19 Fev, 2020

Nova técnica permite a mulher ser mãe após ficar infértil com quimioterapia

É a primeira vez que uma gravidez em doentes de cancro tem sucesso com a utilização de óvulos sujeitos a maturação in vitro.

Uma mulher francesa teve um filho apesar de ter ficado infértil por causa da quimioterapia que recebeu para tratar um cancro da mama, usando óvulos imaturos congelados antes da doença, anunciaram médicos franceses.

De acordo com uma carta publicada no boletim científico Annals of Oncology, o menino é filho de uma mulher francesa de 34 anos que teve cancro da mama e decidiu congelar sete dos seus óvulos imaturos.

Os especialistas em fertilidade que a acompanharam usaram depois uma técnica chamada maturação in vitro para permitir que os óvulos continuassem a desenvolver-se em laboratório, congelando-os rapidamente em azoto líquido para evitar a formação de cristais de gelo que poderiam danificar as células, um processo chamado vitrificação.

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É a primeira vez que uma gravidez em doentes de cancro tem sucesso com a utilização de óvulos sujeitos a este processo.

O chefe do departamento de Medicina Reprodutiva do hospital da Universidade Antoine Béclère, Michael Grynberg, afirmou que os óvulos tiveram obrigatoriamente de ser recolhidos logo na altura do diagnóstico de cancro, porque o tratamento hormonal necessário para os amadurecer aumentaria o risco de o cancro metastizar.

Cinco anos após o diagnóstico, a mulher tinha recuperado do cancro, mas descobriu que estava infértil devido à quimioterapia e não podia sujeitar-se a estimulação dos ovários para produzir mais óvulos, pois isso poderia fazer regressar a doença.

A vitrificação de óvulos ou embriões após estimulação dos ovários é ainda a opção mais eficaz e estabelecida nestes casos. Contudo, em alguns casos a estimulação dos ovários não é possível porque a paciente precisa de tratamento urgente para o cancro. Nessas situações, congelar tecido dos ovários é uma opção, mas requer uma laparoscopia e, além disso, corre-se o risco de reintroduzir células tumorais malignas quando o tecido é novamente transplantado”, acrescentou Michael Grynberg.

O médico reconheceu que “ovos amadurecidos em laboratório são de qualidade inferior quando comparados com os que se obtêm por estimulação dos ovários”, mas defendeu que a técnica usada pela primeira vez com este resultado pode ser uma opção complementar viável.

RV/Lusa

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