26 Mar, 2026

Governo admite não conseguir garantir médico de família para todos até 2027

Apesar das dificuldades, Ana Paula Martins garantiu que o objetivo de garantir médico de família para todos “nunca vai cair”, sublinhando que, embora o número de utentes com médico atribuído esteja a aumentar, também cresce o número de novas inscrições no Registo Nacional de Utentes.

Governo admite não conseguir garantir médico de família para todos até 2027

A ministra da Saúde, Ana Paula Martins, afirmou esta quinta-feira que o Governo não conseguirá assegurar a atribuição de médico de família a todos os utentes até 2027, apontando o aumento contínuo de novos inscritos nos centros de saúde como principal obstáculo. “Para nós, Governo, atribuir um médico de família a todos os utentes é, de facto, uma ambição. Não o conseguimos até agora, não o vamos conseguir em 2027, porque todos os dias temos pessoas a inscreverem-se”, declarou a governante durante a inauguração da requalificação do Centro de Saúde de Fátima.

Segundo a ministra, este é um desafio complexo e relativamente recente, intensificado nos últimos cinco anos, exigindo uma adaptação constante do Serviço Nacional de Saúde (SNS) à crescente procura.

Apesar das dificuldades, Ana Paula Martins garantiu que o objetivo de garantir médico de família para todos “nunca vai cair”, sublinhando que, embora o número de utentes com médico atribuído esteja a aumentar, também cresce o número de novas inscrições no Registo Nacional de Utentes.

Durante a cerimónia, a responsável destacou ainda a importância da articulação entre o poder central e as autarquias para o reforço do sistema de saúde, reconhecendo, contudo, a necessidade de ajustar o processo de transferência de competências para os municípios. Defendeu que essa descentralização deve incluir não só recursos financeiros, mas também participação nas decisões e na organização dos cuidados de saúde.

Como resposta à escassez de profissionais, a ministra apontou a criação de mais unidades de saúde familiar (USF) modelo B, consideradas mais atrativas para os médicos e com melhores resultados, bem como soluções complementares como o projeto Bata Branca, que assegura consultas a utentes sem médico de família através de parcerias com instituições locais.

A requalificação do Centro de Saúde de Fátima representou um investimento de 1,8 milhões de euros, financiado pelo Plano de Recuperação e Resiliência. Na ocasião, o presidente da Junta de Freguesia de Fátima, Carlos Neves, alertou que ainda existem cerca de 1.200 utentes sem médico de família na freguesia.

Já o presidente da Câmara Municipal de Ourém, Luís Albuquerque, referiu que o concelho continua com cerca de 16 mil utentes nessa situação, embora assegure que estão a ser acompanhados através de soluções como o projeto Bata Branca e a teleconsulta. O autarca defendeu ainda a criação de um centro de atendimento clínico no concelho, de forma a evitar deslocações ao Hospital de Santo André, bem como a instalação de uma unidade de saúde familiar na sede do município.

SO/LUSA

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