Bercina Candoso - Saúde Online https://saudeonline.pt/tag/bercina-candoso/ Notícias sobre saúde Thu, 14 Mar 2024 14:37:55 +0000 pt-PT hourly 1 https://saudeonline.pt/wp-content/uploads/2018/12/cropped-indentity-32x32.png Bercina Candoso - Saúde Online https://saudeonline.pt/tag/bercina-candoso/ 32 32 Incontinência urinária de esforço. “Estas mulheres apresentam quadros de depressão que levam ao isolamento social” https://saudeonline.pt/incontinencia-urinaria-de-esforco-estas-mulheres-apresentam-quadros-de-depressao-que-levam-ao-isolamento-social-2/ https://saudeonline.pt/incontinencia-urinaria-de-esforco-estas-mulheres-apresentam-quadros-de-depressao-que-levam-ao-isolamento-social-2/#respond Fri, 15 Mar 2024 14:00:44 +0000 https://saudeonline.pt/?p=156390 Enquanto não tratada, a incontinência urinária de esforço pode ter um impacto muito negativo nas mulheres. Em entrevista, Bercina Candoso, assistente hospitalar graduada de Ginecologia e Obstetrícia na ULS de Santo António e responsável pela Unidade de Uroginecologia e Pavimento Pélvico do Centro Materno Infantil do Norte, fala um pouco sobre esta patologia, apontando que pode ser de fácil resolução.

O conteúdo Incontinência urinária de esforço. “Estas mulheres apresentam quadros de depressão que levam ao isolamento social” aparece primeiro em Saúde Online.

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Bercina Candoso

Como é que se caracteriza e qual é a causa da incontinência urinária de esforço?

Esta incontinência ou perda de urina involuntária ocorre quando a mulher sofre um aumento da pressão intra-abdominal, nomeadamente quando tosse, espirra, ri, pega em pesos e salta ou corre. A causa diz respeito a uma deficiência nos mecanismos de suporte dos órgãos do pavimento pélvico, nomeadamente da uretra. Essa perda de suporte pode dever-se à idade, à menopausa ou à atrofia dos tecidos. Porém, na maioria dos casos, está relacionada com os partos, especialmente os traumáticos. Durante o parto ocorre a distensão dos músculos e estiramento nervoso que leva a que, futuramente, possam surgir disfunções na contração dos músculos e na enervação dos tecidos.

Outros fatores de risco comuns são as histerectomias e as doenças pulmonares por consumo excessivo de tabaco, que provocam quadros de tosse muito acentuadas, aumentando consideravelmente a pressão intra-abdominal que, quando de forma crónica, se vai repercutir a nível da sustentação dos órgãos. Não podemos esquecer também aquela que considero ser a principal causa: a propensão genética para este tipo de disfunções.

“Se realizássemos um estudo da população que refere incontinência urinária de esforço, muito provavelmente essas pessoas teriam um familiar que também sofria do mesmo problema.”

Que impacto é que este tipo de incontinência pode ter nos doentes?

Qualquer tipo de incontinência urinária tem um impacto social, psicológico, laboral e familiar na vida das mulheres, uma vez que são impedidas de ter uma vida normal devido a perdas de urina. Deixam de fazer exercício físico, de caminhar e de fazer muitas atividades.

Na maior parte dos casos, estas mulheres têm quadros de ansiedade e de depressão que levam ao isolamento social e até da própria família, ao absentismo laboral e a patologias derivadas do uso crónico de sistemas de contenção. Se a questão da incontinência urinária de esforço for diagnosticada por médico especialista existe uma solução que permite o rápido regresso à sua vida normal.

Cada vez mais, este tema está a deixar de ser tabu. As mulheres referem o problema ao médico de família com mais facilidade do que há 20 anos, que, por sua vez, referencia para uma unidade de Uroginecologia para que possam ser submetidas a uma cirurgia minimamente invasiva, que em casos de mulheres saudáveis e jovens até pode ser feita em ambulatório. O único inconveniente é o mesmo de qualquer outra cirurgia que envolva a reconstrução das estruturas de sustentação do pavimento pélvico: não devem fazer esforços nem ter relações sexuais com penetração durante oito semanas após a intervenção.

Para além da cirurgia, que opções existem a nível de tratamento?

Relativamente a outros tratamentos existe a reabilitação do pavimento pélvico, mas apenas em casos em que ainda existe alguma contração dos músculos, ou seja, em que haja a possibilidade de reabilitar os mesmos. No entanto, as doentes têm que estar motivadas para tal, já que a reabilitação do pavimento pélvico consome tempo, energia e as mulheres devem continuar a fazer exercícios após ser dada alta. Em qualquer fisioterapia recomendada as doentes têm de ter presente que um determinado músculo reabilitado muito rapidamente retrocede se não houver uma continuação a nível de exercícios.

“Estas doentes têm de ter uma disciplina muito grande se quiserem que o resultado perdure.”

É possível evitar a incontinência urinária de esforço?

A nível de prevenção, as mulheres devem manter um peso saudável, não fumar e praticar exercícios de Kegel. Estes exercícios estão hoje muito difundidos em todas as unidades de Uroginecologia e nas unidades de saúde primárias. As mulheres devem saber quais são os músculos que devem treinar e isso até pode ser ensinado numa consulta pós-parto, ou durante as sessões de fisioterapia. Idealmente, os exercícios devem ser feitos três vezes por semana, de modo a tentar prevenir uma situação de incontinência urinária de esforço no futuro.

 

CG

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Bercina Candoso

Como é que se caracteriza e qual é a causa da incontinência urinária de esforço?

Esta incontinência ou perda de urina involuntária ocorre quando a mulher sofre um aumento da pressão intra-abdominal, nomeadamente quando tosse, espirra, ri, pega em pesos e salta ou corre. A causa diz respeito a uma deficiência nos mecanismos de suporte dos órgãos do pavimento pélvico, nomeadamente da uretra. Essa perda de suporte pode dever-se à idade, à menopausa ou à atrofia dos tecidos. Porém, na maioria dos casos, está relacionada com os partos, especialmente os traumáticos. Durante o parto ocorre a distensão dos músculos e estiramento nervoso que leva a que, futuramente, possam surgir disfunções na contração dos músculos e na enervação dos tecidos.

Outros fatores de risco comuns são as histerectomias e as doenças pulmonares por consumo excessivo de tabaco, que provocam quadros de tosse muito acentuadas, aumentando consideravelmente a pressão intra-abdominal que, quando de forma crónica, se vai repercutir a nível da sustentação dos órgãos. Não podemos esquecer também aquela que considero ser a principal causa: a propensão genética para este tipo de disfunções.

“Se realizássemos um estudo da população que refere incontinência urinária de esforço, muito provavelmente essas pessoas teriam um familiar que também sofria do mesmo problema.”

Que impacto é que este tipo de incontinência pode ter nos doentes?

Qualquer tipo de incontinência urinária tem um impacto social, psicológico, laboral e familiar na vida das mulheres, uma vez que são impedidas de ter uma vida normal devido a perdas de urina. Deixam de fazer exercício físico, de caminhar e de fazer muitas atividades.

Na maior parte dos casos, estas mulheres têm quadros de ansiedade e de depressão que levam ao isolamento social e até da própria família, ao absentismo laboral e a patologias derivadas do uso crónico de sistemas de contenção. Se a questão da incontinência urinária de esforço for diagnosticada por médico especialista existe uma solução que permite o rápido regresso à sua vida normal.

Cada vez mais, este tema está a deixar de ser tabu. As mulheres referem o problema ao médico de família com mais facilidade do que há 20 anos, que, por sua vez, referencia para uma unidade de Uroginecologia para que possam ser submetidas a uma cirurgia minimamente invasiva, que em casos de mulheres saudáveis e jovens até pode ser feita em ambulatório. O único inconveniente é o mesmo de qualquer outra cirurgia que envolva a reconstrução das estruturas de sustentação do pavimento pélvico: não devem fazer esforços nem ter relações sexuais com penetração durante oito semanas após a intervenção.

Para além da cirurgia, que opções existem a nível de tratamento?

Relativamente a outros tratamentos existe a reabilitação do pavimento pélvico, mas apenas em casos em que ainda existe alguma contração dos músculos, ou seja, em que haja a possibilidade de reabilitar os mesmos. No entanto, as doentes têm que estar motivadas para tal, já que a reabilitação do pavimento pélvico consome tempo, energia e as mulheres devem continuar a fazer exercícios após ser dada alta. Em qualquer fisioterapia recomendada as doentes têm de ter presente que um determinado músculo reabilitado muito rapidamente retrocede se não houver uma continuação a nível de exercícios.

“Estas doentes têm de ter uma disciplina muito grande se quiserem que o resultado perdure.”

É possível evitar a incontinência urinária de esforço?

A nível de prevenção, as mulheres devem manter um peso saudável, não fumar e praticar exercícios de Kegel. Estes exercícios estão hoje muito difundidos em todas as unidades de Uroginecologia e nas unidades de saúde primárias. As mulheres devem saber quais são os músculos que devem treinar e isso até pode ser ensinado numa consulta pós-parto, ou durante as sessões de fisioterapia. Idealmente, os exercícios devem ser feitos três vezes por semana, de modo a tentar prevenir uma situação de incontinência urinária de esforço no futuro.

 

CG

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Uroginecologia. “A nossa intenção de implementar a subespecialidade já data de 2012” https://saudeonline.pt/uroginecologia-a-nossa-intencao-de-implementar-a-subespecialidade-ja-data-de-2012/ https://saudeonline.pt/uroginecologia-a-nossa-intencao-de-implementar-a-subespecialidade-ja-data-de-2012/#respond Mon, 08 Jan 2024 11:17:58 +0000 https://saudeonline.pt/?p=153471 A 202.ª Reunião da Sociedade Portuguesa de Ginecologia decorre já no próximo dia 12 de janeiro, em Cascais. Um dos temas que vão ser abordados é a importância da subespecialidade de Uroginecologia, como nos conta Bercina Candoso, presidente da Secção Portuguesa de Uroginecologia (SPUG) da Sociedade Portuguesa de Ginecologia.

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Bercina Candoso

O que podemos esperar da Reunião?

Esta reunião pretende expor de forma dinâmica  várias vertentes da  Uroginecologia, com relevância para os avanços na área da formação, diagnóstico, prevenção e tratamento das disfunções do pavimento pélvico.

 

Na sua conferência vai falar sobre “Subespecialidade finalmente”. Quais serão as principais mensagens?

Na realidade, a nossa intenção de implementar a subespecialidade dentro do Colégio da Especialidade de Ginecologia e Obstetrícia já data de 2012. Houve sempre obstáculos  a tornar esta nossa pretensão, realidade, motivada essencialmente pela necessidade  do Colégio da Ordem de Ginecologia e Obstetrícia em consultar o Colégio de Urologia. Na  última tentativa por parte da atual Direção da SPUG, que assumiu isso como seu desígnio, obtivemos  uma resposta pouco edificante e que em nada dignifica quem a redigiu  e que mais uma vez veio adiar a persecução deste título, para quem tanto tempo e empenho pôs na melhoria da qualidade de vida das mulheres que sofrem destas patologias.

Neste momento, com a publicação em Diário da República do Regulamento da Ordem dos Médicos Nº 951/2022 de 13 de outubro, está bem explícito que a  subespecialidade é uma área de saber específico de uma especialidade;  que a área de saber deve corresponder a atribuições e competências técnico-científicas e que a criação de secção de subespecialidade é proposta pela Direção do Colégio da Especialidade. Por estes motivos, penso que será a altura ideal para avançarmos e dar disso conhecimento a toda a comunidade que se dedica à área  em questão e que seguramente não deixará de estar presente na nossa reunião.

“… nos requisitos impostos para a obtenção do título de subespecialista em Uroginecologia implica a prática regular dentro desta subespecialidade de pelo menos 5 anos”

Olhando para os últimos tempos, quais são os principais desafios da Uroginecologia em termos médico-cirúrgicos?

Formação adequada no diagnóstico das diversas disfunções do pavimento pélvico e aquisição de ferramentas para o domínio de todas as técnicas e vias de abordagem que o tratamento das mesmas requer. Por isso, nos requisitos impostos para a obtenção do título de subespecialista em Uroginecologia implica a prática regular dentro desta subespecialidade de pelo menos 5 anos.

 

E ao nível formativo?

O Interno da especialidade ou o jovem Especialista que pretende diferenciação nesta área terá de apostar não só nas técnicas cirúrgicas pelas diferentes vias de abordagem que um Uroginecologista tem de dominar, mas também no estudo das disfunções miccionais, obtendo certificação em Urodinâmica. Na Imagiologia será do interesse de qualquer Instituição e dos próprios Uroginecologistas que nela trabalham que existam elementos diferenciados  em  Ecografia do pavimento pélvico.

 

“Momentos da psicossomática – Contração aspirativa da parede abdominal inferior” é o tema da conferência de encerramento. Porquê este tema?

Esta última conferência foi proposta pelo Professor Martinez de Oliveira e que nós, conhecendo a sua excelente dialética, forma de expor e o seu interesse pela psicossomática, abraçámos de imediato. Constituirá uma surpresa para todos, seguramente muito gratificante, a forma como vai adaptar a psicossomática à área de Uroginecologia.

MJG

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