Estudo revela que hidroxicloroquina não previne contágio nem combate a doença

Os investigadores medicaram durante sete dias pessoas que tinham sido previamente expostas ao vírus, o que permitiu desencorajar a profilaxia através do uso de HCQ.

O estudo, liderado pelos epidemiologistas Oriol Mitjà e Bonaventura Clotet e publicado na terça-feira no New England Journal of Medicine, aponta que a hidroxicloroquina não influencia o desenvolvimento de covid-19 em pessoas saudáveis expostas a um caso positivo, nem tem efeitos na melhoria dos sintomas causados pela infeção.

Para chegar a essa conclusão, os investigadores medicaram durante sete dias pessoas que tinham sido previamente expostas ao vírus, o que permitiu desencorajar a profilaxia através do uso de HCQ.

O ensaio foi realizado na Catalunha, entre 17 de março e 28 de abril, durante a primeira vaga da pandemia de covid-19 e consistiu num estudo de fase três aleatório entre a população da Catalunha central, a área metropolitana norte e a cidade de Barcelona, ​​com um total de 2.314 contatos participantes de 672 casos positivos.

Os participantes eram todos maiores de idade e para participarem deviam ter estado em contato próximo, a menos de dois metros, com a pessoa infetada por pelo menos 15 minutos e nos sete dias anteriores ao recrutamento.

Os critérios de exclusão eram o facto de apresentar sintomas para a covid-19 no momento da inscrição, tomar medicação contraindicada relativamente à hidroxicloroquina, ter histórico de arritmias cardíacas, insuficiência renal ou estar grávida ou a amamentar.

Os participantes foram aleatoriamente selecionados para que um grupo recebesse 800 miligramas de hidroxicloroquina no ‘dia 1’, seguido por uma dose diária de 400 mg, e outro grupo não recebesse tratamento.

 

Incidência e progressão da doença semelhante entre grupo de tratamento e grupo de controlo

 

Paralelamente, receberam uma primeira consulta médica presencial na qual foram realizados questionários de saúde e entrevistas estruturadas, exame físico e coleta de amostras de PCR para análise em laboratório, enquanto nos dias 3 e 7 foi feito o acompanhamento clínico.

Os participantes que desenvolveram sintomas do novo coronavírus durante o tratamento ou passados sete dias receberam a visita de uma equipa para serem submetidos a um novo exame médico e uma nova colheita de teste PCR.

No 14.º dia do estudo, os contatos que não desenvolveram sintomas foram visitados por uma equipa médica e alvo de testes PCR e serológicos.

O estudo revelou que a incidência e progressão da doença nos contatos participantes é semelhante entre os pacientes do grupo de tratamento (5,7%) e os do grupo de controlo (6,2%).

A taxa de transmissão, medida pelos testes PCR, mostrou a mesma tendência, com 18,7% no grupo tratamento face aos 17,8% no grupo de controlo.

Quanto aos efeitos adversos, 5,6% dos pacientes no grupo de tratamento experimentaram pelo menos um durante o acompanhamento de 14 dias, a grande maioria de natureza leve, mas em seis pacientes os investigadores observaram até cinco episódios de palpitações, potencialmente relacionadas com o tratamento e um causado por insuficiência respiratória.

A investigação juntou 21 instituições catalãs e foi financiado com o apoio de mais de 72 mil pessoas e entidades, que doaram recursos através da campanha ‘#YoMeCorono’, lançada no dia 18 de março para realizar esta e outros estudos científicos para o combate à pandemia.

SO/LUSA

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