25 Jun, 2025

Mais de metade dos vídeos sobre saúde mental no TikTok contêm desinformação

Especialistas denunciam a propagação de conteúdos imprecisos sobre traumas, ansiedade e depressão. O TikTok afirma remover 98% dos vídeos prejudiciais à saúde mental automaticamente e reforça colaboração com a OMS.

Mais de metade dos vídeos sobre saúde mental no TikTok contêm desinformação

Uma investigação do jornal britânico The Guardian revelou que cerca de metade dos vídeos mais populares sobre saúde mental no TikTok contêm informação errada e contribuem para a amplificação da desinformação nesta área sensível. A análise focou-se nos 100 vídeos com mais visualizações identificados através da ‘hashtag’ #mentalhealthtips.

Deste total, 52 publicações foram consideradas imprecisas ou perigosas por um painel de psicólogos, psiquiatras e académicos. Entre os temas abordados nos vídeos estão ansiedade, depressão, traumas e outras perturbações mentais, frequentemente apresentados com terminologia clínica descontextualizada, conselhos simplificados para questões complexas e promoção de suplementos ou tratamentos sem base científica.

Uma das psicólogas ouvidas pelo The Guardian alertou para o risco destes conteúdos transmitirem a ideia errada de que o tratamento de traumas é simples, rápido e universal, quando na realidade requer acompanhamento especializado e individualizado.

Face à investigação, o TikTok reagiu garantindo que 98% dos conteúdos prejudiciais para a saúde mental são removidos automaticamente, antes mesmo de serem denunciados por utilizadores. A empresa sublinhou que a plataforma continua a ser um espaço aberto à expressão pessoal e à partilha de experiências autênticas, e reiterou a colaboração com a Organização Mundial de Saúde (OMS) no fornecimento de informações credíveis e no encaminhamento dos utilizadores para fontes fidedignas.

O caso surge na sequência de outras polémicas relacionadas com conteúdos potencialmente nocivos na plataforma. Recentemente, o TikTok removeu mais de meio milhão de vídeos associados à hashtag “#SkinnyTok”, que promoviam mensagens extremas e prejudiciais sobre perda de peso. A tendência incluía vídeos com incentivos à magreza extrema e mensagens indutoras de culpa, contribuindo para imagens corporais tóxicas.

A proliferação deste tipo de conteúdos levou reguladores europeus a emitir alertas sobre o impacto negativo que têm na saúde mental dos jovens utilizadores, particularmente vulneráveis às mensagens disseminadas através das redes sociais.

SO/Lusa 

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