Investigadores portugueses descobrem bactéria que protege intestino e combate infeções
Uma equipa do Instituto Gulbenkian de Medicina Molecular identificou em Portugal uma bactéria inofensiva, ‘Klebsiella sp. ARO112’, capaz de restaurar a microbiota intestinal, reduzir inflamação e bloquear infeções em ratinhos. Os cientistas apontam potencial para futuros probióticos terapêuticos.

Uma equipa de investigadores portugueses descobriu uma bactéria que ajuda a restaurar a microbiota intestinal, reduz a inflamação e impede infeções, anunciou o Instituto Gulbenkian de Medicina Molecular, onde a investigação foi conduzida em ratinhos.
A estirpe, designada ‘Klebsiella sp. ARO112’, pertence ao grupo ‘Klebsiella pneumoniae’, normalmente associado a infeções hospitalares, mas nesta versão é inofensiva e atua de forma benéfica, promovendo a recuperação do equilíbrio microbiano no intestino, essencial para a proteção contra agentes patogénicos.
“Estávamos a estudar uma molécula produzida pelas bactérias que ajudava a microbiota a recuperar após antibióticos. Mas descobrimos que a presença desta bactéria fazia toda a diferença”, explicou à Lusa Karina Xavier, coordenadora da equipa. A estirpe recebeu a sigla ARO em homenagem à doutoranda Ana Rita Oliveira, membro da equipa.
O estudo, publicado na revista Nature Communications, abre caminho a novos probióticos terapêuticos, mas os cientistas alertam que serão necessários mais estudos para compreender a prevalência da ARO112 em humanos e a sua relação com níveis baixos de inflamação, uma vez que os resultados foram obtidos em ratinhos.
Nos testes, a ARO112 colonizou o intestino principalmente quando a microbiota estava desequilibrada, por exemplo após tratamento com antibióticos. Em ratinhos com doença inflamatória intestinal, a bactéria reduziu significativamente a inflamação e eliminou infeções provocadas por ‘Salmonella’ e estirpes patogénicas de ‘Escherichia coli’.
“Os antibióticos são essenciais, mas perturbam a microbiota. Futuramente, o seu uso poderá ser acompanhado por bactérias benéficas como a ARO112 para restaurar o equilíbrio intestinal”, acrescentou Karina Xavier.
Os testes de segurança mostraram que a ARO112 não forma biofilmes nem adquire facilmente genes de resistência a antibióticos, e a sua presença no intestino é temporária, desaparecendo à medida que a microbiota recupera.
O estudo reforça ainda a necessidade de probióticos ajustados a situações clínicas específicas, já que o probiótico comercial ‘E. coli Nissle 1917’ não apresentou efeito protetor nos ratinhos estudados.
A investigação foi desenvolvida pelo Instituto Gulbenkian de Medicina Molecular, em colaboração com instituições científicas de Espanha e da Suíça, e abre caminho a terapias inovadoras para doenças intestinais e prevenção de infeções.
LUSA/SO
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