Campanha de vacinação com adesão estável à gripe e quebra na covid-19
Quase quatro milhões de vacinas foram administradas no outono-inverno 2024-2025, com cobertura elevada entre os mais idosos. A Direção-Geral da Saúde alerta para o declínio na vacinação contra a covid-19.

Durante a campanha de vacinação sazonal outono-inverno 2024-2025, foram administradas quase quatro milhões de vacinas, segundo o relatório hoje divulgado pela Direção-Geral da Saúde (DGS). No total, aplicaram-se 1.569.167 doses da vacina contra a covid-19 e 2.405.445 contra a gripe, das quais 1.365.764 foram em regime de coadministração.
A DGS destaca que, já na primeira semana de dezembro de 2024, cerca de 66,27% das pessoas com 65 ou mais anos estavam vacinadas. Este dado foi considerado uma resposta sazonal primária eficaz, tendo contribuído para mitigar a sobrecarga habitual dos serviços de saúde durante os meses mais frios, reforçando a sua capacidade de resposta.
A análise por faixas etárias indica que a maior cobertura vacinal se registou entre os cidadãos com 85 ou mais anos, enquanto os menores níveis de adesão ocorreram na faixa etária dos 60 aos 64 anos, tanto para a vacina da gripe como para a da covid-19.
O relatório aponta uma diminuição generalizada da cobertura vacinal contra a covid-19 em comparação com a campanha anterior, enquanto os níveis de vacinação contra a gripe se mantiveram estáveis, com um ligeiro aumento na população com 85 ou mais anos.
Em declarações à agência Lusa, a diretora-geral da Saúde, Rita Sá Machado, comentou que esta quebra na vacinação contra a covid-19 era já esperada e segue uma tendência global. Por outro lado, considerou positiva a adesão à vacinação contra a gripe. “É algo que estamos a ver em todo o mundo e Portugal não é diferente”, afirmou.
A responsável explicou ainda que, enquanto o Programa Nacional de Vacinação tem quase seis décadas de construção de confiança junto da população, as campanhas sazonais enfrentam maiores desafios. Adiantou que será necessário repensar as estratégias futuras para inverter a tendência de descida na vacinação contra a covid-19, tendo em conta as limitações realistas do contexto atual.
A próxima campanha, revelou Rita Sá Machado, dará uma atenção especial aos profissionais de saúde, com o objetivo de aumentar a cobertura vacinal neste grupo considerado prioritário.
A nível regional, os dados mostram que a região Norte obteve os melhores resultados na vacinação contra a covid-19 (68,98%) e contra a gripe (95,19%) entre os maiores de 85 anos. Em contraste, o Algarve apresentou as coberturas mais baixas, com 40,72% para a covid-19 e 63,40% para a gripe.
No grupo dos 65 ou mais anos, Lisboa e Vale do Tejo liderou na vacinação contra a covid-19 (53,62%), enquanto o Norte voltou a destacar-se na vacinação contra a gripe (78,81%). Já o Algarve, novamente, ficou com os valores mais baixos: 33,50% na covid-19 e 52,42% na gripe.
Uma das novidades desta campanha foi a inclusão do grupo dos 85 ou mais anos no acesso gratuito à vacina contra a gripe de dose elevada, já disponibilizada anteriormente em lares e agora alargada à comunidade.
No relatório, a DGS deixa várias recomendações, incluindo a necessidade de manter ou aumentar os pontos de vacinação através de uma colaboração entre o Serviço Nacional de Saúde e as farmácias comunitárias. É igualmente sugerido um reforço da comunicação dirigida aos grupos elegíveis, com mensagens adaptadas por faixa etária, bem como uma melhor articulação entre o planeamento local e nacional, considerando a distribuição faseada e progressiva das vacinas.
SO/Lusa
Notícia relacionada
Portugal mantém-se líder em vacinação infantil com taxas acima dos 95%












