Ana Farinha - Saúde Online https://saudeonline.pt/tag/ana-farinha/ Notícias sobre saúde Thu, 14 Mar 2024 14:43:27 +0000 pt-PT hourly 1 https://saudeonline.pt/wp-content/uploads/2018/12/cropped-indentity-32x32.png Ana Farinha - Saúde Online https://saudeonline.pt/tag/ana-farinha/ 32 32 “Estima-se que a doença renal crónica venha a ser a 5.ª causa de morte no Mundo em 2040” https://saudeonline.pt/estima-se-que-a-doenca-renal-cronica-venha-a-ser-a-5-a-causa-de-morte-no-mundo-em-2040-2/ https://saudeonline.pt/estima-se-que-a-doenca-renal-cronica-venha-a-ser-a-5-a-causa-de-morte-no-mundo-em-2040-2/#respond Mon, 18 Mar 2024 09:00:33 +0000 https://saudeonline.pt/?p=156389 Ana Farinha, nefrologista e coordenadora em clínicas de hemodiálise, fala sobre a doença renal crónica e sobre os tratamentos de hemodiálise e diálise peritoneal. A médica considera que mais do que tratar a patologia na sua fase terminal, é mais importante apostar na sua prevenção, até porque se trata de uma doença com forte impacto na qualidade de vida dos doentes e cujos números têm vindo a aumentar.

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Na sua perspetiva, quais as mais-valias de se assinalar o Dia Mundial do Rim?
Estima-se que a doença renal crónica venha a ser a 5.ª causa de morte no Mundo em 2040, tendo esta posição vindo a subir exponencialmente já neste século. É ainda uma doença com um forte impacto na qualidade de vida das pessoas e com um impacto socioeconómico muito pesado nos sistemas de saúde. Apesar destas perspetivas, não tem sido dada a devida relevância a esta patologia. O Plano Nacional de Saúde para a década atual, por exemplo, não contempla nenhuma medida neste âmbito. O Dia Mundial do Rim é um dia que se destina a chamar a atenção para este problema em todo o mundo.

“O Dia Mundial do Rim é um dia que se destina a chamar a atenção para este problema em todo o mundo”

Qual a prevalência da doença renal crónica (DRC) em Portugal?
Não existem dados oficiais sobre a prevalência de DRC em Portugal, uma vez que o Ministério da Saúde ou a Saúde Pública nunca fizeram este levantamento. O que sabemos advém de alguns estudos que têm sido feitos, como o Estudo RENA de 2019 e que estima em cerca de 20% ou o estudo CaReMi de 2023 que relata cerca de 12% de doentes prevalentes. A diferença destes números dever-se-á às diferentes amostras onde os estudos são feitos, pelo que os dados reais são desconhecidos.

 

A hemodiálise e diálise peritoneal são dois dos tratamentos disponíveis para estes doentes. Quais as principais diferenças?
Quando os rins deixam de funcionar, a possibilidade de manter a função de “limpeza” do sangue pode ser assegurada por um tratamento chamado diálise. Dentro da diálise temos de distinguir entre a Hemodiálise, uma técnica em que o sangue é extraído do doente e limpo através de um filtro de uma máquina e a diálise peritoneal (DP) em que a limpeza do organismo é feita através da introdução de um líquido na barriga do doente. O primeiro é sobretudo uma modalidade feita em clínicas de diálise e o segundo em casa.

 

Quais as indicações para cada uma delas? Existem condições médicas específicas que favorecem um tipo de diálise sobre o outro?
Ambas as técnicas servem para limpar o sangue e ambas são igualmente eficazes para este objetivo. A indicação depende sobretudo da vontade do doente e do que melhor se adequa para promover a sua qualidade de vida.

 

E contraindicações?
A hemodiálise pode estar contraindicada quando o doente tem problemas de acessos vasculares, quando tem tensão demasiado baixa ou variabilidade na tensão arterial. Já a diálise peritoneal pode estar contraindicada em doentes que já tenham sido operados à barriga.

 

A diálise peritoneal é feita em casa. Considera que, em termos de qualidade de vida, é melhor para os doentes?
Para doentes autónomos que queiram manter maior flexibilidade nos seus horários, uma modalidade feita em casa poderá promover maior qualidade de vida.

 

A percentagem de doentes que fazem diálise peritoneal em Portugal ainda está abaixo do esperado. Porquê?
Em Portugal, existem várias razões para haver poucos doentes em DP:

– Existem muitos mitos errados em relação à diálise peritoneal, nomeadamente o risco de infeções;

– Existe uma população muito envelhecida que não tem autonomia para assegurar a técnica;

– Existe um enorme desconhecimento inclusivamente da comunidade clínica em relação à técnica.

 

Quais os próximos passos a dar nesse sentido?
Em termos de formação, será importante difundir informação correta acerca dos benefícios da técnica. Na comunidade é importante pensar em formas de apoiar a técnica a pessoas que não tenham a autonomia para o fazer.

 

Como vê o futuro do tratamento dos doentes renais em Portugal?
Mais importante do que tratar os doentes renais em fase terminal da doença, é preveni-la! Há que apostar na deteção precoce da doença, no seu tratamento atempado para que menos doentes cheguem à necessidade de tratamentos de substituição da função renal.

 

Sílvia Malheiro

Notícia relacionada

“Os médicos devem procurar ativamente a doença renal e estar conscientes desta necessidade”

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Assinala-se hoje o Dia Mundial do Rim. Na sua perspetiva, quais as mais-valias de se assinalar esta data?
Estima-se que a doença renal crónica venha a ser a 5.ª causa de morte no Mundo em 2040, tendo esta posição vindo a subir exponencialmente já neste século. É ainda uma doença com um forte impacto na qualidade de vida das pessoas e com um impacto socioeconómico muito pesado nos sistemas de saúde. Apesar destas perspetivas, não tem sido dada a devida relevância a esta patologia. O Plano Nacional de Saúde para a década atual, por exemplo, não contempla nenhuma medida neste âmbito. O Dia Mundial do Rim é um dia que se destina a chamar a atenção para este problema em todo o mundo.

“O Dia Mundial do Rim é um dia que se destina a chamar a atenção para este problema em todo o mundo”

Qual a prevalência da doença renal crónica (DRC) em Portugal?
Não existem dados oficiais sobre a prevalência de DRC em Portugal, uma vez que o Ministério da Saúde ou a Saúde Pública nunca fizeram este levantamento. O que sabemos advém de alguns estudos que têm sido feitos, como o Estudo RENA de 2019 e que estima em cerca de 20% ou o estudo CaReMi de 2023 que relata cerca de 12% de doentes prevalentes. A diferença destes números dever-se-á às diferentes amostras onde os estudos são feitos, pelo que os dados reais são desconhecidos.

 

A hemodiálise e diálise peritoneal são dois dos tratamentos disponíveis para estes doentes. Quais as principais diferenças?
Quando os rins deixam de funcionar, a possibilidade de manter a função de “limpeza” do sangue pode ser assegurada por um tratamento chamado diálise. Dentro da diálise temos de distinguir entre a Hemodiálise, uma técnica em que o sangue é extraído do doente e limpo através de um filtro de uma máquina e a diálise peritoneal (DP) em que a limpeza do organismo é feita através da introdução de um líquido na barriga do doente. O primeiro é sobretudo uma modalidade feita em clínicas de diálise e o segundo em casa.

 

Quais as indicações para cada uma delas? Existem condições médicas específicas que favorecem um tipo de diálise sobre o outro?
Ambas as técnicas servem para limpar o sangue e ambas são igualmente eficazes para este objetivo. A indicação depende sobretudo da vontade do doente e do que melhor se adequa para promover a sua qualidade de vida.

 

E contraindicações?
A hemodiálise pode estar contraindicada quando o doente tem problemas de acessos vasculares, quando tem tensão demasiado baixa ou variabilidade na tensão arterial. Já a diálise peritoneal pode estar contraindicada em doentes que já tenham sido operados à barriga.

 

A diálise peritoneal é feita em casa. Considera que, em termos de qualidade de vida, é melhor para os doentes?
Para doentes autónomos que queiram manter maior flexibilidade nos seus horários, uma modalidade feita em casa poderá promover maior qualidade de vida.

 

A percentagem de doentes que fazem diálise peritoneal em Portugal ainda está abaixo do esperado. Porquê?
Em Portugal, existem várias razões para haver poucos doentes em DP:

– Existem muitos mitos errados em relação à diálise peritoneal, nomeadamente o risco de infeções;

– Existe uma população muito envelhecida que não tem autonomia para assegurar a técnica;

– Existe um enorme desconhecimento inclusivamente da comunidade clínica em relação à técnica.

 

Quais os próximos passos a dar nesse sentido?
Em termos de formação, será importante difundir informação correta acerca dos benefícios da técnica. Na comunidade é importante pensar em formas de apoiar a técnica a pessoas que não tenham a autonomia para o fazer.

 

Como vê o futuro do tratamento dos doentes renais em Portugal?
Mais importante do que tratar os doentes renais em fase terminal da doença, é preveni-la! Há que apostar na deteção precoce da doença, no seu tratamento atempado para que menos doentes cheguem à necessidade de tratamentos de substituição da função renal.

 

Sílvia Malheiro

Notícia relacionada

“Os médicos devem procurar ativamente a doença renal e estar conscientes desta necessidade”

O conteúdo “Estima-se que a doença renal crónica venha a ser a 5.ª causa de morte no Mundo em 2040” aparece primeiro em Saúde Online.

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Doença Renal Crónica. “Todos os doentes têm direito a tratamentos individualizados” https://saudeonline.pt/doenca-renal-cronica-todos-os-doentes-tem-direito-a-tratamentos-individualizados/ https://saudeonline.pt/doenca-renal-cronica-todos-os-doentes-tem-direito-a-tratamentos-individualizados/#respond Thu, 09 Mar 2023 10:29:36 +0000 https://saudeonline.pt/?p=141368 No Dia Mundial do Rim, que se assinala hoje, Ana Farinha alerta para o impacto da doença renal crónica (DRC) a nível individual, social e económico. A secretária da Sociedade Portuguesa de Nefrologia (SPN) deixa ainda críticas à falta de registos sobre doentes que não fazem hemodiálise e ao modelo de pagamento de tratamentos a entidades convencionadas.

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Qual a prevalência da doença crónica renal  (DRC) em Portugal?

Infelizmente, Portugal é o país da Europa com maior prevalência de DRC e o 8.º país a nível mundial. Estima-se que, no mundo inteiro, a prevalência seja de cerca de 10% e, em Portugal, de acordo com um rastreio de base populacional de 2020, a percentagem atinge os 20% em qualquer fase da doença.

 

Qual a causa da DRC?

Existem diversas causas, mas a responsável pela maioria dos casos é a diabetes. Em segundo lugar, a hipertensão (HTA). São assim dois fatores de risco preveníveis e controláveis.

“Infelizmente, em Portugal não existe qualquer registo com dados sobre os doentes que não estão em diálise”

Duas patologias que geralmente caminham juntas…

É verdade! Além da insuficiência cardíaca e de todas as restantes comorbilidades associadas à diabetes e à HTA. Além disso, a DRC tem maior prevalência entre os idosos, apesar de poder afetar pessoas de qualquer idade, inclusive crianças. Acima dos 70 anos, estima-se que uma em cada duas pessoas tenha DRC. A DRC tem cinco estadios, sendo o último o mais conhecido pela população porque exige diálise ou transplantação. Infelizmente, em Portugal não existe qualquer registo com dados sobre os doentes que não estão em diálise. Sabe-se somente que cerca de 3 mil doentes iniciam tratamento substitutivo da função renal todos os anos.

“Além do sofrimento individual e da própria família – há jovens que têm de deixar de trabalhar -, estima-se que 5% do Orçamento de Estado para a Saúde seja somente para tratamentos de diálise”

 E por que não existem esses números?

A DRC é uma doença esquecida, sobretudo pelo Ministério da Saúde, que é quem tem obrigação de ter este tipo de registos. A SPN tem um registo dos doentes em diálise para que possamos ter uma noção mais exata da realidade, mas de facto o Ministério não tem dado a devida atenção à DRC. Isso é visível também nas campanhas de prevenção. Por exemplo, no caso da diabetes mellitus, os médicos de família têm acesso a protocolos que os apoiam no acompanhamento dos doentes. No caso da DRC, nada existe. Não faz qualquer sentido quando se trata de uma doença com um impacto social enorme! Além do sofrimento individual e da própria família – há jovens que têm de deixar de trabalhar -, estima-se que 5% do Orçamento de Estado para a Saúde seja somente para tratamentos de diálise. É muito dispendioso. Estes doentes vivem uma situação penosa, porque dependem de uma máquina para viver. Este tratamento implica 4 horas dia sim dia não, fora o tempo gasto na viagem. Há quem viva longe. Acresce ainda a agressividade da diálise, muitas vezes causa fadiga.  

“São várias as limitações deste modelo, mas uma das mais relevantes é o facto de impedir o acesso por parte dos doentes à mais recente inovação terapêutica”

O que se pode fazer para alterar esta realidade?

A inovação é fundamental! Primeiramente, é preciso tratar a doença de base, caso contrário não se consegue mudar o prognóstico numa fase muito avançada. Além disso, é importante, mesmo na fase terminal, pensar-se na qualidade de vida.

 

A SPN é muito crítica em relação ao modelo de pagamento adotado para pagar os tratamentos em entidades convencionadas. Porquê?

Em Portugal, atualmente, está em vigor o preço compreensivo, ou seja, é um valor fixo, que está francamente desatualizado. São várias as limitações deste modelo, mas uma das mais relevantes é o facto de impedir o acesso por parte dos doentes à mais recente inovação terapêutica. A DRC tem um impacto individual, social e económico muito grande e todos os doentes têm direito a tratamentos individualizados.

SO

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