3 Ago, 2018

Alimentação rica em fibra pode reduzir efeitos de stress nos intestinos e no comportamento

Os problemas intestinais causados pelo stress podem ser reduzidos através de uma alimentação rica em fibra, sugere um novo estudo publicado no The Journal of Physiology.

Alimentação rica em fibra pode reduzir efeitos de stress nos intestinos e no comportamento

O stress pode ter efeitos significativos no intestino e no cérebro, podendo alterar o comportamento. Nos últimos anos, os cientistas têm procurado estudar a relação entre a bactéria intestinal e problemas associados ao stress como a ansiedade, depressão e a síndrome do intestino irritável.

Neste estudo, os investigadores analisaram a forma como a bactéria intestinal está envolvida em problemas intestinais induzidos pelo stress. A investigação foi conduzida pela APC Microbiome Ireland da University College Cork e pelo Teagasc Food Research Center na Irlanda.

A bactéria intestinal produz ácidos graxos de cadeira curta (short-chain fatty acids – SCFAs, em inglês), que são a principal fonte de nutrição para as células desta região do corpo. Alimentos como grãos, legumes e vegetais contém níveis elevados de fibras e vão estimular a produção desses SCFAs.

Para o estudo, os investigadores alimentaram ratos com os principais SCFAs produzidos na bactéria intestinal e submeteram-nos ao stress. Através de testes de comportamento, os animais foram avaliados quanto à ansiedade e comportamento depressivo, reação ao stress, capacidade cognitiva e sociabilidade, bem como a facilidade com que o material passa pelo intestino.

Os investigadores descobriram que os níveis de stress e de ansiedade diminuíam quando estes ácidos são produzidos. Quando o stress é sentido durante muito tempo, a barreira entre o interior do intestino e o resto do corpo torna-se mais “permeável”. Como tal, as partículas de alimentos mal digeridos, bactérias e germes vão passar pela parede do intestino diretamente para o  sangue e causar inflamação persistente. O tratamento com os SCFAs pode reverter essa situação.

Os mecanismos que explicam a ação dos SCFAs ficaram por explicar. Estes ácidos não tiveram qualquer efeito sobre o aumento de peso corporal causado pelo stress, o que significa que só têm impacto sobre certos efeitos.

Estes resultados dão novos insights sobre os mecanismos relacionados ao impacto das bactérias intestinais no cérebro e no comportamento, bem como a saúde intestinal, e sugerem o desenvolvimento de tratamentos dietéticos direcionados a essas bactérias para o tratamento de distúrbios relacionados com o stress.

Citado em comunicado, o professor John F. Cryan, um dos autores, comentou estas descobertas: “Há um crescente reconhecimento do papel das bactérias intestinais e das substâncias químicas que produzem na regulação da fisiologia e do comportamento. O papel dos ácidos graxos de cadeia curta neste processo é mal compreendido até agora. Será crucial observar se podem melhorar os sintomas de distúrbios relacionados com o stress nos humanos”.

Saúde Online 

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