Pedonline - Saúde Online https://saudeonline.pt/noticias/pedonline/ Notícias sobre saúde Tue, 12 May 2026 10:19:05 +0000 pt-PT hourly 1 https://saudeonline.pt/wp-content/uploads/2018/12/cropped-indentity-32x32.png Pedonline - Saúde Online https://saudeonline.pt/noticias/pedonline/ 32 32 A PHDA para além do comportamento https://saudeonline.pt/a-phda-para-alem-do-comportamento/ https://saudeonline.pt/a-phda-para-alem-do-comportamento/#respond Mon, 11 May 2026 08:28:30 +0000 https://saudeonline.pt/?p=186846 Pediatra do Neurodesenvolvimento. Autor do livro Compreender a PHDA (3.ª Edição) - Perturbação de Hiperatividade e Défice de Atenção (LIDEL)

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A Perturbação de Hiperatividade e Défice de Atenção (PHDA) constitui uma das condições do neurodesenvolvimento mais prevalentes e, simultaneamente, uma das mais frequentemente mal compreendidas em contexto clínico.

Apesar do robusto corpo de evidência científica disponível, persistem interpretações redutoras que a associam predominantemente a problemas comportamentais ou educativos, desvalorizando a sua base neurobiológica e o impacto funcional significativo ao longo do ciclo de vida. Esta visão simplista contribui para atrasos no diagnóstico, subtratamento e, não raramente, para a estigmatização dos doentes e das suas famílias.

Do ponto de vista etiológico, a PHDA resulta de uma interação complexa entre fatores genéticos e ambientais. A herdabilidade elevada, estimada entre 70% e 90%, evidencia o papel determinante da genética, nomeadamente ao nível do sistema de neurotransmissão dopaminérgica e noradrenérgica. Estas alterações afetam, particularmente, o funcionamento do córtex pré-frontal e das redes frontoestriadas, estruturas fundamentais para as funções executivas. Como consequência, observam-se défices na atenção sustentada, memória de trabalho, controlo inibitório e regulação emocional, frequentemente associados a dificuldades de planeamento, organização e monitorização do comportamento. Paralelamente, fatores ambientais, como exposição pré-natal a substâncias, prematuridade ou adversidade psicossocial, podem modular a expressão clínica, sem constituírem, de forma isolada, causa suficiente da perturbação.

Neste sentido, a conceptualização da PHDA enquanto condição neurobiológica acaba por ter implicações diretas na abordagem terapêutica. O tratamento deve ser necessariamente multimodal, integrando intervenção farmacológica e estratégias psicossociais. A terapêutica com psicoestimulantes, ao aumentar a disponibilidade sináptica de dopamina e noradrenalina, demonstra eficácia consistente na redução dos sintomas nucleares, bem como na melhoria das funções executivas e do desempenho académico. A evidência acumulada aponta ainda para benefícios adicionais ao nível da diminuição do risco de comorbilidades, de acidentes e de comportamentos de risco a longo prazo, reforçando o seu papel como intervenção de primeira linha em muitos casos.

Contudo, a intervenção farmacológica, embora central, não deve ser encarada como única resposta terapêutica. Programas de treino parental, intervenções cognitivo-comportamentais e adaptações no contexto escolar são fundamentais para promover competências de autorregulação, melhorar a adesão às tarefas e reduzir o impacto funcional da perturbação. A articulação entre profissionais de saúde, escola e família assume, assim, um papel determinante, permitindo uma intervenção consistente e ajustada às necessidades específicas de cada doente.

A eviência demonstra ainda que o atraso no diagnóstico e no início do tratamento está associado a consequências negativas significativas, incluindo insucesso académico, dificuldades interpessoais, baixa autoestima e maior vulnerabilidade a perturbações psiquiátricas na adolescência e idade adulta. Por isso, a identificação precoce, aliada a uma avaliação abrangente e a uma intervenção estruturada, deve constituir uma prioridade nos cuidados de saúde.

A evolução do conhecimento científico tem permitido afastar preconceitos e aproximar a prática clínica de modelos explicativos mais integrados e baseados na evidência. Este enquadramento é desenvolvido de forma mais aprofundada na obra Compreender a PHDA (LIDEL Editora), que reúne contributos relevantes para uma abordagem clínica informada.

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Hospital de Cascais avança com terapia assistida por animais na Pediatria https://saudeonline.pt/hospital-de-cascais-avanca-com-terapia-assistida-por-animais-na-pediatria/ https://saudeonline.pt/hospital-de-cascais-avanca-com-terapia-assistida-por-animais-na-pediatria/#respond Thu, 07 May 2026 08:23:47 +0000 https://saudeonline.pt/?p=186681 Segundo o hospital, a eficácia da terapia assistida por animais está internacionalmente comprovada e relaciona-se com os benefícios emocionais proporcionados pelo contacto com os cães, através do olhar, do toque e da presença junto dos utentes.

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O Hospital de Cascais e a Associação São Francisco de Assis (ASFA) assinaram um protocolo para implementar um programa de terapia assistida por animais em contexto hospitalar, numa iniciativa que arranca na área da pediatria com cães treinados para intervenções terapêuticas. De acordo com um comunicado do Hospital Dr. José de Almeida, o programa será desenvolvido em serviços autorizados, nomeadamente nas áreas de pediatria e psiquiatria, através de visitas terapêuticas, sessões de apoio emocional e atividades de estimulação cognitiva e social.

A unidade hospitalar explica que o projeto assenta em evidência científica que demonstra benefícios como a redução do stress, o alívio da ansiedade e a criação de vínculos em ambiente hospitalar, proporcionando aos doentes momentos de conforto e uma maior sensação de normalidade. “Este é um projeto inspirador. É um orgulho e uma honra integrar esta prática aqui no Hospital de Cascais, pois acredito que são os pequenos gestos que geram impacto e que fazem a diferença no dia-a-dia”, afirmou José Bento, presidente do conselho de administração da unidade, citado na nota.

Segundo o hospital, a eficácia da terapia assistida por animais está internacionalmente comprovada e relaciona-se com os benefícios emocionais proporcionados pelo contacto com os cães, através do olhar, do toque e da presença junto dos utentes. No caso das crianças, a prática pode contribuir para uma evolução mais positiva do tratamento.

A ASFA trabalha com cães abandonados e resgatados, posteriormente treinados para intervenções terapêuticas. A associação sublinha que animais anteriormente vítimas de negligência passam agora a desempenhar um papel ativo no apoio a doentes, reforçando a humanização dos cuidados de saúde. De acordo com a associação, os cães envolvidos no projeto cumprem rigorosos requisitos veterinários, comportamentais e sanitários, garantindo elevados padrões de segurança e controlo de infeção no ambiente hospitalar.

A ASFA considera ainda que esta iniciativa reforça o compromisso da instituição com o bem-estar animal e a integração social, ao proporcionar uma nova oportunidade a cães resgatados, agora envolvidos em atividades de apoio à comunidade.

O protocolo contou com o apoio da Câmara Municipal de Cascais e foi assinado na presença dos vereadores responsáveis pelas áreas da Saúde, Ação Social e Bem-Estar Animal. Após a fase inicial na pediatria, o programa deverá ser alargado a outras áreas clínicas, em articulação com profissionais de saúde mental.

SO/LUSA

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Ordem dos Médicos pede revogação de norma do Infarmed sobre sensores de glicose https://saudeonline.pt/ordem-dos-medicos-pede-revogacao-de-norma-do-infarmed-sobre-sensores-de-glicose/ https://saudeonline.pt/ordem-dos-medicos-pede-revogacao-de-norma-do-infarmed-sobre-sensores-de-glicose/#respond Tue, 05 May 2026 09:10:54 +0000 https://saudeonline.pt/?p=186579 “Trata dispositivos médicos complexos como se fossem medicamentos genéricos”, critica o bastonário da Ordem dos Médicos, sublinhando que os sensores de glicose não são clinicamente equivalentes entre si.

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A Ordem dos Médicos (OM) exigiu esta terça-feira a revogação da decisão do Infarmed que permite a prescrição de sensores de monitorização contínua da glicose por designação genérica, alertando para riscos na segurança dos doentes. Em comunicado, a OM manifestou “profunda preocupação e firme discordância” relativamente à circular emitida em abril pela autoridade reguladora do medicamento, que determina que estes dispositivos passem a ser prescritos de forma semelhante aos medicamentos genéricos, substituindo a anterior prescrição por marca comercial.

O Infarmed justificou a medida com o aumento da oferta de sensores comparticipados, que permitem às pessoas com diabetes monitorizar a glicose sem recurso a picadas no dedo. Segundo a entidade, a alteração visa promover maior acesso a estas tecnologias, tendo entrado em vigor a 13 de abril após adaptações nos sistemas informáticos.

A OM reconhece a importância de garantir acesso equitativo, mas considera que a solução adotada é inadequada. “Trata dispositivos médicos complexos como se fossem medicamentos genéricos”, critica, sublinhando que os sensores não são clinicamente equivalentes entre si. De acordo com a ordem, estes dispositivos diferem em aspetos como precisão, algoritmos, necessidade de calibração, alarmes, aplicações digitais, duração de utilização e adaptação ao perfil do doente. Essas diferenças, sustenta, podem influenciar decisões críticas no tratamento diário da diabetes.

Citado no comunicado, o presidente do Colégio de Endocrinologia e Nutrição da OM, Manuel Carlos Lemos, afirma que a medida representa “um retrocesso e um perigo real”, ao limitar a escolha do médico e comprometer a individualização dos cuidados.

Também o bastonário da OM, Carlos Cortes, defende a revogação urgente da decisão e a abertura de um processo de diálogo com profissionais de saúde, sociedades científicas e associações de doentes, com vista a uma solução baseada em critérios técnicos e científicos. “Acesso às tecnologias é fundamental, mas sem adequação clínica pode transformar uma boa intenção numa má decisão”, concluiu.

A Sociedade Portuguesa de Diabetologia (SPD) também classificou a medida como um “retrocesso clínico sem precedentes, com potencial para comprometer a segurança e a qualidade de vida de milhares de pessoas com diabetes em Portugal”, alertou em comunicado. A SPD realçou que, ao contrário dos medicamentos, os sistemas de medição contínua da glicose não são equivalentes entre si, uma vez que cada dispositivo apresenta características únicas e clinicamente relevantes que determinam a sua adequação a cada doente.

As diferenças entre sensores abrangem a “precisão analítica, os algoritmos proprietários de leitura e interpretação, a necessidade ou não de calibração manual, a capacidade de integração com bombas de insulina e plataformas digitais de saúde, bem como a usabilidade e os alarmes configuráveis”, adiantou o comunicado. “Equiparar estes dispositivos a medicamentos genéricos é uma simplificação tecnicamente errada e potencialmente perigosa”, avisou ainda a SPD, ao salientar que a escolha do sensor adequado resulta de um conhecimento profundo do doente, do seu contexto de vida, da sua literacia e da sua capacidade de utilização da tecnologia.

A sociedade científica adiantou também que países europeus com sistemas de saúde de referência na área da diabetes, como Espanha, França, Alemanha e Itália, não adotaram modelos de prescrição indiferenciada e, com esta medida, Portugal “arriscaria afastar-se das melhores práticas europeias num momento de aceleração tecnológica sem precedentes”.

A SPD lamentou não ter sido previamente consultada sobre esta decisão do Infarmed, apelando ao diálogo com sociedades científicas, profissionais de saúde e associações de doentes, para garantir que as “decisões sejam baseadas na evidência e centradas no interesse das pessoas com diabetes”.

A decisão também foi contestada pela Associação Protectora dos Diabéticos de Portugal.

SO/LUSA

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APDP critica circular sobre prescrição genérica de dispositivos de glicose para pessoas com diabetes

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Crianças com apetite “emocional” correm risco de ter pior saúde https://saudeonline.pt/criancas-com-apetite-emocional-correm-risco-de-ter-pior-saude/ Mon, 04 May 2026 09:16:38 +0000 https://saudeonline.pt/?p=186560 O conteúdo <i class="iconlock fa fa-lock fa-1x" aria-hidden="true" style="color:#e82d43;"></i> Crianças com apetite “emocional” correm risco de ter pior saúde aparece primeiro em Saúde Online.

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APDP critica circular sobre prescrição genérica de dispositivos de glicose para pessoas com diabetes https://saudeonline.pt/apdp-critica-circular-sobre-prescricao-generica-de-dispositivos-de-glicose-para-pessoas-com-diabetes/ Wed, 29 Apr 2026 08:20:14 +0000 https://saudeonline.pt/?p=186502 O conteúdo <i class="iconlock fa fa-lock fa-1x" aria-hidden="true" style="color:#e82d43;"></i> APDP critica circular sobre prescrição genérica de dispositivos de glicose para pessoas com diabetes aparece primeiro em Saúde Online.

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PR aprova despacho que reforça direitos de jovens que passam para Cuidados Paliativos de Adultos https://saudeonline.pt/pr-aprova-despacho-que-reforca-direitos-de-jovens-que-passam-para-cuidados-paliativos-de-adultos/ https://saudeonline.pt/pr-aprova-despacho-que-reforca-direitos-de-jovens-que-passam-para-cuidados-paliativos-de-adultos/#respond Tue, 28 Apr 2026 13:35:18 +0000 https://saudeonline.pt/?p=186472 Uma das medidas é o direito do acompanhamento familiar a jovens em Cuidados Paliativos que perfaçam 18 anos durante o internamento, pelo período adequado às suas necessidades.

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O Presidente da República, António José Seguro, promulgou hoje o decreto que reforça os direitos dos jovens que transitam dos serviços pediátricos de Cuidados Paliativos para os de adultos, alterando a Lei de Bases dos Cuidados Paliativos. Numa nota divulgada no site, a Presidência da República explica que, apesar de, em relação à Lei de Bases dos Cuidados Paliativos, não estarem cumpridas as obrigações de republicação previstas na legislação, António José Seguro “privilegiou o impacto positivo desta alteração legislativa naqueles que dela irão beneficiar”.

António José Seguro teve ainda em consideração “as facilidades que as ferramentas eletrónicas atuais fornecem para obter uma versão consolidada da referida Lei de Bases”, refere a nota.

O texto final, aprovado a 26 de março na Assembleia da República (com a abstenção do PSD e CDS-PP) e que tinha surgido na sequência de um projeto de lei apresentado pelo PAN, previa que, quando um jovem atinge os 18 anos, a transição do serviço pediátrico para o de adultos tem obrigatoriamente um caráter gradual e é adaptada às suas necessidades médicas, psicossociais e educacionais.

Além disso, passa a ser reconhecido o direito do acompanhamento familiar a jovens que perfaçam 18 anos durante o internamento, também pelo período adequado às suas necessidades, definido em articulação entre os serviços pediátrico e geral.

Na exposição dos motivos, o diploma alertava que um dos principais problemas dos cuidados paliativos pediátricos está relacionado com a transição para os serviços de adultos, quando um jovem doente completa 18 anos, passando-se de um serviço em que há um sistema totalmente centrado no doente para outro em que o tratamento dado ao doente é mais genérico, nem sempre garantindo a adaptação às necessidades médicas, psicossociais e educacionais dos jovens.

SO/LUSA

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