Dr. Luís Cunha Miranda - Saúde Online https://saudeonline.pt/tag/dr-luis-cunha-miranda/ Notícias sobre saúde Fri, 12 Nov 2021 10:33:40 +0000 pt-PT hourly 1 https://saudeonline.pt/wp-content/uploads/2018/12/cropped-indentity-32x32.png Dr. Luís Cunha Miranda - Saúde Online https://saudeonline.pt/tag/dr-luis-cunha-miranda/ 32 32 Plano nacional contra doenças reumáticas “passou de prioritário a inexistente” https://saudeonline.pt/plano-nacional-contra-doencas-reumaticas-passou-de-prioritario-a-inexistente/ https://saudeonline.pt/plano-nacional-contra-doencas-reumaticas-passou-de-prioritario-a-inexistente/#respond Mon, 18 Oct 2021 06:26:52 +0000 https://saudeonline.pt/?p=122673 O reumatologista defende um novo plano para reduzir a incapacidade e melhorar a qualidade de vida dos doentes, apostando no encaminhamento precoce para a reumatologia e na redução do intervalo de diagnóstico.

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Luís Cunha Miranda

O especialista Luís Cunha Miranda critica que o Plano Nacional Contra as Doenças Reumáticas tenha passado de “prioritário a não existente”, afirmando que demonstra “uma falta de visão estratégica” relativamente às doenças e ao envelhecimento da população.

“Há dezenas de planos nacionais gerais e planos nacionais setoriais como os da obesidade, da hipertensão, da diabetes, mas nunca ninguém os avalia”, lamentou à agência Lusa Luís Cunha Miranda, que apresentou no Congresso Português de Reumatologia um estudo que avaliou a taxa de execução em 2021 do Plano Nacional Contra as Doenças Reumáticas (PNCDR): 2004-2014.

Para o ex-presidente da Sociedade Portuguesa de Reumatologia (SPR), é “inexplicável” que o PNCDR, “um dos planos principais e prioritários de 2004 a 2014”, tenha de repente deixado de existir, considerando também ser um erro “ninguém saber” a taxa de efetividade dos planos ao longo dos anos.

Foi por esta razão que Luís Cunha Miranda, juntamente com outros reumatologistas, decidiu avaliar o que estava previsto no plano e o que foi concretizado.

“Mesmo sete anos depois de ter terminado, temos apenas dois terços do plano feito”, criticou, defendendo um novo plano com estratégias para reduzir a incapacidade e melhorar a qualidade de vida dos doentes, que passam pelo encaminhamento precoce para a reumatologia e a redução do intervalo de diagnóstico.

50% da população não tem acesso à reumatologia

 

Segundo o especialista, existem 16 hospitais do Serviço Nacional de Saúde (SNS) que, “apesar de o Estado e do Ministério da Saúde dizerem que fazem parte da rede de referenciação hospitalar de reumatologia, não tem um único reumatologista”.

Em Portugal 50% da população não tem acesso à reumatologia, são mais de cinco milhões de pessoas”, elucidou, apontando que há pouco mais de um ano faltavam 72 especialistas por todo o país, uma situação que deve manter-se e que se reflete nas listas de espera.

No Hospital Amadora-Sintra, ironizou, a lista de espera é de 25 anos, porque nunca teve um reumatologista e no Hospital Santo António no Porto é de cerca 150 anos.

“A questão fundamental é que nós sabemos e trabalhámos estes dados para poder dá-los à tutela, e sempre os demos ao longo do tempo”, mas, vincou, “a inação e a falta de planeamento” resulta nesta realidade.

Aludindo à “grande discussão” que existe sobre a falta de médicos em diversos hospitais, Luís Cunha Miranda afirmou que só acontece porque “a tutela não quer saber quantos médicos é que faltam”, porque “é facílimo saber esses dados”.

“O que acontece é que se não se souber quantos anestesistas faltam, quantos reumatologistas faltam, quantos pediatras faltam, eles não estão em falta. Só quando há uma rutura numa urgência ou num hospital é que dizemos que faltam cinco no Barreiro, faltam dez noutro sítio”, criticou.

No seu entender, isto acontece porque “não há um planeamento estratégico”: “Aquilo que temos vindo a assistir é uma mentira calada que é: não queremos saber quantos faltam e quando faltam a gente vai vendo o que é que consegue desenrascar. Isto acontece com a reumatologia desde sempre”.

Por isso, acrescentou, “o único planeamento estratégico que existe por parte dos ministros da Saúde em Portugal é o planeamento estratégico da sua carreira e dos seus, não é o planeamento estratégico dos doentes, das especialidades e dos hospitais”.

Há também “uma mentira tremenda” ao dizer que é a Ordem de Médicos ou os médicos que bloqueia a formação de outros especialistas.

“Dou o exemplo da reumatologia que tem feito um esforço tremendo para pôr mais reumatologistas ao serviço do SNS. Neste momento, temos 84 internos, numa especialidade de 200 e tal pessoas, é muita gente”, disse.,

Contudo, lamentou, “o que acontece é que vão ser desperdiçados porque ninguém os vai contratar porque não há planeamento, porque não há vagas”.

Luís Cunha Miranda admitiu, contudo, que os formadores são “cada vez mais raros e mais escassos” no SNS porque estão a ir para o privado por falta de condições.

“É esse desbaratar do SNS e da qualidade assistencial do SNS que está a impedir que o SNS tenha maior capacidade de formar mais especialistas”, rematou.

LUSA

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O sofrimento do fado: doentes reumáticos não devem sofrer em silêncio https://saudeonline.pt/o-sofrimento-do-fado-doentes-reumaticos-nao-devem-sofrer-em-silencio/ https://saudeonline.pt/o-sofrimento-do-fado-doentes-reumaticos-nao-devem-sofrer-em-silencio/#respond Mon, 30 Nov 2020 10:35:09 +0000 https://saudeonline.pt/?p=102677 O presidente da Sociedade Portuguesa de Reumatologia (SPR) ilustra com a artrite reumatóide a importância de procurar ajuda precocemente e controlar a doença.

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dexametasona

A artrite reumatóide é uma doença inflamatória sistémica, pelo que, embora afete sobretudo as articulações, destruindo-as, pode suscitar manifestações noutros órgãos. Estima-se que esta doença crónica atinja cerca de 1% da população, sendo duas a quatro vezes mais incidente nas mulheres. Quanto às causas, acredita-se que esteja envolvido um conjunto de fatores, dentro dos quais se sabe que existe uma pré-disposição genética − não necessariamente herdada − e que o “tabaco é um fator desencadeador da doença importante”.

À semelhança de outras patologias reumáticas, o peso social e económico da artrite reumatóide é muito significativo para os doentes. Entre outros aspetos, destaca o Dr. Luís Cunha Miranda, “a artrite reumatóide influencia a família e o desenvolvimento de uma carreira, que por si só já é difícil de ter”, visível pelos dados que apontam para metade destes doentes a abandonar o emprego.

Ainda que possa haver a tendência para associar a patologia à velhice, a artrite reumatóide, tal como “as doenças reumáticas inflamatórias como lúpus, espondilite e artrite psoriática têm um impacto imenso na sociedade por atacarem as pessoas em picos de idade ativa. São pessoas que trabalham, têm sonhos e um longo futuro”, explica.

Segundo a plataforma Reuma.pt, o número de doentes acompanhados em Portugal tem vindo a aumentar. Não obstante, o médico garante que o acesso à especialidade de Reumatologia nem sempre é fácil. “Tem sido feito um esforço para formar mais reumatologistas e para melhorar alguns serviços”, mas “existem barreiras a que se implemente a rede de referenciação hospitalar de Reumatologia”.

“Sabemos que 48% dos hospitais que deviam ter Reumatologia não têm”, mesmo havendo a capacidade para colocar estes especialistas “em muitos desses hospitais, e estamos a falar de hospitais como Amadora-Sintra, Santo António (no Porto), Guimarães, Vila Franca de Xira, Cascais, Bragança”, explicita o reumatologista.

Para o Dr. Luís Cunha Miranda, “o principal desafio é fazer entender que é necessário um planeamento a médio e longo prazo para as especialidades hospitalares que não estão tão ligadas à urgência”, sendo para isso necessário auditar as redes de referenciação e perceber qual a taxa de execução e quais as necessidades – de recursos humanos e físicos – por especialidade e local. “Sem uma estratégia, é difícil definir o caminho”, lamenta, lembrando que desde 2014 deixou de existir um plano da Direção-Geral da Saúde para a prevenção das doenças reumáticas.

“Parece haver um desinteresse motivado pela forma como os hospitais são financiados, sobretudo através de atos cirúrgicos”, e pela falta de uma “visão integrada” relativa aos gastos em saúde e gastos na Segurança Social. “As reformas antecipadas em Portugal pelas doenças reumáticas no global correspondem a quase 900 milhões de euros anuais. É brutal num país que não tem assim tanto dinheiro, e significa que se tivéssemos uma boa estratégia seríamos capazes de reduzir pelo menos para metade esse gasto”, sublinha o responsável.

Alerta ainda que estas doenças crónicas, menos relacionadas de forma direta com a mortalidade e mais com a incapacidade, “vão ser dramáticas em Portugal nos próximos 20 anos”. “Vamos ser um dos países mais envelhecidos da Europa e do mundo e não temos uma política de envelhecimento que permita envelhecer com melhor qualidade”, argumenta.

Para o presidente da SPR, a estratégia não pode ser “reativa” e tem de passar pelo diagnóstico precoce e pela acessibilidade às consultas, até porque as terapêuticas, nomeadaemnte para a artrite reumatóide, “hoje em dia são muitíssimos mais eficazes do que eram há 15-20 anos”, tendo até algum potencial de recuperação. Assim, “a identificação nos primeiros três meses, no máximo primeiros seis meses, do início das queixas, faz toda a diferença, possibilitando que a pessoa tenha uma vida completamente normal”, reforça.

As terapêuticas são dirigidas de acordo com o perfil do doente e o tipo de atividade da doença. “Numa estratégia de treat to target, definimos como alvo não ter articulações inchadas, dolorosas, não ter rigidez, não ter incapacidade e orientamos as ações para alcançar esse objetivo. Atualmente conseguimos isso num grande número de doentes, permitindo períodos muito longos de baixa atividade ou remissão da doença”, declara.

Nesse sentido, a mensagem é clara. “É muito importante que os doentes reumáticos não se escondam da sua doença e não pensem, um pouco na perspetiva do sofrimento do fado, que têm de sofrer em silêncio. Os doentes devem procurar ajuda, nomeadamente do médico reumatologista, se uma situação se prolonga no tempo, se incomoda, se tem repercussões na vida diária. Não se devem resignar à dor nem à doença reumática”, conclui.

SS/SO

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Entrevista. A dexametasona “não cura a doença nem elimina o vírus” https://saudeonline.pt/entrevista-a-dexametasona-nao-cura-a-doenca-nem-elimina-o-virus/ https://saudeonline.pt/entrevista-a-dexametasona-nao-cura-a-doenca-nem-elimina-o-virus/#respond Wed, 08 Jul 2020 10:01:10 +0000 https://saudeonline.pt/?p=94564 Dexametasona só deve ser utilizada em pacientes graves e não "em outras situações, pois não evita a doença", esclarece o médico reumatologista e Presidente da Sociedade Portuguesa de Reumatologia.

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dexametasona

A dexametasona é um corticosteroide que já se encontra no mercado português há mais de 60 anos. Recentemente, a OMS desafiou os laboratórios a aumentarem a produção do medicamento, uma vez que este pode ser usado no tratamento de doentes graves infetados com Covid-19.

Originalmente, este medicamento é utilizado no tratamento de quais doenças?

Inicialmente uma das doenças em que a dexametasona estava indicado como um dos tratamentos utilizados era na Artrite Reumatóide. Contudo diversos outros corticosteroides foram sendo desenvolvidos com maior vantagem para as doenças reumáticas e a utilização deste medicamento nessas doenças é atualmente muito raro.

Atualmente a dexametasona é utilizada por exemplo pela neurocirurgia para reduzir o edema cerebral após uma cirurgia ou quando esse edema cerebral é causado por uma massa ou tumor.

É um medicamento acessível, em termos de preço?

É um medicamento bastante acessível pelo que não será pelo preço que ele possa não ser utilizado.

 Pode vir a esgotar, devido ao aumento da procura pelo medicamento?

Daquilo que foi publicado, a dexametasona e eventualmente outros corticosteroides são utilizados no contexto da Covid-19 apenas em doentes internados com impacto claro da sua função respiratória que necessitam de ventilação assistida ou necessidade de ventilação mecânica (ventiladores). Não deve ser utilizado em outras situações pois não evita a doença nem ajuda em fases iniciais e não graves da doença.

Enquanto médico reumatologista, qual é a sua opinião sobre o uso deste medicamento para tratar pacientes Covid-19 em estado grave?

Os corticosteroides como a dexametasona são potentes anti-inflamatórios sistémicos que permitem a redução da inflamação. Na Covid-19, a dexametasona não cura a doença nem elimina o vírus mas como a evolução do quadro clínico da doença por Covid-19 pode provocar um estado inflamatório generalizado como uma inflamação grave, ao nível dos pulmões, a utilização da dexametasona pode ajudar tal como outros medicamentos e procedimentos a reduzir a inflamação e a diminuir a gravidade da doença.

Quais as precauções a ter na administração deste medicamento, a este tipo de pacientes?

Estes fármacos sendo prescritos por períodos curtos e em ambiente hospitalar têm efeitos adversos limitados. A única precaução mais importante a ter é não os utilizar sem orientação médica e sem causa para a sua utilização. Existem diversos efeitos adversos que podem ocorrer mas maioritariamente em utilizações mais prolongadas e crónicas o que não é o caso da Covid-19.

AR/SO

 

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Reumatologistas alertam para excesso de prescrição de opioides para tratar a dor https://saudeonline.pt/reumatologistas-alertam-para-excesso-de-prescricao-de-opioides-para-tratar-a-dor/ https://saudeonline.pt/reumatologistas-alertam-para-excesso-de-prescricao-de-opioides-para-tratar-a-dor/#respond Mon, 01 Jun 2020 09:02:53 +0000 https://saudeonline.pt/?p=91426 A Sociedade Portuguesa de Reumatologia (SPR) sublinha a necessidade de um diagnóstico precoce que permita tratar a doença que provoca dor.

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dor

Em declarações à Lusa, o presidente da SPR, Luís Cunha Miranda, diz que os opioides são “um flagelo nalguns países, por abuso, uso indevido e prescrição indevida” e lembra que é preciso insistir na caracterização da dor pela doença de base.

“É preciso fazer a avaliação da origem da dor. Nós temos uma escala da dor, mas uma coisa é a gravidade da dor, a outra é o tipo de dor”, se é inflamatória ou degenerativa, afirma o especialista, sublinhando que pode ser contraproducente tratar determinadas dores com opioides.

“Nalguns casos, se calhar o opioide é desnecessário, porque tem os seus riscos, e o anti-inflamatório ou o corticoide até podem funcionar melhor, mas para isso é preciso fazer um diagnóstico precoce e individualizado”, defende.

 

São necessárias regras para regular uso

 

Numa posição científica assumida num artigo assinado por diversos especialistas, entre os quais o presidente da SPR, a que a Lusa teve acesso, os reumatologistas assumem a necessidade de regras para definir as situações em que deve ser usados opioides, para evitar o uso extemporâneo, apoiando assim, por exemplo, os médicos de medicina geral e familiar.

Defendem que não há indicações universais, que o doente tem de ser avaliado de forma individual, que “é preciso esse o diagnóstico da doença de origem e que deve ser seguido um plano terapêutico individualizado, que muitas das vezes nunca passara pelos opioides”.

 

“Há aumento crescente da prescrição”

 

Há aumento crescente da prescrição dos opioides. Há crescentemente uma necessidade de controlo da dor, mas a forma como está a ser feito é desorganizada”, diz também Luís Cunha Miranda, que lembra que “todas as unidades da dor deveriam ser multidisciplinares, com reumatologistas, neurologistas, anestesiologistas e psiquiatras, por exemplo”.

O presidente da SPR diz ainda que os planos nacionais segmentares para as diversas doenças por vezes não são avaliados e recorda a dificuldade de acesso aos reumatologistas: “51% dos hospitais não têm reumatologia, não é porque não haja médicos desta especialidade, é porque os hospitais não sentem essa necessidade”.

“Com isso, limitam os diagnósticos precoces, aumentam as incapacidades e as pessoas continuam a cair nos cuidados continuados porque não é feito o diagnóstico precoce, não é tratada a doença e não é tratada a pessoa. Mais do que a dor, devemos tratar a pessoa”, defende.

Luís Cunha Miranda explica que a própria avaliação dos hospitais, em vez de ser feita apenas com base no número de consultas e nos tempos de cirurgia, por exemplo,”deveria ter em conta o número de especialistas que faltam, e de que especialidades, tendo em conta as redes de referenciação hospitalar que estão publicadas”.

“Para mim, a forma como se avaliam os hospitais, é pensar ao contrário”, acrescenta.

O especialista insiste na necessidade de melhorar o acesso à reumatologia e lembra que as doenças musculoesqueléticas são das mais prevalentes em termos de dor crónica não oncológica.

“Se tivesse um diagnóstico precoce, acesso à reumatologia e uma boa decisão terapêutica, grande parte dos doentes não se reformaria, só uma pequena percentagem iria precisar de opioides e quase nenhuns chegariam a ir para cuidados continuados”, insiste o especialista.

Segundo os dados da SPR, as doenças reumáticas, por ano, têm um impacto económico de mil milhões de euros: “além do absentismo, estes doentes têm o que se chama de ‘presentismo’, o que significa que, em muitos casos, não faltam ao trabalho, estão lá, mas com limitações que não lhes limita a capacidade de produção”.

“Estes valores poderiam ser reduzidos para menos de metade se houvesse uma estratégia nacional para prevenção e diagnóstico destas doenças”, acrescenta.

SO/LUSA

 

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Metade dos portugueses não tem acesso à especialidade de reumatologia https://saudeonline.pt/doencas-reumaticas-custam-anualmente-mais-de-mil-milhoes-de-euros/ https://saudeonline.pt/doencas-reumaticas-custam-anualmente-mais-de-mil-milhoes-de-euros/#respond Fri, 11 Oct 2019 11:56:27 +0000 https://saudeonline.pt/?p=79043 “Falta de planeamento e vontade política tem sacrificado a vida plena de milhares de doentes reumáticos que não têm acesso à especialidade”, diz o presidente da Sociedade Portuguesa de Reumatologia (SPR).

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As doenças reumáticas e músculo-esqueléticas (DRM) representam, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de metade da prevalência de doenças crónicas em pessoas com idade acima dos 50 anos e são a categoria mais destacada no grupo destas doenças não transmissíveis.

Portugal não escapa a esta tendência já que os números associados a algumas das mais de 150 doenças ou síndromes de natureza reumática são significativos, quer ao nível do número de pessoas afetadas, quer no impacto provocado na economia da saúde pública, representando custos para o Estado acima dos mil milhões de euros.

Em Portugal, 51,8% da população não tem acesso à especialidade de reumatologia (de acordo com os dados da Rede Referenciação Hospitalar de Reumatologia relativos a 2015). Há necessidade de reforçar o número de unidades hospitalares com serviço de Reumatologia e de quadros técnicos e recursos humanos especializados. Sem esquecer a importância que atribui ao diagnóstico precoce das DRM, como é o caso da Artrite Reumatoide cujo diagnóstico precoce pode representar uma poupança média anual por cada novo caso de, aproximadamente, 30%.

Apenas cinco hospitais no país têm o quadro completo de especialistas: Hospital de Santa Maria, Centro Hospitalar Lisboa Oeste, Hospital Garcia da Orta, Ponte de Lima e S. João e 16 hospitais não têm sequer a especialidade.

Os custos para o Estado com doentes que sofrem de DRM ultrapassam os mil milhões de euros, só na vertente laboral e de segurança social. Mas os números são mais abrangentes uma vez que também envolvem, aproximadamente, 204 milhões de euros, anuais devido ao absentismo e 910 milhões de euros devido a reformas antecipadas. Estima-se que os doentes afetados com DRM tenham uma despesa individual com a doença na ordem dos 500 euros, por oposição aos 250 euros gastos com saúde pelos indivíduos que não sofrem de DRM.

A SPR defende que “a solução para o problema será a criação de um novo plano nacional de saúde para estas doenças, que decorreu de 2004 a 2016 e que deixou inexplicavelmente de existir e a implementação da Rede de Referenciação Hospitalar de reumatologia, atualizada em 2015, que carece de execução e que o deveria ser conforme propostas concretas que a Sociedade Científica fez ao Ministério da Saúde, ACSS e ARSs”.

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