Dor-Online - Saúde Online https://saudeonline.pt/noticias/dor-online/ Notícias sobre saúde Tue, 18 Aug 2026 10:18:45 +0000 pt-PT hourly 1 https://saudeonline.pt/wp-content/uploads/2018/12/cropped-indentity-32x32.png Dor-Online - Saúde Online https://saudeonline.pt/noticias/dor-online/ 32 32 Procedimento “pioneiro” no tratamento da dor crónica realizado pela primeira vez na Madeira https://saudeonline.pt/procedimento-pioneiro-no-tratamento-da-dor-cronica-realizado-pela-primeira-vez-na-madeira/ https://saudeonline.pt/procedimento-pioneiro-no-tratamento-da-dor-cronica-realizado-pela-primeira-vez-na-madeira/#respond Mon, 17 Aug 2026 13:31:09 +0000 https://saudeonline.pt/?p=189103 O método para tratamento da dor crónica foi usado em conjunto com um "sistema avançado de estimulação medular”, sendo "o primeiro e único elétrodo percutâneo de 16 contactos a abranger três níveis vertebrais com espaçamento reduzido”, de acordo com a equipa responsável.

O conteúdo Procedimento “pioneiro” no tratamento da dor crónica realizado pela primeira vez na Madeira aparece primeiro em Saúde Online.

]]>

Um procedimento “pioneiro” no tratamento da dor crónica, utilizando um elétrodo percutâneo de alta intensidade, foi realizado pela primeira vez na Madeira, anunciou hoje o Serviço Regional de Saúde.

“Esta é mais uma solução terapêutica diferenciada que passa a estar disponível na região”, lê-se na nota divulgada, indicando tratar-se de “um avanço importante nos cuidados de saúde prestados na Madeira, ao ampliar o acesso a terapias de ponta nas ilhas portuguesas”.

O procedimento aconteceu na Unidade da Dor do Hospital Dr. Nélio Mendonça, no Funchal. No documento, o Serviço Regional de Saúde da Madeira (Sesaram) explica que o método foi “usado em conjunto com um sistema avançado de estimulação medular” e que “este é o primeiro e único elétrodo percutâneo de 16 contactos a abranger três níveis vertebrais com espaçamento reduzido”.

Este equipamento foi desenvolvido para a terapia de estimulação da medula espinhal e vem dar aos médicos “possibilidades adicionais para assegurar uma maior personalização do tratamento, adaptando-o às necessidades e evolução da dor de cada doente”.

O executivo também destaca que a equipa envolvida nesta intervenção está “empenhada em garantir que a inovação e os cuidados especializados chegam a todos os utentes com dor crónica”.

SO/LUSA

Artigo relacionado

Dor crónica como sintoma ou como doença

 

O conteúdo Procedimento “pioneiro” no tratamento da dor crónica realizado pela primeira vez na Madeira aparece primeiro em Saúde Online.

]]>
https://saudeonline.pt/procedimento-pioneiro-no-tratamento-da-dor-cronica-realizado-pela-primeira-vez-na-madeira/feed/ 0
ULS Médio Tejo utiliza tecnologia não invasiva inovadora para tratar dor lombar crónica https://saudeonline.pt/uls-medio-tejo-utiliza-tecnologia-nao-invasiva-inovadora-para-tratar-dor-lombar-cronica/ Wed, 22 Jul 2026 13:43:29 +0000 https://saudeonline.pt/?p=188650 O conteúdo <i class="iconlock fa fa-lock fa-1x" aria-hidden="true" style="color:#e82d43;"></i> ULS Médio Tejo utiliza tecnologia não invasiva inovadora para tratar dor lombar crónica aparece primeiro em Saúde Online.

]]>
ULS Médio Tejo utiliza tecnologia não invasiva inovadora para tratar dor lombar crónica

Esta Notícia é de acesso exclusivo a profissionais de saúde.
Se é profissional de saúde inscreva-se aqui gratuitamente.

Se já está inscrito faça Login:

O conteúdo <i class="iconlock fa fa-lock fa-1x" aria-hidden="true" style="color:#e82d43;"></i> ULS Médio Tejo utiliza tecnologia não invasiva inovadora para tratar dor lombar crónica aparece primeiro em Saúde Online.

]]>
Terapia psicológica pré-cirúrgica melhora recuperação funcional, indica estudo https://saudeonline.pt/terapia-psicologica-pre-cirurgica-melhora-recuperacao-funcional-indica-estudo/ Wed, 22 Jul 2026 08:26:40 +0000 https://saudeonline.pt/?p=188638 O conteúdo <i class="iconlock fa fa-lock fa-1x" aria-hidden="true" style="color:#e82d43;"></i> Terapia psicológica pré-cirúrgica melhora recuperação funcional, indica estudo aparece primeiro em Saúde Online.

]]>

Esta Notícia é de acesso exclusivo a profissionais de saúde.
Se é profissional de saúde inscreva-se aqui gratuitamente.

Se já está inscrito faça Login:

O conteúdo <i class="iconlock fa fa-lock fa-1x" aria-hidden="true" style="color:#e82d43;"></i> Terapia psicológica pré-cirúrgica melhora recuperação funcional, indica estudo aparece primeiro em Saúde Online.

]]>
Canábis medicinal e saúde mental https://saudeonline.pt/canabis-medicinal-e-saude-mental/ https://saudeonline.pt/canabis-medicinal-e-saude-mental/#respond Thu, 16 Jul 2026 09:08:37 +0000 https://saudeonline.pt/?p=188510 Especialista em Psicologia Clínica e da Saúde, em Psicoterapia e em Coaching Psicológico, pela Ordem dos Psicólogos Portugueses; Diretora Clínica do Espaço CAlmaMente, Clínica Privada em Coimbra;
Professora Auxiliar no Instituto Superior Miguel Torga; Membro do Conselho Consultivo Científico do Observatório Português de Canábis Medicinal

O conteúdo Canábis medicinal e saúde mental aparece primeiro em Saúde Online.

]]>

A vertente clínica da canábis medicinal baseia-se na utilização terapêutica e rigorosamente monitorizada de compostos químicos designados por fitocanabinoides extraídos da planta Cannabis sativa, com particular enfoque no Canabidiol (CBD) e no Tetra-hidrocanabinol (THC). O CBD é um composto não psicoativo, sendo o mais estudado no âmbito psiquiátrico devido às suas propriedades potencialmente ansiolíticas e neuroprotetoras. Em contrapartida, o THC é o princípio ativo responsável pelos efeitos psicoativos e pela sensação de euforia.

Estes compostos exógenos interagem diretamente com o sistema endocanabinoide, um sistema neuromodulador intrínseco do organismo humano que desempenha um papel fulcral na regulação de funções homeostáticas essenciais, tais como: humor e processamento emocional, sono e vigília, apetite e comportamento alimentar, resposta biológica ao stress, e modulação da dor e processos inflamatórios.

A relação entre a canábis medicinal e a saúde mental é um tema complexo, amplamente debatido na comunidade científica. Embora alguns doentes relatem melhoria subjetiva de sintomas, os dados clínicos não sustentam, de forma robusta, a sua eficácia em perturbações psiquiátricas. Assim, as evidências científicas disponíveis sobre o potencial terapêutico da canábis medicinal em contexto de saúde mental apresentam um quadro ainda inconclusivo, variando bastante consoante a patologia. E, enquanto a comunidade científica reconhece potencial terapêutico em contextos muito específicos, simultaneamente confronta-se com lacunas metodológicas substanciais e ausência de consenso.

Potencial Clínico da Canábis Medicinal

Uma metanálise de grande dimensão publicada em The Lancet Psychiatry (2026) consolidou 48 ensaios clínicos controlados para avaliar a eficácia e a segurança do uso de canabinoides em perturbações mentais. Os resultados revelam um panorama complexo, concluindo não existir evidência suficientemente sólida de que os canabinoides THC e CBD produzam benefício terapêutico significativo em quadros como perturbações de ansiedade, depressão ou perturbação de stresse pós-traumático. Esta metanálise tira conclusões com cautela, o que não invalida os achados promissores, mas sublinha a necessidade de investigação mais consistente e o reconhecimento de que diferentes populações, formulações e contextos clínicos podem produzir resultados distintos.

Ainda que os dados sobre o potencial terapêutico da canábis medicinal em saúde mental se revelem inconsistentes, partilham-se as conclusões de alguns estudos relevantes, que exigem uma interpretação prudente e contextualizada.

O uso do CBD isolado evidenciou benefícios terapêuticos na perturbação de ansiedade social e na perturbação de stresse pós-traumático, justificados pelos seus mecanismos neurofarmacológicos. Destaca-se em particular a sua capacidade de modular recetores serotoninérgicos e gabaérgicos que produzem redução da hiperativação da amígdala, característica destas perturbações. Alguns estudos isolados exploram igualmente o papel específico do CBD na redução de sintomas ansiosos e do burnout. De forma particularmente interessante, documentam-se melhorias no desempenho cognitivo, em domínios específicos como memória de trabalho e velocidade de processamento. Ao reduzir a sintomatologia ansiosa aguda, é facilitado o envolvimento mais efetivo em tarefas que exigem concentração, memória de trabalho e funções executivas, criando assim uma possibilidade de melhoria funcional global.

Neste sentido, estes resultados sugerem que, em determinados contextos e com formulações específicas, a canábis medicinal pode facilitar a redução de sintomatologia ansiosa e a melhoria de capacidades cognitivas que frequentemente se encontram prejudicadas em quadros ansiosos, afetando o desempenho ocupacional, académico e a qualidade de vida.

Ainda que os resultados não sejam consensuais, o CBD isolado tem demonstrado um papel promissor enquanto tratamento adjuvante na psicose e na esquizofrenia, devido à sua capacidade de reduzir sintomas psicóticos, tais como alucinações. Em contrapartida, salienta-se que o consumo de canábis comum ou de canábis medicinal com elevadas concentrações de THC mantêm uma forte correlação com o desencadeamento de surtos psicóticos.

Por seu lado, têm sido reportados apenas benefícios modestos e um nível de evidência reduzido no que concerne à mitigação da sintomatologia associada a perturbações do sono, controlo de tiques na síndrome de Gilles de la Tourette, atenuação de determinados sintomas disruptivos associados ao espectro do autismo, tais como quadros marcados por irritabilidade severa e crises de agressividade, bem como gestão de sintomas de abstinência em doentes com dependência da própria canábis.

Por fim, outros estudos não demonstram a eficácia da canábis medicinal na depressão major, podendo mesmo agravar a sintomatologia depressiva em certos perfis de doentes, particularmente naqueles com vulnerabilidade genética para episódios depressivos.

Prescrição Médica Especializada: Formação, Sensibilidade Clínica e Conformidade Legal

As principais associações médicas internacionais reiteram a necessidade de uma extrema prudência na recomendação destas substâncias. Em Portugal, a utilização de canábis para fins terapêuticos encontra-se legalmente enquadrada e regulada pelo Infarmed, sendo a sua prescrição restrita a indicações específicas e obrigatoriamente realizada por médico.

A prescrição adequada de canábis medicinal exige o recurso a médico com formação específica em farmacologia de canabinoides, compreensão detalhada de mecanismos de ação diferenciais entre CBD e THC e sensibilidade clínica para individualizar a prescrição conforme o perfil psicopatológico de cada doente. Cada situação clínica exige uma avaliação individualizada e minuciosa, sendo imperativo ponderar rigorosamente variáveis como a idade do doente, o diagnóstico, o regime farmacológico em curso e o historial clínico global.

Em Portugal, a prescrição de canábis medicinal segue um enquadramento regulatório rigoroso estabelecido pelo Infarmed através da Lei nº 33 de 2018 e Decreto-Lei nº 8 de 2019. Deste modo, os medicamentos e preparações à base de canábis disponibilizados em farmácia português encontram-se sujeitos a avaliação técnico-científica, garantindo qualidade, segurança e rastreabilidade. Qualquer médico pode prescrever, mas apenas em conformidade com sete indicações terapêuticas aprovadas e apenas quando tratamentos convencionais se revelem ineficazes ou provocarem efeitos adversos relevantes.

As indicações terapêuticas aprovadas são: espasticidade associada à esclerose múltipla ou lesões da espinal medula; náuseas e vómitos resultantes de quimioterapia, radioterapia e terapia combinada de HIV e medicação para hepatite C; estimulação do apetite nos cuidados paliativos de doentes sujeitos a tratamentos oncológicos ou com SIDA; dor crónica associada a doenças oncológicas ou ao sistema nervoso; síndrome de Gilles de la Tourette; epilepsia e tratamento de transtornos convulsivos graves na infância; e glaucoma resistente à terapêutica. Como se nota, estas indicações terapêuticas reportam para condições neurológicas, oncológicas ou oftalmológicas, pelo que a utilização em saúde mental permanece fora das indicações oficiais em Portugal.

A utilização terapêutica de canabinoides encontra-se estritamente contraindicada em pacientes com histórico clínico de esquizofrenia, quadros psicóticos ou perturbação bipolar. Esta restrição fundamenta-se nas propriedades psicomiméticas do THC, capaz de potenciar o risco de descompensação psiquiátrica. Salvo indicações muito específicas, devem também ser excluídos da prescrição: adolescentes e adultos jovens, cujo desenvolvimento neurológico se prolonga até aos 25 anos; mulheres grávidas ou em período de amamentação. Acrescente-se que se encontra absolutamente contraindicado para indivíduos com dependência ativa de substâncias, onde existe risco de transferência de dependência ou exacerbação de comportamentos aditivos. Por fim, ressalve-se que a intervenção terapêutica com recursos a canabinoides requer indicações clínicas estritas e solidamente fundamentadas, exigindo uma precaução acrescida na população pediátrica.

Note-se que a proporção de componentes CBD e THC é absolutamente crítica na determinação de segurança e eficácia. O THC tem demonstrado efeitos bifásicos: em doses reduzidas pode aliviar a ansiedade, mas em doses elevadas está associado ao desenvolvimento ou agravamento de perturbações psiquiátricas graves, incluindo episódios psicóticos e esquizofrenia, bem como ao desencadeamento de quadros de ansiedade, especialmente em indivíduos geneticamente predispostos. Por exemplo, a combinação de THC com dose elevada de CBD pode produzir paradoxalmente o aumento de sintomas paranoides e ansiosos. Assim, quando administrado em doses inadequadas ou em indivíduos com predisposição clínica, o THC pode agravar significativamente quadros de ansiedade e de psicose. Isto demonstra que a prescrição não deve ser genérica mas específica, requerendo conhecimento profundo sobre composição, dosagem e ajuste individualizado.

Igualmente, urge acautelar o risco severo de interações medicamentosas, dado que os canabinoides alteram o metabolismo hepático de outros fármacos, comprometendo diretamente a eficácia e a segurança de antidepressivos e ansiolíticos de uso corrente.

Este enquadramento oferece segurança legal e profissional tanto ao médico prescritor como ao doente, permitindo acesso a produtos certificados e regulados. Contudo, reconhece-se uma realidade incómoda: mesmo com formação especializada, a prescrição individualizada comporta variabilidade inerente. Cada pessoa apresenta farmacocinética distinta, sensibilidade idiossincrática, polimorfismos genéticos não testáveis em rotina clínica, e dinâmica psicossocial complexa. Logo, nenhum clínico consegue eliminar completamente esta variabilidade. A promessa de “encontrar dose e composição certas para aquela pessoa específica” é aspiracional, não garantida, pelo que existem riscos inerentes a qualquer prescrição sem garantias de resposta ou segurança.

Integração com Psicoterapia, Bem-Estar e Qualidade de Vida

O potencial máximo da canábis medicinal reside na sua utilização como ferramenta adjuvante integrada num plano terapêutico multimodal, não substituindo intervenção psiquiátrica e/ou psicológica. Por exemplo, se a prescrição adequada de CBD permitir reduzir a sintomatologia ansiosa aguda (hipervigilância, ruminação, ativação fisiológica excessiva), cria-se espaço psicológico para que o paciente se envolva de forma mais efetiva em processos de exposição terapêutica e mantenha a concentração ao longo das sessões de psicoterapia.

A literatura sobre este domínio permanece limitada, mas relatos clínicos sugerem que a integração da canábis medicinal com psicoterapia produz resultados positivos. Relatos clínicos de doentes que recorreram ao seu uso documentam melhoria na qualidade de vida, designadamente melhoria da qualidade do sono, maior capacidade de concentração, redução significativa dos níveis de ansiedade e de stress, melhor tolerância a situações sociais, redução de evitamento comportamental e restauro de funções ocupacionais e relacionais previamente comprometidas.

Um aspeto frequentemente negligenciado é precisamente este impacto na qualidade de vida global – não apenas a redução sintomática, mas a reconquista da capacidade funcional e do bem-estar psicológico. Deste modo, quando ocorre uma resposta terapêutica positiva, torna-se evidente o impacto direto no funcionamento global do indivíduo. Esta melhoria substancial reflete-se de forma clara na retoma gradual e sustentada das atividades da vida diária, na otimização das dinâmicas e relações interpessoais, bem como na recuperação da autonomia funcional.

Contudo, a vigilância clínica é essencial. O psicólogo clínico e o médico prescritor devem comunicar regularmente, avaliando os efeitos adversos potenciais (e.g., fadiga, alterações cognitivas, interações farmacológicas, tolerância comportamental) e garantindo que a prescrição não substitui, mas complementa, a psicoterapia estruturada e continuada. Também a descontinuação deve ser planeada e gradual, com apoio psicoterapêutico contínuo.

O papel do psicólogo clínico traduz-se sobretudo na monitorização contínua: identificar indicações, contraindicações ou fatores de risco que exigem cautela; acompanhar a resposta terapêutica ao longo do tempo; e manter comunicação regular com o médico prescritor sobre eventuais sinais de alerta. Isto exige formação contínua, abertura a possibilidades terapêuticas emergentes e vigilância crítica sobre os limites e incertezas que ainda caracterizam este campo.

Abertura Profissional, Responsabilidade Ética e Literacia em Saúde

A comunidade de profissionais de saúde mental – psicólogos, psiquiatras, médicos em geral – enfrenta uma responsabilidade dupla e simultaneamente delicada. Por um lado, décadas de proibição geraram um estigma que persiste, dificultando uma discussão informada sobre o potencial terapêutico da canábis medicinal. Por outro lado, existe o risco de entusiasmo infundado que promete benefícios sem sustentação científica adequada.

A posição responsável será aquela que combina uma abertura dialogante com ceticismo informado. Reconhecer que a canábis medicinal não é panaceia, mas pode constituir uma ferramenta terapêutica legítima em contextos muito específicos, quando prescrita adequadamente por médico habilitado para o efeito, integrada em plano multimodal e monitorizada com cuidado. Simultaneamente, é essencial manter humildade científica: reconhecer que muito permanece desconhecido e que as lacunas metodológicas são substanciais.

A desmistificação beneficia também de investimento em literacia em saúde junto da população geral, que contribui para reforçar a capacidade de decisão autonomizada e fundamentada. Campanhas educacionais de organizações profissionais podem ajudar a clarificar diferenças entre canábis recreativa e medicinal, a explicar os mecanismos de ação dos canabinoides, a estabelecer expectativas realistas, e a facilitar conversas informadas entre doentes e clínicos.

Em conclusão, a canábis medicinal representa possibilidade terapêutica emergente em saúde mental, com dados promissores em algumas situações. Contudo, a literatura não é consensual e a responsabilidade ética exige reconhecimento de limitações, riscos, e incertezas.

A prática de uma prescrição adequada e segura pressupõe o recurso a um médico especializado a par de uma formação contínua, de sensibilidade clínica e do cumprimento do enquadramento legal e regulamentar português. Adicionalmente, a identificação e a monitorização de potenciais contraindicações constituem uma responsabilidade inteiramente partilhada entre os diferentes clínicos envolvidos no plano terapêutico do doente.

Uma postura de abertura profissional, pautada por uma atitude dialogante e rigorosamente criteriosa, revela-se fundamental para promover a otimização da qualidade de vida dos doentes e impulsionar o avanço do conhecimento científico. Por fim, sublinha-se como diretriz essencial que a integração e a articulação desta abordagem com o acompanhamento em psicoterapia são fundamentais para o sucesso e a eficácia clínica global do tratamento na área da saúde mental.

Artigo relacionado

Investigação clínica com canabinóides: ética, métodos e resultados

O conteúdo Canábis medicinal e saúde mental aparece primeiro em Saúde Online.

]]>
https://saudeonline.pt/canabis-medicinal-e-saude-mental/feed/ 0
Governo tem “em curso” medidas para evitar uso de canábis medicinal como fachada para tráfico https://saudeonline.pt/governo-tem-em-curso-medidas-para-evitar-uso-de-canabis-medicinal-como-fachada-para-trafico/ https://saudeonline.pt/governo-tem-em-curso-medidas-para-evitar-uso-de-canabis-medicinal-como-fachada-para-trafico/#respond Mon, 29 Jun 2026 09:07:25 +0000 https://saudeonline.pt/?p=187893 Entre as medidas do Governo, está a revisão do decreto-lei da regulação de canábis medicinal e o reforço de recursos humanos nas áreas do licenciamento e da fiscalização.

O conteúdo Governo tem “em curso” medidas para evitar uso de canábis medicinal como fachada para tráfico aparece primeiro em Saúde Online.

]]>

 O Governo “tem em curso medidas corretivas” ao nível da regulação e fiscalização para travar o uso da produção legal de canábis medicinal como fachada para o tráfico de droga, garantiu o executivo.

O Ministério Público acusou, há cerca de duas semanas, de associação criminosa para o tráfico e tráfico de estupefacientes agravado, entre outros crimes, 24 arguidos que usariam o setor farmacêutico e de canábis medicinal como fachada para exportar droga para o mercado europeu e para países africanos, anunciou então o Departamento Central de Investigação e Ação Penal.

O processo não é o único em que há suspeitas de que negócios legais de canábis medicinal sejam usados por traficantes como fachada. “O Governo está atento. Já estão em curso medidas corretivas e de esforço da capacidade regulatória e fiscalizadora”, assegurou a secretária de Estado da Saúde, Ana Povo, durante o lançamento, em Lisboa, de uma campanha do Instituto para os Comportamentos Aditivos e Dependências (ICAD) dirigida aos jovens para promover escolhas saudáveis e prevenir consumos e comportamentos de risco.

Entre as medidas, está a revisão do decreto-lei da regulação de canábis medicinal, em moldes que a governante se escusou a precisar para já, e o reforço de recursos humanos nas áreas do licenciamento e da fiscalização. “Há coisas que não dependem do decreto-lei, nomeadamente a área do reforço dos profissionais do Infarmed dedicados a esta área, que foi uma das fragilidades encontradas”, disse Ana Povo, à margem da iniciativa.

“Já estamos a trabalhar nisso e o Infarmed implementou uma série de processos para evitar que situações destas voltem a acontecer”, acrescentou.

SO/LUSA

Notícia relacionada

“A investigação clínica com canábis medicinal tem um enorme potencial de crescimento em Portugal”

O conteúdo Governo tem “em curso” medidas para evitar uso de canábis medicinal como fachada para tráfico aparece primeiro em Saúde Online.

]]>
https://saudeonline.pt/governo-tem-em-curso-medidas-para-evitar-uso-de-canabis-medicinal-como-fachada-para-trafico/feed/ 0
Dores lombares afetam um terço da população e lideram doenças crónicas em 2025 https://saudeonline.pt/dores-lombares-afetam-um-terco-da-populacao-e-lideram-doencas-cronicas-em-2025/ https://saudeonline.pt/dores-lombares-afetam-um-terco-da-populacao-e-lideram-doencas-cronicas-em-2025/#respond Wed, 24 Jun 2026 11:12:33 +0000 https://saudeonline.pt/?p=187840 Segundo o Inquérito Nacional de Saúde 2025 do INE, as dores lombares afetaram, no ano passado, 3,2 milhões de residentes com 15 ou mais anos, quase um terço da população em estudo, sendo também uma das doenças crónicas que mais afeta os jovens (25 aos 34 anos).

O conteúdo Dores lombares afetam um terço da população e lideram doenças crónicas em 2025 aparece primeiro em Saúde Online.

]]>

As dores lombares foram a principal doença crónica em Portugal em 2025, afetando quase um terço da população, revelou hoje o Instituto Nacional de Estatística (INE), que apontou ainda o excesso de peso e a hipertensão arterial entre os principais problemas de saúde.

Segundo o Inquérito Nacional de Saúde 2025 do INE, as dores lombares afetaram, no ano passado, 3,2 milhões de residentes com 15 ou mais anos, quase um terço da população em estudo, sendo também uma das doenças crónicas que mais afeta os jovens (25 aos 34 anos). “Eram também relevantes as proporções de pessoas que referiram ter hipertensão arterial (25,6%), colesterol elevado (23,8%), dores cervicais ou outros problemas crónicos no pescoço (21.6%), alergias (20,2%) e artrose (19%)”, salientou o INE nos resultados do inquérito realizado no 4.º trimestre de 2025.

Segundo o INE, cada uma das seis principais doenças crónicas referidas afetava uma proporção maior de mulheres do que de homens, especialmente artroses (25,9% de mulheres e 11,8% de homens), dores cervicais (27,8% de mulheres e 15,1% de homens) e dores lombares (37,1% de mulheres e 26,1% de homens).

Os dados revelam também que em 2025 mais de metade da população adulta (57,1%) tinha excesso de peso ou obesidade, ou seja, um índice de massa corporal (IMC) de 25 ou mais kg/m2. A obesidade e a pré-obesidade atingiram, respetivamente, 1,7 milhões e 3,8 milhões de pessoas com 18 ou mais anos.

SO/LUSA

Notícia relacionada

Extrato de canábis não aditivo mostra eficácia no alívio da dor lombar crónica

O conteúdo Dores lombares afetam um terço da população e lideram doenças crónicas em 2025 aparece primeiro em Saúde Online.

]]>
https://saudeonline.pt/dores-lombares-afetam-um-terco-da-populacao-e-lideram-doencas-cronicas-em-2025/feed/ 0