Opinião - MGF - Saúde Online https://saudeonline.pt/noticias/mgfonline/opiniao-mgf/ Notícias sobre saúde Thu, 18 Jun 2026 15:44:52 +0000 pt-PT hourly 1 https://saudeonline.pt/wp-content/uploads/2018/12/cropped-indentity-32x32.png Opinião - MGF - Saúde Online https://saudeonline.pt/noticias/mgfonline/opiniao-mgf/ 32 32 Queda de cabelo aos 20 e 30 anos: estamos a perder cabelo mais cedo? https://saudeonline.pt/queda-de-cabelo-aos-20-e-30-anos-estamos-a-perder-cabelo-mais-cedo/ https://saudeonline.pt/queda-de-cabelo-aos-20-e-30-anos-estamos-a-perder-cabelo-mais-cedo/#respond Fri, 19 Jun 2026 08:14:09 +0000 https://saudeonline.pt/?p=187742 Médico de Clínica Geral, Dr. Online

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Durante muitos anos, a narrativa era simples: cabelo a cair só aparecia “a sério” depois dos 40. Hoje, recebo cada vez mais homens e mulheres na casa dos 20 e 30 que marcam consulta porque notam entradas a avançar, risco alargado ou fios claramente mais finos do que nas fotos de há dois ou três anos. Estudos recentes estimam que a chamada alopecia androgénica de início precoce (a famosa calvície genética que começa antes dos 35–40 anos) pode representar cerca de 19–57% dos casos em algumas populações, mostrando que o problema é tudo menos raro.

Em alguns países, relatou‑se que mais de metade dos homens que já se queixam de calvície estão abaixo dos 25 anos, o que reflete uma combinação de maior exposição a fatores de risco e maior sensibilidade ao aspeto físico. Para um público jovem, isto traduz‑se em algo muito concreto: queda de cabelo deixou de ser assunto “lá para a frente” e passou a ser tema de autocuidado atual.

A base da história continua a ser a genética: na alopecia androgénica, os folículos do couro cabeludo são simplesmente mais sensíveis a hormonas do grupo da testosterona, em particular à di-hidrotestosterona (DHT). Esta sensibilidade faz com que, ao longo do tempo, os folículos miniaturizem, produzindo fios cada vez mais finos e curtos, até deixarem praticamente de produzir cabelo visível.

Se pai, mãe, avós ou tios tiveram entradas marcadas ou rarefação na zona da coroa, é provável que o seu risco esteja acima da média. Muitas vezes, os primeiros sinais surgem no final da adolescência ou início dos 20: mais cabelo no ralo do duche, fotos antigas a mostrar uma linha frontal “mais cheia” ou comentários de amigos sobre o “novo risco” que está a abrir no topo.

A má notícia: não conseguimos reescrever o ADN. A boa notícia: dá para “negociar” com a genética, ajustando o ambiente em que o cabelo cresce – e aqui entram os hábitos de lifestyle, poluição e stress.

Lifestyle: quando o cabelo paga a fatura

A ciência mais recente mostra que a forma como dorme, come, se mexe e gere o stress não causa, por si só, a alopecia androgénica, mas pode acelerar ou desacelerar o seu curso. Dietas ricas em ultraprocessados, açúcar e gorduras saturadas, associadas a sedentarismo e aumento de peso, favorecem inflamação crónica e stress oxidativo, que interferem com o ciclo de crescimento do cabelo.

Revisões sobre estilo de vida e alopecia descrevem que obesidade, tabagismo, consumo excessivo de álcool, sono insuficiente, stress psicológico e até alguns penteados muito tensos (rabos-de-cavalo, tranças muito apertadas) podem agravar a queda ou precipitar fases de maior shedding, sobretudo em quem já tem predisposição genética. Em linguagem simples: uma vida em modo “burnout silencioso” não é amiga do seu couro cabeludo.

Poluição e ambiente urbano: o “smog capilar”

A viver em grandes cidades, o cabelo está cada vez mais exposto a partículas finas, fumo de tabaco e outros poluentes que não só se depositam nos fios, como penetram na pele e afetam a raiz. Estudos sugerem que certas toxinas e químicos presentes no ar poluído podem danificar queratinas (as proteínas que formam o cabelo), deixando‑o mais frágil e quebradiço, e potencialmente acelerando a miniaturização dos folículos em homens com tendência para calvície.

Isto não quer dizer que viver no campo seja garantia de cabelo de anúncio, mas reforça uma ideia importante: aquilo que é mau para o coração e pulmões tende a ser mau para o cabelo também. Estratégias simples como evitar o fumo de tabaco, usar chapéu em ambientes muito poluídos e apostar em rotinas de limpeza suaves, mas regulares, podem ajudar a proteger o couro cabeludo.

Stress: o inimigo silencioso do couro cabeludo

Stress crónico é o “vilão multifunções” da medicina moderna – e o cabelo não escapa. Estudos mostram que níveis elevados de stress estão associados à libertação de mediadores inflamatórios e ao aumento de stress oxidativo, que podem antecipar o início da calvície genética e agravar a queda.

Além disso, episódios de stress intenso (exames, fim de relação, doença, mudanças profissionais) podem desencadear uma condição chamada eflúvio telogénico: uma fase em que muitos fios passam ao mesmo tempo da fase de crescimento para a fase de queda, levando a um shedding difuso e muitas vezes dramático, que felizmente costuma ser reversível quando o gatilho é controlado. Se der por si a “varrer o chão” do quarto ou a encher a escova de cabelo de um dia para o outro, vale a pena falar com um médico.

Queda de cabelo “normal” vs. sinal de alerta

Perder alguns fios por dia é absolutamente normal – o ciclo do cabelo implica queda e renovação constantes. Sinais de alerta incluem:

  • Queda súbita e em grande quantidade (punhados de cabelo no duche ou na almofada).
  • Áreas localizadas sem cabelo ou muito rarefeitas (por exemplo, manchas redondas na cabeça ou sobrancelhas).
  • Linha do cabelo a recuar rapidamente ou coroa que começa a mostrar cada vez mais couro cabeludo nas fotos recentes.
  • Comichão intensa, dor, vermelhidão ou descamação importante do couro cabeludo, que podem indicar inflamação ou doença dermatológica.
  • Queda associada a outros sintomas sistémicos, como perda de peso inexplicada, fadiga intensa, alterações menstruais ou sinais de doença da tiroide.

Nestes casos, a recomendação é simples: não espere que “passe sozinho”. Agir cedo é a forma mais eficaz de travar danos permanentes nos folículos e maximizar a possibilidade de recuperação.

Prevenção inteligente: o que está realmente sob o seu controlo

Não podemos prometer milagres capilares, mas há medidas que, combinadas, podem fazer diferença real na trajetória do seu cabelo:

  • Otimize o seu estilo de vida: priorize sono adequado, alimentação rica em frutas, legumes, proteína de qualidade e gorduras saudáveis, e reduza alimentos  ultraprocessados e álcool em excesso.
  • Combata o stress de forma ativa: atividade física regular, técnicas de relaxamento, psicoterapia quando indicada – tudo isto não é só “wellness de Instagram”, é literalmente medicina preventiva também para o cabelo.
  • Cuide do couro cabeludo: evite penteados muito apertados, quentes ou agressivos, minimize químicas muito frequentes e opte por produtos adequados ao seu tipo de pele e cabelo.
  • Não ignore sinais precoces: entradas a aparecer, risco a alargar, afinamento progressivo – quanto mais cedo discutir isto com um médico, maiores as hipóteses de estabilizar a situação com opções farmacológicas e não farmacológicas.

Quando consultar um especialista (e porquê não deve adiar)

Recomenda‑se procurar um médico de família ou dermatologista se notar queda persistente por mais de alguns meses, afinamento progressivo, placas sem cabelo ou sintomas como comichão, dor ou inflamação do couro cabeludo. A consulta é ainda mais urgente se a queda for súbita, muito intensa ou acompanhada de outros sinais de doença geral.

O objetivo da avaliação é responder a três perguntas críticas:

  1. Isto é alopecia androgénica “simples”, outra forma de alopecia ou um problema sistémico (por exemplo, tiroide, défice de ferro, doenças autoimunes)?
  2. Há fatores reversíveis (medicação, défices nutricionais, stress agudo) que podemos corrigir?
  3. Qual o melhor plano individual: apenas ajustes de estilo de vida, suplementação, tratamentos tópicos (como produtos com evidência para estimular crescimento), eventualmente medicação oral ou, mais tarde, terapias avançadas como PRP ou transplante capilar?

Aqui, a telemedicina pode facilitar a vida: hoje é possível discutir sinais precoces de queda de cabelo numa consulta online, com avaliação orientada, pedido de análises quando necessário e encaminhamento para dermatologia presencial apenas quando faz mesmo sentido.

Para muitos jovens adultos, admitir que o cabelo está a cair mexe com a auto-estima – e isso faz com que adiem a consulta até a situação estar avançada. Plataformas de telemedicina permitem um primeiro passo discreto, rápido e estruturado: em minutos, consegue discutir o seu caso com um médico, mostrar fotos, esclarecer mitos de internet e sair com um plano concreto.

Em vez de se perder em fóruns, suplementos milagrosos e champôs “antiqueda” de marketing agressivo, uma consulta bem orientada ajuda a poupar tempo, dinheiro… e folículos. Seja numa clínica física ou em contexto online, o mais importante é esta mensagem: se tem 20 ou 30 anos e sente que o cabelo já não é o mesmo, não está a exagerar – está a ser proativo. E, em saúde, quem chega cedo costuma ficar com melhores lugares na fila dos resultados.

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A MGF e a Medicina do Trabalho https://saudeonline.pt/a-mgf-e-a-medicina-do-trabalho/ https://saudeonline.pt/a-mgf-e-a-medicina-do-trabalho/#respond Mon, 15 Jun 2026 08:30:56 +0000 https://saudeonline.pt/?p=187624 Especialista em Medicina Geral e Familiar

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dor

O País e o SNS não vivem momentos fáceis e as soluções, nem são imediatas, nem são definitivas.

Faltam médicos de família nos Cuidados Primários, agora da responsabilidade das ULS.

A especialidade da medicina geral e familiar cresceu em número de especialistas, mas estes não se fixam no SNS ou, diria, o SNS não os cativa, nem mantém. No entanto, no passado recente, era das especialidades que mais captava jovens médicos e o entusiasmo transmitido pelos orientadores de formação em muito para isso contribuía.

Por outro lado, a medicina do trabalho tem muito menos profissionais, cerca de 1300 a 1500, mas a especialidade está francamente envelhecida e a formação está ultrapassada pelas novas exigências da sociedade, da economia e do saber médico nesta área.  Além disso, o agora Programa de Formação Específica em Medicina do Trabalho, antes chamado de Internato Complementar de Medicina do Trabalho, está estrangulado pelo baixíssimo número de vagas anualmente criadas.

Em Portugal, a esmagadora maioria do tecido empresarial é constituído por micro- e pequenas empresas que empregam um pouco mais de metade dos trabalhadores.

Porém, todos sabemos do envelhecimento do país e da população laboral.

Isto explica a falta de trabalhadores de modo transversal a todas as profissões e a compreensão da necessidade de estrangeiros que possam aceitar, ou funções que os nossos nacionais não desejam, ou tarefas que os acolhem de braços abertos por uma gama diversa de argumentos.

Em simultâneo, o aumento da esperança de vida e a crise financeira à vista desarmada, em particular na Europa, obriga a subida da idade de reforma como meio temporário de   garantir a sustentabilidade do sistema de segurança social.

É este o enquadramento que, do meu ponto de vista, justifica esta reflexão.

A relação entre a Medicina do Trabalho e a Medicina Geral e Familiar (MGF) é de óbvia e natural complementaridade e colaboração.

É indispensável que, a MGF não se esqueça de indagar sobre a actividade profissional dos seus utentes e quem são os seus médicos do trabalho, como os médicos do trabalho conhecerem as unidades de saúde e os nomes dos médicos de família dos seus trabalhadores.

É um primeiro passo para uma natural, possível e desejável relação entre as duas partes, visando a saúde integral do indivíduo, entendendo a complementaridade das responsabilidades na clara distinção entre as especialidades.

Na verdade, com focos, interesses e objectivos distintos, ambos os especialistas partilham e perseguem o objetivo de prevenção e promoção da saúde. Um, no contexto familiar e individual e, o outro, na relação do trabalhador com o seu ambiente e local de exercício profissional.

Por outro lado, se o médico do trabalho assegura um cumprimento legal das entidades patronais, a gestão do risco e aptidão para o trabalho, garante também um dever ético de protecção da saúde daqueles por quem zela.

Julgo que, neste sentido, o médico de família poderá e deverá beneficiar das informações que lhe permitam entender os riscos e exigências laborais, mormente quando acompanha doenças crónicas.

De resto, a citada partilha pode ser até muito relevante em situações clínicas de foro psicossocial ou psicológico, percebendo de um lado os tratamentos instituídos e do outro, o enquadramento necessário quer para um retorno ao trabalho, quer para um afastamento temporário. Uma atitude deste tipo vai optimizar ou a reabilitação de um trabalhador ou quiçá a sua readaptação ao posto de trabalho e ganho social.

O interesse pela saúde dos trabalhadores, não sendo gratuito, é ou deveria ser transversal às políticas de emprego e sociais em geral, tendo em vista, por exemplo, a sustentabilidade dos sistemas de segurança social e de reformas, em particular quando a proporção entre os mais jovens e os mais velhos se desequilibra para o lado destes últimos.

A saúde dos trabalhadores e dos cidadãos seria idealmente uma preocupação para os países democráticos, deveria ser igualmente um objectivo estratégico para quem trabalha e para os que criam e mantêm ofertas de emprego, para a saúde do trabalho e serviços públicos de saúde e para os Estados!

 

*O autor escreve de acordo com o A.A.O.

 

 

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Consulta para Utentes Migrantes sem Critérios de Inscrição reforça resposta dos CSP da ULS Póvoa de Varzim/Vila do Conde https://saudeonline.pt/consulta-para-utentes-migrantes-sem-criterios-de-inscricao-reforca-resposta-dos-csp-da-uls-povoa-de-varzim-vila-do-conde/ https://saudeonline.pt/consulta-para-utentes-migrantes-sem-criterios-de-inscricao-reforca-resposta-dos-csp-da-uls-povoa-de-varzim-vila-do-conde/#respond Wed, 03 Jun 2026 08:16:24 +0000 https://saudeonline.pt/?p=187523 Departamento de Saúde Familiar e Comunitária: Assunção Magalhães, Enfermeira Gestora, Helena Almeida, Gestora de Departamento, Vera Pires, Médica Assistente Graduada de MGF

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Em março de 2025, na sequência de uma proposta apresentada pelo Departamento de Saúde Familiar e Comunitária e aprovada pelo Conselho de Administração da ULS Póvoa de Varzim/Vila do Conde, foi implementada, no âmbito dos Cuidados de Saúde Primários (CSP), uma resposta assistencial especificamente dirigida a utentes migrantes sem critérios de inscrição em equipa de saúde familiar residentes na área de abrangência da ULS.

A criação desta consulta resultou da identificação de necessidades concretas no acesso aos CSP por parte de populações migrantes particularmente vulneráveis, frequentemente sem enquadramento nos mecanismos habituais de atribuição de equipa de saúde familiar e confrontadas com dificuldades acrescidas no acesso, continuidade e acompanhamento em saúde.

Desde a sua implementação e decorridos 14 meses de atividade, foram referenciados a esta consulta 427 utentes, 164 no âmbito da saúde materna, 263 no âmbito da saúde infantil, provenientes de 34 países distintos. Esta consulta permitiu a realização de cerca de 1.564 consultas, por médico e enfermeiro, distribuídas entre 829 consultas na área da saúde materna e 735 consultas na área de saúde infantil e juvenil. Estes números evidenciam não apenas a procura crescente desta resposta assistencial, mas também a importância de estruturas organizadas e diferenciadas capazes de assegurar cuidados adequados a populações em situação de maior vulnerabilidade social e administrativa.

A consulta foi estruturada com particular atenção à proteção da saúde materna e infantil, reconhecendo que a gravidez, o período pós-parto, a infância e a juventude constituem etapas particularmente sensíveis do ciclo de vida, nas quais o acesso atempado, o acompanhamento adequado e continuado aos cuidados de saúde, assumem um impacto determinante na promoção da saúde e prevenção da doença e podem influenciar de forma decisiva os resultados em saúde ao longo da vida.

No âmbito da saúde materna, esta resposta tem permitido assegurar a vigilância da gravidez, o acompanhamento clínico regular, a referenciação para cuidados hospitalares sempre que necessário, o apoio na compreensão dos diferentes momentos do seguimento pré-natal e a atualização do Plano Nacional de Vacinação (PNV). Em muitos casos, as mulheres/casais grávidos, em acompanhamento nesta consulta, apresentam dificuldades no conhecimento dos circuitos de acesso ao Serviço Nacional de Saúde (SNS), barreiras linguísticas ou ausência de acompanhamento prévio estruturado, o que reforça a importância de uma resposta especificamente organizada para esta população migrante.

Na área da saúde infantil e juvenil, o acompanhamento realizado tem permitido a vigilância do crescimento e desenvolvimento, o cumprimento do Plano Nacional de Vacinação, a deteção precoce de situações de risco e o apoio às famílias na integração nos cuidados de saúde. Para muitas destas crianças e jovens, esta consulta constitui o primeiro contacto regular e estruturado com os CSP, assumindo um papel relevante na promoção da saúde e na redução de desigualdades no acesso aos cuidados.

Para além do acompanhamento clínico, a capacitação dos utentes migrantes para uma utilização mais informada e autónoma do SNS tem sido fundamental. Ao longo do percurso assistencial, os profissionais esclarecem os utentes sobre os procedimentos necessários à sua integração nos cuidados de saúde, nomeadamente na obtenção da documentação necessária para a inscrição numa equipa de saúde familiar, sempre que reúnam os requisitos previstos para o efeito.

Esta orientação e capacitação têm permitido que muitos utentes beneficiem de um acompanhamento de proximidade e de continuidade de cuidados numa equipa de saúde familiar.

Paralelamente, a equipa tem assegurado a articulação e o encaminhamento para as diferentes respostas assistenciais existentes na ULS Póvoa de Varzim/Vila do Conde e na comunidade, promovendo o acesso aos cuidados ajustados às necessidades identificadas. Esta intervenção integrada tem contribuído para uma resposta clínica, social e preventiva mais eficaz, reforçando a coordenação dos cuidados e a utilização adequada dos recursos disponíveis.

Contudo, a relevância desta consulta ultrapassa largamente os números da atividade realizada, sendo caracterizada por uma forte componente humana, social e cultural. A diversidade de origens, idiomas, culturas e percursos de vida das pessoas acompanhadas exige dos profissionais de saúde um esforço permanente de adaptação das estratégias de comunicação e intervenção. A barreira linguística constitui frequentemente um dos principais desafios identificados, tornando necessária a utilização de diferentes abordagens que permitam assegurar uma correta compreensão das orientações transmitidas e uma efetiva participação dos utentes nas decisões relacionadas com a sua saúde.

Também as diferenças culturais relacionadas com a gravidez, a parentalidade, a vacinação, a alimentação, a prevenção da doença ou a utilização dos serviços de saúde exigem uma abordagem baseada no respeito, na escuta ativa e na compreensão das especificidades de cada pessoa e família. Esta adaptação cultural tem sido essencial para a construção de relações de confiança e para a promoção da adesão aos cuidados de saúde recomendados.

A implementação e manutenção desta resposta têm exigido um significativo esforço organizacional e assistencial por parte das equipas dos CSP da ULS Póvoa de Varzim/Vila do Conde. Médicos, enfermeiros, assistentes técnicos e outros profissionais envolvidos têm contribuído para a construção de uma resposta integrada, inclusiva e centrada nas necessidades dos utentes, procurando assegurar que nenhuma grávida, criança ou jovem fica privado do acompanhamento de saúde recomendado por ausência de enquadramento numa equipa de saúde familiar.

Ao longo deste primeiro ano de atividade, esta consulta tem vindo a afirmar-se como uma resposta relevante no âmbito da promoção da equidade em saúde, reforçando o papel dos CSP enquanto estrutura de proximidade, inclusão e acesso universal aos cuidados de saúde.

A experiência desenvolvida demonstra que a criação de respostas flexíveis e adaptadas às realidades demográficas e sociais atuais constitui um instrumento fundamental para garantir que os cuidados de saúde chegam efetivamente a quem deles necessita, permitindo responder de forma mais próxima, humanizada e integrada.

Os resultados alcançados evidenciam o impacto positivo desta iniciativa, não apenas pelo número de consultas realizadas, mas sobretudo pela capacidade de assegurar o acompanhamento clínico adequado, promover a integração dos utentes nos serviços de saúde e criar melhores oportunidades de saúde para grávidas, crianças e jovens migrantes sem equipa de saúde familiar atribuída. Desta forma, reforça-se o compromisso dos CSP da ULS Póvoa de Varzim/Vila do Conde com a equidade, a inclusão e o acesso universal aos cuidados de saúde.

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Manual de boas práticas quer ajudar profissionais de saúde a lidar com imigrantes

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Hipoparatiroidismo: uma doença rara, uma hormona em falta e um tratamento complexo https://saudeonline.pt/hipoparatiroidismo-uma-doenca-rara-uma-hormona-em-falta-e-um-tratamento-complexo/ https://saudeonline.pt/hipoparatiroidismo-uma-doenca-rara-uma-hormona-em-falta-e-um-tratamento-complexo/#respond Mon, 01 Jun 2026 08:21:17 +0000 https://saudeonline.pt/?p=187312 Médico endocrinologista

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A 1 de junho assinala-se o Dia Mundial do Hipoparatiroidismo, uma doença endócrina rara, mas com forte impacto na qualidade de vida, mesmo em doentes considerados bem controlados com a terapêutica disponível em Portugal. Conhecer melhor esta doença é também reconhecer o que continua a faltar no seu tratamento e no acompanhamento de quem com ela vive.

 O hipoparatiroidismo é uma doença endócrina rara, ainda pouco conhecida fora do meio médico. Afeta milhares de pessoas em todo o mundo e o seu impacto no quotidiano de quem com ela vive continua, em muitos casos, a ser subestimado, incluindo durante o seguimento médico regular.

Trata-se de uma doença endócrina rara, caracterizada pela produção insuficiente, ou nula, de paratormona (PTH) pelas glândulas paratiroides, quatro estruturas minúsculas, do tamanho de uma lentilha, localizadas no pescoço, atrás da tiroide. A PTH desempenha um papel central na regulação do cálcio e do fósforo no sangue e nos ossos. Quando esta hormona escasseia, o equilíbrio mineral do organismo perde-se, com repercussões em múltiplos órgãos.

No quadro agudo, as manifestações da hipocalcemia são bastante características: formigueiros nas mãos, nos pés e à volta da boca, cãibras, espasmos musculares e, em casos mais graves, convulsões, espasmo da laringe e arritmias cardíacas. No quadro crónico, predominam queixas menos específicas, tais como fadiga persistente, ansiedade, perturbações do sono e dificuldades de concentração, o chamado “nevoeiro mental”, que podem manter-se mesmo com a calcemia controlada. A longo prazo, surgem complicações renais, cataratas precoces e calcificações cerebrais, entre outras.

A causa mais frequente é a cirurgia cervical, sobretudo a remoção da tiroide (tiroidectomia), na qual as paratiroides podem ser inadvertidamente removidas ou lesionadas. Outras causas incluem doenças autoimunes, alterações genéticas e formas idiopáticas, em que nenhuma causa é identificada.

Estima-se uma prevalência entre 24 e 37 casos por 100 000 habitantes na Europa e nos Estados Unidos, o que situa a patologia firmemente no grupo das doenças raras. Em Portugal, os dados disponíveis são escassos, mas as projeções apontam para cerca de 2500 a 4000 doentes. Considerando que se realizam anualmente alguns milhares de tiroidectomias no país, a vigilância pós-operatória torna-se essencial: de 25% a 30% dos doentes desenvolvem hipoparatiroidismo transitório, com níveis de cálcio baixos durante os primeiros dias a meses após a cirurgia; no entanto, entre 1% a 3% das pessoas mantêm a doença de forma permanente.

O tratamento clássico assenta na suplementação de cálcio e em formas ativadas da vitamina D. Em alguns casos, recorre-se ao magnésio e a diuréticos, que ajudam a reduzir as perdas urinárias de cálcio. Embora eficaz no controlo dos sintomas, este esquema (convencional) não substitui a ação fisiológica da PTH e pode, a longo prazo, contribuir para complicações renais e ósseas. Nos últimos anos, têm surgido medicamentos análogos da hormona em falta, a PTH. Esta modalidade terapêutica aproxima-se, assim, do funcionamento natural das paratiroides e representa uma esperança real para os doentes com formas mais graves ou de difícil controlo do hipoparatiroidismo crónico.

Mais do que um problema de diagnóstico, o hipoparatiroidismo é hoje, sobretudo, um problema de tratamento. Mesmo com a terapêutica convencional bem instituída, parte relevante dos doentes mantém sintomas com a calcemia normalizada, e a suplementação prolongada não está isenta de complicações renais e ósseas. É por isso que esta efeméride importa: lembra que é importante o seguimento estruturado das pessoas com esta doença e o acesso, em Portugal, à terapêutica substitutiva com análogos da hormona em falta nesta doença, a paratormona (PTH).

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“O hipoparatiroidismo é a última situação de deficiência hormonal primária que ainda não é tratada de forma sistemática através da substituição da hormona em falta”

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A atualização das orientações para o tratamento da rinite alérgica https://saudeonline.pt/a-atualizacao-das-orientacoes-para-o-tratamento-da-rinite-alergica/ Mon, 25 May 2026 08:14:20 +0000 https://saudeonline.pt/?p=187293 O conteúdo <i class="iconlock fa fa-lock fa-1x" aria-hidden="true" style="color:#e82d43;"></i> A atualização das orientações para o tratamento da rinite alérgica aparece primeiro em Saúde Online.

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O génio do SNS ou do país? https://saudeonline.pt/o-genio-do-sna-ou-do-pais/ https://saudeonline.pt/o-genio-do-sna-ou-do-pais/#respond Wed, 20 May 2026 08:04:30 +0000 https://saudeonline.pt/?p=187161 Especialista em Medicina Geral e Familiar

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dor

Para os Portugueses, tempos houve em que o oceano Atlântico era, mais do que um desafio, um grande mistério.

Bravos e destemidos, animados por uma fé e crença ora perdidas de há muito, fizeram-se às águas e passo a passo, foram descobrindo novos Mundos e vencendo os limites que, mais no espírito, do que nos corpos, os tolhiam e acanhavam.

O génio português na sua coragem, desassossego e curiosidade!

Mas por esses séculos fora, deixamos gradualmente de compreender e de aprender, contentando-nos em viver o dia a dia, abúlicos e calados, sem questionar nem reflectir sobre o que, realmente, nos deveria preocupar.

Vem isto a propósito do que, em relação às consequências e às intervenções nas regiões assoladas pelas tempestades do princípio de 2026, se depara e perturba, contabilizando para além das vidas perdidas, prejuízos sem fim e sem reparação em tempo útil.

Muitos responsáveis políticos, técnicos e académicos falam agora da falta de estruturas regionais, genuinamente regionais e capazes, quer quanto ao “antes”, como quanto ao “depois” das tragédias.

Contudo, falar em “regionalização” parece tabu e bem recentemente, o próprio Primeiro-Ministro, veio publicamente dizer que, tal questão, não era prioridade para o actual governo.

E ao comemorar, no passado dia 2 de Abril, os 50 anos de aprovação, recordei que, a Constituição da República de 1976, deixara aprovada já a criação das Regiões, mas a ideia e a promessa constitucionais permanecem congeladas porque, na verdade, regionalizar significa partilhar poder e decisão, representa perda de poder central!

Parecem-me por isso, em matéria de organização dos serviços públicos de saúde, legítimas as dúvidas e preocupações que sempre mantive, relativamente a uma resposta única e uniforme para todo o território onde impera uma cultura ‘hospitalocêntrica’, que desde logo inibe ou impede a integração dos diferentes níveis de cuidados.

A apressada extinção das administrações regionais de saúde e a sua diluição avulsa por Unidades Locais de Saúde (ULS) não resultou, mesmo no plano da articulação e relacionamento entre Cuidados Primários e Hospitalares.

Falar em urgências metropolitanas teve e teria maior compreensão e adesão numa visão regional que, em modelo ULS se torna intrigante por contrariar a estratégia seguida para o fim das administrações regionais.

Indicadores demográficos, densidade populacional, taxa de envelhecimento, fluxos migratórios, rendimento médio per capita, índice de pobreza e exclusão social, esperança média de vida, índice de doenças crónicas, taxa de mortalidade infantil, acesso tempestivo a cuidados saúde, número e distribuição de unidades de saúde, cobertura médicos de família, taxa de utilização de serviços, PIB regional, indicadores de desigualdade regional e tantos outros, significam que as necessidades de territórios como o Alentejo ou Trás-os-Montes, pelas suas características, serão com certeza diferentes das necessidades das áreas suburbanas de Lisboa ou do Porto, pressupondo a lógica de modelos de gestão que, devem assentar numa valorização de base territorial e na adaptação e flexibilidade às especificidades regionais.

Sem esforço admite-se que, visando reforçar as capacidades de resposta locais e promover uma maior autonomia e flexibilidade, essenciais para enfrentar os desafios de cada região, os resultados em saúde possam ser superiores.

Existe um risco inegável de desigualdades entre regiões com diferentes recursos técnicos e financeiros. Exige forte coordenação e financiamento adequado, não baseado em mera capitação. E coragem, muita coragem…

 

O autor escreve de acordo com o A.A.O

 

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