estudo, o Dr. Fei Cao, da Universidade do Missouri em Kansas City.

“Se tratarmos o transtorno de personalidade borderline e atendermos às necessidades psiquiátricas e às necessidades de dor do doente, seremos capazes de tratar sua dor com mais sucesso”, acrescentou o investigador.

Os resultados foram apresentados na Reunião Anual da Academia Americana de Medicina da Dor (AAPM) 2020.

Para entender melhor a prevalência de TPB em pacientes que sofrem de dor crónica e potencialmente fornecer alguns dados não explorados para o tratamento desta condição, os investigadores analisaram dados de 11 estudos publicados entre 1994 e 2019. Neles, descobriram que a prevalência de TPB em pacientes com DCNC chegava aos 23,3%. Os tipos de dor incluíram dor de cabeça crónica (11,3%), artrite (27,5%) e dor crónica da medula espinal (24,3%).

“O observado nesta pesquisa é que não se pode ajudar estes doentes a longo prazo se apenas se tratar a dor deles. Também temos de tratar o TPB, pois essa medida pode facilitar o controlo da dor. O tratamento da dor crónica geralmente é a longo prazo e requer boa adesão. Um diagnóstico de TPB pode ser um prognóstico de má adesão [ao tratamento]”, disse o especialista.

O Dr. Fei Cao observou que um “número significativo” de pacientes com DCNC tem pelo menos alguma resistência a qualquer tipo de tratamento da dor e levantou a hipótese de o TPB poder aumentar a resistência ao tratamento da dor crónica.

Os resultados do estudo, acrescentou, indicam a necessidade de rastrear o TPB em pacientes com dor crónica.

As intervenções que são eficazes no tratamento do TPB e da DCNC incluem terapia comportamental cognitiva, terapia comportamental dialética, antidepressivos e anticonvulsivantes. “Estes devem ser considerados como o tratamento de primeira linha”, concluiu o investigador.

RV/SO

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